7.2.12
Outrora, os 4 bilhões - se tantos - pela Vale do Rio Doce inteira, jazidas eternas, milhares de quilômetros de ferrovias, portos, usinas siderúrgicas e tudo o mais, e cada vez menos, que há de metálico e não metálico por debaixo do chão. Quando morava em Minas havia até mesmo, e acho que ainda há, um glorioso time da terceira divisão que, fundado em 1942 num clube de funcionários - itabirano! -, costumava ser pronunciado "Valériodoce" pelos fans e locutores, ou, segundo os mais íntimos, "Valério"; deve ter entrado no pacote também.
3.2.12
1.2.12
26.1.12
O que houve em Pinheirinho?
A ação realizada pelo governo paulista por intermédio de sua Polícia Militar em Pinheirinho, São José dos Campos, usou o nome técnico de "reintegração de posse". Algum juiz chamaria, com base no direito que aprendeu, de reintegração de posse o que houve em Pinheirinho? Ou haveria como fazê-lo com base nos artigos e princípios reunidos pela Constituição?
Se o nome técnico de reintegração de posse é insuficiente para designar a ação realizada em Pinheirinho, o que houve lá, com a utilização abusiva de um mandado judicial, ato tecnicamente legítimo de um magistrado?
O ataque foi às seis da manhã. Para surpreender, como se deu, os ocupantes da ex-propriedade de Naji Nahas ainda dormindo ou nos seus primeiros afazeres pessoais.
O governo Alckmin e o prefeito de São José dos Campos, ainda que há muito sabedores de que a reclamada reintegração exigiria a instalação das 2.000 famílias desalojadas, não incomodaram nesse sentido o seu humanitarismo de peessedebistas.
Sair para onde? -Eis o impulso da resistência dos mais inconformados ou menos subjugados pelos séculos de história social que lhes cabe representar.
Não posso dizer o que acho que devessem fazer já à primeira brutalidade covarde da polícia. Seja, porém, o que for que tenham feito, o direito de defesa está na Constituição como integrante legítimo da cidadania. E se foi utilizado, duas razões o explicam.
Uma, a ação policial de maneiras e formas não autorizadas pelo mandado de reintegração de posse, por inconciliáveis com os limites legais da ação policial.
Segunda razão, a absoluta inexistência das alternativas de moradia que o governo Alckmin e o prefeito Eduardo Cury tinham a obrigação funcional e legal de entregar aos removidos, para não expulsar, dos seus forjados tetos para o danem-se, crianças, idosos, doentes, as famílias inteiras que viviam em Pinheirinho há oito anos.
Atendidas essas duas condições, só os que perdessem o juízo prefeririam ficar na área ocupada, e alguns até resistirem à saída. Logo, ficam ali caracterizadas as responsabilidades de quem faltou com seus deveres e, por ter faltado, recorreu à arbitrariedade plena: tiros e vítimas de ferimentos, surras com cassetetes e partes de armamentos (mesmo em pessoas de mãos elevadas, indefesas e passivas, como documentado); destruição não só das moradas, mas dos bens -perdão, bem nenhum- das posses mínimas que podem ter as pessoas ainda carentes de invasões para pensar que moram em algum lugar.
O que houve em Pinheirinho, São José dos Campos, SP, não foi reintegração de posse.
Essa expressão do direito não se destina a acobertar nem disfarçar crimes. Entre eles, o de abuso de poder contra governados.
(Janio de Freitas)
22.1.12
21.1.12
19.1.12
Eu, hein
15.1.12
Eu já sabia
JGR em entrevista a Arnaldo Saraiva, 1966
13.1.12
11.1.12
Planeta Melancolia, por que tanto tardas?
9.1.12
8.1.12
5.1.12
4.1.12
Talvez não seja a melhor versão da Flauta, mas foi a primeira a que assisti em vídeo, gravado em vhs a partir de uma precária transmissão da TVE do Rio em 91 (caramba, há mais de 20 anos?), e que me fez gostar de ópera (de Mozart e Monteverdi, todas as outras são chatas). O certo é que esta Pamina (Edith Mathis) é perfeita, insuperável - e uma das minhas primeiras namoradas.
3.1.12
Hora de voltar
2.1.12
Pareceu-me que o livro, conquanto divertido aqui e ali, não passa de uma catilinária meio delirante contra o sobrenatural e a religião. Não que essas cousas sejam respeitáveis - odeio e quase sempre escarneço tudo que se aproxime de padres, templos, êxtases, dogmas e dízimos (embora leia horóscopos para me precaver de las brujas) -, mas o cara claramente despiroca. Afinal, escrever 500 páginas para tentar provar que os deuses não existem não seria respeitá-los em excesso? Tudo bem, é certo que as cousas andam mal no mundo anglo-saxônico - embora britânico, o autor prega mesmo para o público ianque, que nas próximas eleições votará en masse nos crentes entusiastas do extermínio de gays, ateus, bolivarianos e demais endemoniados -, e um pouco de descrença e laicidade seria muito bem-vindo por lá. Mas, a despeito de não manjar nada de biologia evolucionista, achei que os argumentos fornecidos com base em Darwin carecem de fundamentação científica, são simples suposições meio common sense, meio wishful thinking: afirmações sem provas - tal como os dogmas combatidos, e com retórica menos atraente.
Talvez bastasse sair pichando "Cachorros foderam o Papa" por aí.
31.12.11
Cousas loicas
Moral da história: será que devo, afinal, converter-me à Cabala - como consta que fez o Guy Ritchie, diretor do filme, durante o casamento com a Madonna? Cartas para esta embrejada redação.
27.12.11
A tarde foi mesmo produtiva. Alguns quilômetros depois cheguei a uma conclusão definitiva sobre o ciclo de vida das nuvens.
26.12.11
22.12.11
21.12.11
20.12.11
17.12.11
16.12.11
14.12.11
8.12.11
3.8.10
acho o miele um grande cara
Breno diz:
aposto como ele foi um grande comedor nos tempos áureos
Érico diz:
lembra do show em que as minas mostravam os peitos?
Breno diz:
claro
Érico diz:
tutti-frutti?
hahahaha
Breno diz:
haha
não lembrava o nome
manchete?
Érico diz:
pode ser
estamos velhos
Breno diz:
meia idade, relaxa
e temos barba
23.6.10
2.6.10
26.5.10
Um boi & os homens

Sem trema nem novas ideias, o laborioso primeiro quinquênio de B.-do-U. se comemora somente agora que voltei de Meca, Medina, Jerusalém, Fátima, Lourdes, Medjugorje, Juazeiro do Norte, Dona Vininha e Curvelo carregando olhos-de-boi.
Post-post: Olhos-de-boi e demais roseanices em Geraes
3.5.10
Em línguas
Pena é que a única testemunha do acontecido também não seja fluente no idioma de Baudelaire: jamais saberei se a voz das vidas passadas tinha acento gascão ou, quizás, suburbano-parisiense.
28.4.10
Agruras de um encanecido jovem revisor
5.3.10
Anticota = Antichrist
(Bôlha)
N. do B.: Basta consultar qualquer pm ou segurança de magazine.
23.2.10
Hors d'oeuvres
Tudo consiste, claro, em mero convescote de ricos maganos (um banco suíço cúmplice terá o logotipo estampado em todos os guardanapos), mais um vez com o patrocínio arregalado das arcas públicas. O ímpeto didático é apenas a cunha marota com que se extorque do Governo o sumo aliciante da renúncia fiscal ("difusão" da "cultura" etc.).
Entrementes, orgulhosos do patrício Gini 0,58 (crede, o de Honduras não é maior!), os mesmos e locupletos maganos são honestamente capazes de afetar horror ao "radicalismo" do ora repuxado modelito petê. Convindo, raro e piedoso leitor, que - excetuadas as psolices de mostruário - os planos da patota cumpanhêra apenas esbocem um tímido (e inútil) chamamento à ordem no galinheiro, só resta ansiar pelo advento próximo de cabeças íntegras como as de Saint-Just e Robespierre.
De preferência, no recipiente dourado do ponche.
22.2.10
Umbigadas variegadas
02/21/10 15:51:36 cantor com voz do demonio (Google)
02/21/10 09:17:03 16 de junho de 1955 (Google)
02/20/10 19:01:32 onde encontrar papel mosca (Google)
02/20/10 18:31:35 minhocário em uberlândia (Google)
02/19/10 15:37:34 whoopie pie rio verde (Google)
02/18/10 18:57:52 mandrake rubem fonseca (Google)
02/18/10 12:07:52 tanglefoot (Google)
02/16/10 11:21:10 from "the marriage of heaven and hell" the voice of devil traduzione note.the reason Milton (Google)
16.2.10
Eu dilmo, tu serras, ele marina
(El P.)
13.2.10
5.2.10
Dino Buzzati
(O deserto dos tártaros, XXIV)
22.1.10
8.12.09
Da série "frô do Lássiu"
N. do B.: alguém, no último minuto, deve ter corrigido a crase.
7.12.09
Literatura de orelha
Fernando Henrique Cardoso
"Arruda serve para ser candidato a presidente da República pelos Democratas."
Arthur Virgílio
"Arruda não fez barganha. Não instalou um balcão de negócios para oferecer a este ou aquele partido."
Álvaro Dias
"Parabenizo o governador José Roberto Arruda por suas ações moralizantes."
Heráclito Fortes
(do livro Brasília: Preservação e legalidade. Desafios do governo, 2008)
23.11.09
Imahdijnando
Impossível que sejam capazes de semelhante maldade as compassivas criancinhas dos filmes de Makhmalbaf e Kiarostami (nenhum cineasta israelense, aliás, lhes chega aos persas pés).
18.11.09
Como o tempo passa...
(Pérola extraída de importante sítio noticioso)
17.11.09
Cerradas (reloaded)
N. do B.: Ouverture de um pequeno reclame a sair no periódico da formidável instituição cultural que me provê o (escasso) ganha-pão; comovido memento do fiel (na verdade palmeirense) companheiro de tantas e tão cerradas jornadas.
12.11.09
Lullian phantasies
(The E.)
11.11.09
Menores (o modo) momentos (V)
Para Messer Tartufo, ao norte do bairro de Santana já começam as Guianas.
5.11.09
Alexei e gozei
"O problema foi a partir das décadas de 70 e 80, nas quais aparecem duas referências: a chamada poesia marginal - que não tem nada de marginal, foi muitas vezes subvencionada publicamente - e o mais nefasto de todos os movimentos, o lobby concretista, que criou uma falsa genealogia. Pega-se o romantismo inteiro, monstros absolutos como Gonçalves Dias ou Castro Alves, e os substituem por um poetastro completamente abominável como Sousândrade, que faz aquelas misturebas lingüísticas que existem desde a Grécia, passando por Rabelais, o barroco, os bestialógicos. Só tem novidade para quem é muito ignorante. Depois, chega-se no modernismo, que é aquela coisa com uma riqueza fabulosa, e é pinçado Oswald de Andrade, um poeta menor, um agitador cultural muito superior ao escritor. Elege-se um tradutor ilegível como Odorico Mendes, que fez da Eneida de Virgílio um telégrafo de maluco, e só a fabulosa atração por tudo o que é esquisito, aberratório, teratológico, para chamar a atenção e fazer quizumba, de ''seu'' Haroldo de Campos, pode explicar uma coisa dessas. O que é extraordinário é a quantidade de estudantes universitários, sobretudo em São Paulo - é sabido que os dois únicos lugares do mundo onde se leva o concretismo a sério são São Paulo e Hamburgo, na Alemanha - que cai nessa esparrela. Formou-se uma geração de idiotas que nunca leu nem Gonçalves Dias e perde tempo com Sousândrade."
N. do B.: Ben trovato, mas em minha quase supérflua defesa devo dizer que, "estudante universitário sobretudo em São Paulo", nunca perdi tempo com Gonçalves Dias, Sousândrade e Alexei Bueno.
20.10.09
Don't take too much if you intend to be a Royal Secret Agent
Defence Manual of Security
Possible signs of drug and alcohol abuse
3. Some of the signs and symptoms listed below, when taken in isolation, may be of no significance, or may be symptomatic of illness which has no security significance. However, when several such symptoms manifest themselves together, the commander/line manager will wish to consider whether matters are sufficiently serious as to merit the attention of the Principal Security Adviser. Unless the matter is clear-cut, the commander/line manager should endeavour to have a sympathetic chat with the person concerned with the aim of discovering what lies at the root of the problem, before deciding whether to consult the relevant Principal Security Adviser. Even if the case is not so referred, it may still be appropriate to refer the individual to welfare, medical or counselling services.
Drugs
4. An apparent change in personality or general attitude to, for example, family, colleagues or work.
5. Unexplained inadequate or uneven performance, particularly when indicated by:
a. erratic timekeeping;
b. disregard for discipline.
6. Personality changes such as:
a. furtive behaviour;
b. stealing;
c. frequent attempts to borrow money;
d. obvious familiarity with slang expressions for drugs and the methods of taking them;
e. wearing sunglasses in inappropriate situations (some illegal drugs contract or dilate the pupils of the eye to a marked extent);
f. attempts to keep arms covered even in hot weather (to hide needle marks);
g. frequent visits to the lavatory or some other secluded area on a longterm basis which cannot be attributed to known illness (to provide an opportunity to take drugs);
Alcohol
7. Inadequate or uneven performance at work particularly indicated by:
a. lack of concentration;
b. loss of interest;
c. afternoon lethargy;
d. unexplained absences during the working day;
e. unreliability and forgetfulness;
f. reluctance to accept responsibility;
g. oversensitivity to criticism;
h. poor timekeeping.
8. Physical deterioration such as:
a. bleary eyes;
b. slurred speech;
c. flushed face;
d. unsteadiness;
e. hand tremors;
f. smell of alcohol on the breath in the morning;
g. frequent sick leave, explained as minor illness, especially when it
occurs often on Monday mornings.
9. Personality changes such as:
a. moodiness;
b. anxiety;
c. depression.
N. do B.: Inside information dos serviços secretos de Sua Majestade, obtida neste genial sítio; gosto especialmente dos parênteses explicativos do item 6.
6.10.09
A jaula aberta
Ainda que andem por aí os tais pequerruchos a carbonizar pataxós, merecem todos (sempre) a nossa sincera consternação, ok?
14.9.09
Picaretas en todas partes
Para demonstrá-lo, a formidável instituição cultural que me provê o ganha-pão financiará expedições até as absconsas (êpa!) malocas dos nativos do Bananão, de modo que os bárbaros visitantes logo estabeleçam vivo contato com os aborígenes inzoneiros. Deseja-se, assim, propalar a indigência intelectual das tribus europeias (€100 mil o grama) entre os bravos gentios, esses escravos cardíacos que somos da nacionalidade e dos pátrios adjetivos.
7.9.09
Venu, vu, vendu

Acometido pelo implacável esprit d'escalier, não resisto e ecfraseio:
Lula, o camponês rechonchudo em seu dia de momo na feira (como é grotesca nossa faixa presidencial!), enganado pelo nariganga e finório mascate da cidade, filho provável de ciganos. Ao fundo, o esquadrão aerobático gaulês indica a "nota realista" dos bilhões no entrecho, conforme cantaria o mui pranteado poeta Tomás de Alencar.
27.8.09
Menores (o modo) momentos (IV)
Fernando Affonso Collor de Mello
N. do B.: Vive mal quem não vive de amor.
26.8.09
23.8.09
Príncipe com Princesa
(Entrementes, a rua da Imperatriz rebaixou-se até a plebeia efeméride de XV de Novembro.)
Morro acima, cá na Bela Vista, a rua Saracura Pequena (corre embaixo o córrego homônimo) virou Dr. Fulano de Tal.
Tal como temia Manuel Bandeira.
15.7.09
Debulhões
Assíduo usuário das linhas de ônibus que atravessam as várzeas copiosíssimas do Pinheiros, sempre fico de cara com o neonormandismo das mansardas e cascalhos que acastelam um dos negócios da máfia da vez, na rua graciosamente chamada Colômbia.
Lá dentro, vejo através da vitrine decorada com péssimo gosto e perverso, se agita uma farândola de moçoilas (louras) em flor, as saias vaporosas e os rostinhos louçãos zanzando a agenciar em dólares as tais caras fragrâncias (certamente flagrantes).
Cá fora, negões de terno preto espreitam o movimento da força black com rádios e óculos escuros.
Nada muito diverso, enfim, de qualquer promocenter, como agora novamente se demonstra.
12.7.09
Geognose no Goiás
1.7.09
Não há jornalista brasileiro, com ou sem deproma, capaz de escrever assim
Pablo Ordaz, d'El P.
29.6.09
Tudo dentro da lei
Tomaram, entretanto, a precaução de colocar uma Nicarágua inteira entre o atroz ex-presidente comunista e as indefesas pessoas de bem daquelas funduras.
Desovaram-no na Costa Rica, a ponta de fuzil.
Chávez neles!
28.6.09
Meus quinze minutos

Durante dois dias inteiros, o post revelador dos cinco pilares da elite monocromática paulista foi graciosamente lincado por Paulo Henrique Amorim na primeira página de seu (dele) afiado blog. Eis, acima, o transitório sucesso de público ocasionado pela coisa toda.
22.6.09
Encuesta Sabato
2. Dios existe y es un canalla.
3. Dios existe, pero a veces duerme: sus pesadillas son nuestra existencia.
4. Dios existe, pero tiene accesos de locura, esos accesos son nuestra existencia.
5. Dios no es omnipresente, no puede estar en todas partes. A veces está ausente ¿en otros mundos? ¿En otras cosas?
6. Dios es un pobre diablo, con un problema demasiado complicado para sus fuerzas. Lucha con la materia como un artista con su obra. Algunas veces, en algún momento logra ser Goya, pero generalmente es un desastre.
7. Dios fue derrotado antes de la Historia por el Príncipe de las Tinieblas. Y derrotado, convertido en presunto diablo, es doblemente desprestigiado, puesto que se le atribuye este universo calamitoso.
(do "Informe sobre ciegos")
Que alternativa escolherá o raro leitor?
12.6.09
11.6.09
Chopper art
Incluir-se-á na inexorável exposição uma enorme fotomontagem colorida dos lixões de São Paulo - mais precisamente, à saída do restaurante com cara vista envidraçada.
9.6.09
A Bolívia é o nosso Piauí
Enormes nacos da bacia do espumoso "grande rio" que define o país do Piauí pertencem, de facto, aos invejosos Ceará e Maranhão - ou, digamos, Peru e Paraguai.
Sir Ney e seu Brejal dos Guajas [sic], naturalmente, na esfera alegórica do infestado chaco.
Para não falar do Acre...

(Lembrando Nelson Rodrigues, de quem leio, com estranho deleite reacionário, A cabra vadia)
(Entrementes, chovem bombas na USP)
3.6.09
Cascateando
Fechado o Congresso Nacional – Espera-se uma nova Constituição
Ontem, às 20 horas, em transmissão de rádio extraordinária, o sr. presidente da República Getúlio Vargas dirigiu-se gravemente à nação. Apelando à tranquilidade, o presidente explicou as medidas recentemente tomadas em nome da segurança nacional, assegurando ao povo brasileiro que as instituições democráticas e a autonomia dos estados serão preservadas em sua integralidade. Segundo o presidente, a infiltração comunista nas Forças Armadas, aparentemente debelada com o colapso da “intentona” de 1935, atingiu níveis tais que as presentes ações do Estado se fizeram imperiosas. A decretação do “estado de guerra”, segundo o presidente, pretende nada mais que acelerar a implementação das ações preventivas que se julgarem necessárias. Fontes ligadas ao Palácio do Catete asseguram que a investigação do plano de golpe militar comunista descoberto em setembro último – o assim chamado “plano Cohen” – precipitou as drásticas medidas ontem comunicadas à nação. O fechamento do Congresso Nacional por tempo indeterminado constitui, certamente, a culminância dos atos políticos em curso. Espera-se para a manhã de hoje a anunciada promulgação da nova Constituição.
1940
Nomeado o novo prefeito de Belo Horizonte
Ex-deputado federal pelo PP de Minas Gerais, o dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira será, como antecipou este jornal, o novo prefeito da capital de Minas Gerais. Ontem, em Belo Horizonte, o interventor federal no estado, sr. Benedito Valadares, nomeou oficialmente o médico e tenente-coronel da Força Pública para o cargo de chefe da principal municipalidade mineira. Um decreto a ser publicado no Minas Gerais, órgão oficial do governo do estado, consumará a aguardada nomeação. Sabe-se que o convite ao dr. Kubitschek havia sido feito dois meses atrás, ocasião em que o incansável chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital Militar expressara seu desagrado em abandonar o exercício da medicina. A resistência inicial do dr. Kubitschek parece, entretanto, ter sido contornada sem maiores problemas, uma vez que ele assegura que vai continuar à frente de suas funções nos corpos médicos do estado. Em entrevista a este jornal, o novo prefeito afirmou que seu principal objetivo à frente da capital será a melhoria da estrutura urbana, em especial o calçamento e a coleta e distribuição de águas e esgotos. O novo prefeito também manifestou a intenção de construir um complexo cultural e de diversões no bairro da Pampulha, ao norte da cidade.
1954
São Paulo comemora 400 anos
As festividades do IV Centenário da capital paulista atingiram ontem seu ponto alto com a inauguração do parque do Ibirapuera. O mais novo parque público da cidade de São Paulo avança sobre os antigos baixios dos córregos Caguaçu e Sapateiro, que abastecem o bonito lago que agora se espalha pelo espaço ajardinado. Planejada pela equipe de arquitetos integrada pelos srs. Oscar Niemeyer e Eduardo Kneese de Mello, a impressionante arquitetura do conjunto de edificações do parque divide espaço com numerosos pavilhões provisórios, ocupados pelas delegações nacionais e estaduais participantes das comemorações. O Pavilhão de Exposições, por exemplo, em formato de calota esférica, foi inspirado nas habitações coletivas dos indígenas brasileiros, sendo já popularmente conhecido como “Oca”. A comissão do IV Centenário, presidida pelo sr. Francisco Matarazzo Sobrinho, assegura que o Pavilhão das Indústrias, enorme edifício que domina o conjunto, terá plenas condições de abrigar a Bienal do Museu de Arte Moderna, no próximo ano. Pode-se, sem dúvida, afirmar que o maior evento artístico da América Latina, como o qualifica o ilustre presidente daquela instituição, finalmente encontrou um edifício-sede à altura de sua relevância internacional.
1956
Diplomata J. Guimarães Rosa recebe prêmio Carmen Dolores Barbosa
O estilista de Grande sertão: veredas recebeu ontem o importante galardão literário atribuído pelo Salão de Letras e Artes Carmen Dolores Barbosa, que leva o nome de sua idealizadora e provedora. A quantia de 100 mil cruzeiros foi entregue ao escritor e diplomata mineiro durante solenidade realizada na acolhedora residência de d. Carmen, à rua General Jardim, 51. Participaram do júri do concurso os srs. Edoardo Bizzarri (adido cultural do Consulado da Itália) e Fernando Góes (jornalista dos Diários Associados), entre outros representantes destacados da cultura e intelectualidade paulistanas. O dr. Guimarães Rosa, já laureado pelo mesmo volume no prêmio do Instituto Nacional do Livro, fez jus à fama de tímido inveterado, proferindo escassas palavras em agradecimento ao vultoso prêmio. Seu monumental romance, que narra as lutas de jagunços no sertão de Minas Gerais, é certamente merecedor dos mais elevados louvores, caracterizando-se pela extrema riqueza das descrições da natureza do interior do Brasil. O regionalismo sugerido pelas paisagens, entretanto, é sobrepujado pela poesia universal dos temas tratados.
1960
Inaugura-se a nova capital federal
Neste feriado de Tiradentes, durante grandiosa cerimônia cívica, a que acorreram chefes de Estado e de governo de todo o planeta, o presidente da República, dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira, inaugurou oficialmente a nova capital do país. Cenário majestoso das festividades, a arrojada arquitetura de Oscar Niemeyer e o urbanismo inovador de Lúcio Costa causaram visível impressão sobre os dignitários estrangeiros que prestigiam as festividades. Depois de meros três anos de construção, a moderníssima cidade erguida no coração do Brasil já abriga boa parte das repartições públicas, ministérios e autarquias anteriormente sediadas no Rio de Janeiro. A construção do edifício da nova catedral metropolitana, entretanto, permanece bastante atrasada, sendo sua inauguração prometida para fins do próximo ano. Percorrendo de automóvel as longas vias desertas do plano piloto, constata-se que o mato cerrado ainda ocupa a maior parte dos canteiros e quadras residenciais projetadas, contrastando com a brancura imaculada das edificações de concreto. De qualquer modo, já se pode afirmar que Brasília é a mais relevante realização da presidência do dr. Kubitschek, incansável defensor da transferência do centro do poder nacional para o interior do país.
1962
Bossa nova é aclamada nos Estados Unidos
O concerto de bossa nova realizado na noite de anteontem no célebre palco do Carnegie Hall, em Nova York, terminou com a aclamação do “jazz brasileiro” pelo exigente público norte-americano. Com João Gilberto à frente, os músicos exibiram seu talento em músicas de Tom Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Oscar Castro Neves. Entre as canções apresentadas, estiveram as famosas “Samba de uma nota só”, “Manhã de carnaval” e “Barquinho”, sucessos nas rádios nacionais desde seu lançamento. A platéia novaiorquina, aliás reforçada por numerosos brasileiros, aplaudiu generosamente todos os artistas, mas dedicou especial simpatia ao conjunto jazzístico do carioca Castro Neves. Ovação semelhante mereceu João Gilberto, o franzino criador do ritmo sincopado que está conquistando o planeta. Acompanhado apenas do baterista Milton Banana, o brilhante artista de Juazeiro (BA) mostrou aos norte-americanos toda a “bossa” da moderna música brasileira.
1970
Brasil tricampeão
Brasil 4 x 1 Itália. A despeito do placar elástico, a partida final da Copa do México teve todos os elementos de uma emocionante epopéia. Os mais de 100 mil espectadores presentes no estádio Azteca acompanharam um enredo repleto de reviravoltas, angústias e glórias. O primeiro gol, anotado por Pelé aos 19 minutos, trouxe à garganta dos 90 milhões de brasileiros o ansiado grito de “campeão”. A euforia, entretanto, logo deu lugar ao desespero, quando, dois minutos depois, o inusitado gol de Bonisegna despertou a memória atroz da tragédia de 1950. Mas ainda era demasiado cedo: a verdadeira alegria estava apenas por começar. Os gols redentores de Gérson e Jairzinho, aos 20 e aos 26 minutos da segunda etapa, finalmente deram aos brasileiros a certeza da salvação da “pátria de chuteiras”, segundo a expressão de Nelson Rodrigues. Aos 43 minutos, o gol do capitão Carlos Alberto, depois de um passe do genial Pelé, coroou a atuação histórica do selecionado canarinho. Dali em diante, tudo foi uma monumental apoteose, com a emocionada torcida mexicana mal aguardando o final da partida para invadir o gramado e aclamar seus novos ídolos. Associando-se ao sentimento do povo, o presidente Garrastazu Médici, um apaixonado por futebol, divulgou uma mensagem de felicitações e agradecimentos à delegação brasileira. Na próxima semana, a taça Jules Rimet será recebida no Palácio do Planalto, numa festa que se anuncia como a mais espetacular jamais promovida na capital federal.
1979
Anistia ampla, geral e irrestrita
Continua nos aeroportos do país o ritual diário da chegada dos exilados. A promulgação da Lei no. 6683, em 28 de agosto, possibilitou o retorno em massa dos banidos e cassados pela Revolução. Os recém-chegados são invariavelmente recepcionados por uma multidão de familiares, amigos e simpatizantes. Um dos primeiros a pisar o solo pátrio, depois de quase dez anos no exílio, foi o jornalista Fernando Gabeira – um dos mentores do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969. Seguiu-se, na significativa data de 7 de setembro, a chegada do ex-governador Leonel Brizola. Depois de visitar os túmulos de Getúlio Vargas e João Goulart, em São Borja (RS), Brizola declarou que seu coração está “cheio de saudades, mas limpo de ódios”. Uma semana depois, foi a vez do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, proveniente da Argélia. Esperam-se para as próximas semanas os retornos do sociólogo Herbert de Souza, ex-militante da Ação Popular, e do veterano líder comunista Luís Carlos Prestes, dirigente do PCB. Esta reportagem apurou que alguns dos principais políticos anistiados, sem aguardar a regulamentação da legislação eleitoral, já começaram as discussões sobre as novas legendas e coligações que disputarão as eleições de 1982.
Textículos que sairão num tablóide estilo "arteducação", destinado a "contextualizar" e "explicar" ao povão a (longa) vida de certo modernista cá do Bananão. Aqui, em primeira mão: pura esculhambação.
2.6.09
A vida é um filme...
Chamava-se Clara Mar Amado uma das comissárias recentemente desaparecidas sobre o Atlântico.
12.5.09
Menores (o modo) momentos (III)
Partem no próximo natal, quando finalmente conseguirão férias, Diego depois de quase 2 anos de "trampo sem parar", ela fechando o consultório dentário.
Diego nem esperou terminar a última prova de M. Sch na Formula 1, neste domingo, para mandar por e-mail uma confirmação da reserva da pousada em que passarão, ele e Roberta, o revéillon. "Chalés confortavelmente instalados numa exclusiva área de vegetação original, decorados com o melhor do artesanato indígena do Mato Grosso". Pensão completa, ceia, hidromassagem, champagne.
Diego há tempos é amigo do dono do Emporio Santa Clara, o único estabelecimento que ainda vende bordeaux e boa mostarda de dijon , que ambos "adoram", na cidade (neste fim de ano, devido à crise geral do mercado de alimentação de suínos, negociado na Bolsa de Chicago, cerraram portas duas das três casas fornecedoras de bens de consumo não-durável e conspícuo de Rondonópolis. Chamavam-se Delikaten e Bistrô Bar & Store).
Paulo César é paulistano como Diego, palmeirense também, pai, sitiante amador e membro da diretoria do Clube de Diretores Lojistas. Ontem marcaram uma trilha de bike para o próximo domingo.
Liderança e Visão - 25 Princípios Para Promover a Motivação; e o último, que não conseguiu compreender em absoluto, A Metamorfose. "Não consigo entender por que ele vira uma barata".
Há duas livrarias em Rondonópolis.
N. do B.: Diego reencarnou em lagarta da soja, soube de fonte segura, íntima do Além.
9.5.09
3.5.09
Krishna neles
Embora alguns desses cândidos autores até tangenciem o cerne do problema com exatidão e propriedade, são incapazes de penetrar (êpa!) a verdadeira dimensão geográfica dos livros do divino cordisburguense. Isso talvez porque se ocupem por muito tempo de leituras digressivas – e mesmo deslocadas (classe operária, Marques, Schwarctkz) do vero núcleo. Conquanto minuciosos, alguns "chatoboys" (Oswald dixit) chegam a desconhecer, atarefados com a mais-valia do comércio de gado, a orografia antiqüíssima do Sertão. Há neles pouca geologia – aspirationes terrarvm – e muito Adorno, o Caretão. Inventaram um modelito bacana para o Machado e vivem, locupletos, a machadar os demais, fustigando com rótulos pouco lisonjeiros os pobrescoitados que não se prestam à xuártica ferramenta.
Curioso constatar, de resto, como os materialistas históricos brazucas sempre exalam horror ao Signo, numa espécie de cegueira a tudo que lhes possa, ainda que tenuemente, cheirar a "formalismo", neoplatonismo, música e pintura, isto é, à visualidade da forma. Assim lhes escapa por entre os dedos o que acho que realmente importa nos poemas de Corpo de baile.
Amigo dos generais, sim, mas Goethe não participou dos exércitos da Reação ao lado de seu príncipe? Y qué?
Nunca leram, decerto, o Bhagavadgîtâ...
26.4.09
Menores (o modo) momentos (II)
por favor, imprime isso e manda para algum jornal ou alguma revista. para a folha, para o estado, para a caros amigos, para a carta capital, para a própria veja. para todos, melhor ainda. por favor.
25.4.09
Bomba H
8.4.09
Menores (o modo) momentos
Veio Pedro Primeiro, o cafetão,
Depois o Segundo, o barbudão.
Assim compendiada com habilidosa concisão, a História do Brasil não é outra coisa que pura esculhambação.
6.4.09
Ratzi, me chicoteia!
Embora saiba que certos hábitos e opiniões já há muito me garantem o sumário desmame da Santamadre, reitero que não blasfemei contra os santos nem fiz alusões marotas à pitoresca incolumidade do hímen da Madonna. Deu-se que apenas e lateralmente cuspi nas estruturas da hierarquia & disciplina canônicas (confesso que mencionando Lutero e sem esconder viva simpatia pelo adágio setecentista alusivo à utilidade cívica das entranhas dos reis).
Sorte minha não haver feixes de lenha e fósforos à mão.
Se o século XVI ainda não chegou para todos, tant pis pour eux.
Exilar-me por alguns dias no XXI, comemorando o doce quarto outono desta besta página - e a inexorável extinção do flagelo papista sobre a Terra -, eis o óbolo que ofereço à paciência dos raros e, tenho a certeza, piedosos leitores.
31.3.09
Redenção
(Fecho d'ouro do editorial d'Ogrobo de 2 de abril de 1964)
24.3.09
23.3.09
Sinvergonzonería
(El P.)
20.3.09
Mauvais sang
(Le M.)
Alguma surpresa?
(NYT)
Livre tradução: O que é do caralho em Gaza é que se você vê alguém na rua, o filho da puta nem precisa estar armado, basta atirar nele e pronto. No caso era só uma velha palestina desprezível, e melhor ainda, não tinha porra de arma nenhuma. A ordem era detonar com velha palestina desprezível, sem dó. Depois sempre dizem "sei lá, quem sabe não era terrorista? quaquaqua". O que eu sentia era, yeah, uma puta sede de sangue.
15.3.09
Este post diz tudo o que eu penso (II)
Todo mundo sabe que existe um movimento muito forte em favor da candidatura do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, à corrida presidencial de 2010.
Claro que esse “todo mundo” e esse “movimento muito forte” devem ser relativizados. É um todo mundo, é um movimento do mesmo pessoal do “Cansei”. Só que agora parece que eles descansaram e resolveram lançar o nome de Skaf (não confundir com Estafa, que é coisa do antigo "Cansei"), na base do “se colar, colou”. É só um motivo a mais para fumar charutos, tomar uns uísques.
Mas eu levo a sério essa candidatura. Como acho que Skaf é um excelente candidato para atrapalhar o tucano José Serra (o político mais perigoso do Brasil), dou aqui minha modesta contribuição para a pré-campanha. Para tornar seu nome mais palatável para o povão, Skaf deveria se apresentar como um igual a quaisquer de nós, que somos sem-indústria. Porque isso é absolutamente verdadeiro. O presidente da Federação das Indústrias do estado mais industrializado do Brasil é um sem-indústria.
A que teve (há muito tempo) faliu e deixou um espeto violento em dívidas no INSS, dinheiro que recolheu de seus funcionários e não repassou ao Instituto, conforme reportagem que você pode ler aqui. Eis um trecho:
Mergulhando mais fundo nos anais do INSS, descobre-se que, ao tempo em que mantinha quadro regular de funcionários, a Skaf Têxtil acumulou dívidas com a Previdência. Em abril de 1999, quando o débito somava R$ 918,6 mil, o governo, então sob FHC, decidiu bater à porta dos tribunais. Em agosto de 2000, a Justiça expediu mandado de penhora dos bens da indústria Skaf. Era tarde. Cinco meses antes, a empresa aderira ao Refis, o programa de parcelamento de débitos fiscais. Além da dívida com o INSS, Paulo Skaf reconheceu um passivo com a Receita. Tudo somado, o total parcelado foi a R$ 1,074 milhão. Sancionada por FHC em abril de 2000, a lei do Refis abriu uma janela de oportunidades. O pagamento dos tributos em atraso foi atrelado a um percentual do faturamento (1,5% no caso da indústria Skaf). Sem prazo para a quitação. Entre março e dezembro de 2000, a Skaf têxtil recolheu ao fisco R$ 360 mensais. A partir de janeiro de 2001, passou a pagar R$ 12 por mês.
Ou seja, com o pagamento de R$ 12 por mês, Skaf vai precisar de quase 90 mil anos para pagar o que deve ao INSS. Está endividado pelas próximas gerações. Como nós. Ou seja, é gente igual à gente. Não é uma boa ideia?
(Via blog do Mello. Não, não é aparentado.)
Bem. É um direito del ganadero Larsen. The old in-out-in-out.
Dramática, contudo, a situação en Bolíbia. O líder da oposição se chama Branko.
Branko.
Marinkovic.
14.3.09
Rolha na bolha
A bolha da rolha jamais será novamente citada nesta humilde página, com a ressalva de um ou outro quadrinho genial do Angeli.
12.3.09
4.3.09
Sem fundos
Como no último filme dos irmãos Coen, agora só resta recorrer à Embaixada da Rússia, onde pretendo tocar um tango argentino.























