16.7.07

Chávez neles

A fofa Folha publica chocante manchete:

"Milionários brasileiros têm meio PIB"

Li a matéria. Fui CDF. Refiz os cálculos
com os números alardeados (mas com calculadora).

E concluí: a principal conta (mostrada apenas na capa) da matéria - primáriu mau-feito ou "correção" editorial? - está zoada.

Provemo-lo.

As 130 mil alegadas e invejadas pessoas, entre 189.283.378 (IBGE, agora), perfazem não mais que...

(130000/1
89283378) x 100 = 0,068%!

do
total brazuca.

Não os reconfortantes 0,7% ora impingidos (com 1000% de superfaturamento) na capa do jornal.

Espantoso!
Enquanto

0,068%

dos
patrícios se locupletam gostoso (a conta dá média de 4,5 milhões de doletas/vice-rei), os

99,932% (sic
;-)

pobres
restantes, a dividir a xepa da outra metade das riquezas, ainda precisamos aturar superfaturamentos (de 1000%) e atentados à aritmética primária cometidos em nome da segurança moral de um estado de coisas que doravante só poderá ser descrito como pornocracia.

12.7.07

Peréio 2010

FOLHA - O que o senhor achou da vitória do Cristo Redentor?
PAULO CÉSAR PERÉIO -
Minha opinião é a mesma do Flávio de Carvalho. Ele fez um projeto muito bem estruturado, com cálculos minuciosos, para demolir o Cristo Redentor. Se o Flávio falou, "tá" falado. Para mim , ele é um gênio. Essa é a minha proposta. Quero demolir o Cristo.

10.7.07

Hoje, sempre

Praça da Sé, março de 1964.

Herbert Marcuse

Under these circumstances, our mass media have little difficulty in selling particular interests as those of all sensible men.

(One-Dimensional Man)

Alguém lá em cima (realmente) gosta de mim

A emocionante parte final da saga/ sanha anti-April, Inc. foi quase toda publicada pelo gentil Observatório da Imprensa:

Aqui!

Pelo andar do carro-de-boi, logo logo estarei em posição de cobrar royalties da Fundação Fodd.
Mas antes será preciso extorquir um mensalinho da Van der Brecht.

7.7.07

Pops neocons

(o autor do texto abaixo se assina weden; é capaz de malhar Reynalds Hollywoods e adjacências excrescentes com muito mais elegância que eu; segue, então, a íntegra)

Há um estilo literário novo no Brasil.

Talvez alguns incautos o comparem aos de personagens antigos. Mas este estilo não é o mesmo revelado nas letras tônicas de Lacerda, a ponto de levar Getúlio ao suicídio, dizem as más línguas. Nem tem a graça e a ironia fina de um Nelson Rodrigues.

Não é humorístico (humor negro) como o de Paulo Francis; nem traz o idealismo rascante de um Glauber Rocha. Não é inteligente como o de Merquior, nem tão pouco instigante como o dos editoriais de antigos jornais de referência, como o do Correio da Manhã.

Até mesmo porque esse estilo é importado dos Estados Unidos. A esse novo estilo chamaremos literatura neocon (ou simplesmente pop neocon).

A fórmula é simples. Pega-se um tema qualquer que dê uma boa discussão. Na falta dele, alce um tema à categoria de grande polêmica da sociedade (sim, a literatura neocon consome muita energia e não pode sobreviver na calmaria cotidiana).

Depois faça comparações hiperbólicas (“culpados pela matança de cem milhões de pessoas”, etc), e traga à cena personagens da história, mas de preferência vilões incontornáveis (Stálin, Hitler etc). Isso é para que não haja dúvida sobre de que lado ficar.

Por fim, produza-se alguma alcunha espetacular sobre algum personagem público ou tornado público, exatamente com o intuito de difamá-lo. Às vezes essa alcunha pode ser direcionada ao grupo ideológico rival.

A literatura neocon é um tipo de folhetim, onde se encontram os elementos mais básicos desse gênero: periodicidade, uma eterna luta de mocinhas indefesas contra megeras, degenerados de caráter versus homens de respeito e, principalmente, um final triunfal.

A diferença é que não é o personagem que vence, mas o jornalista-justiceiro, o intelectual desvelador da grande sacanagem da História.

Não aderiram a ela somente cineastas e literatos ruins. Muitos jornalistas e mesmo intelectuais ávidos por uma boa cena de pancadaria também gozam com seus sadismos.

Com certeza, se me permitem a ironia, é uma forma de gozo perverso, pois que se volta a ela incessantemente, mesmo contra a lei do bom debate. E como o aspecto sádico do caráter traz o negativo do masoquismo – vicissitudes das pulsões, segundo Freud – gozam também ao ser odiados e espinafrados.

A organização textual da literatura neocon é basicamente dissertativo-narrativa, onde a narrativa é fundo e não figura.

A dissertação reafirma o desdém pela opinião adversária, uma sensação pouco fundamentada de superioridade e um argumento fragilizado pelo próprio automatismo da expressão raivosa.

Há muitos. Muitos adjetivos depreciadores.

Ocupa hoje vários suportes: colunas de jornais, telejornais noturnos, sites e blogs.

Os EUA são o primo rico do pop neocon: lá esse tipo de literatura vende centenas de milhares de livros.

Da mesma forma, ocupa a justiça com processos de calúnia e difamação (como se não se tivesse mais o que fazer nos fóruns).

Não há literato neocon que não tenha respondido a alguns processos por crimes contra a honra. Essa é a medida do seu sucesso.

A fórmula da agressão é imperativa. Talvez esse seja o maior problema da literatura neocon. E está no fato de fazer incessantemente da vilanização do diálogo.

Esse problema é pior do que o seu alinhamento com uma posição ideológica (afinal há inúmeros folhetins de esquerda tão chatos quanto); ou de ser um típico produto mass cult da Indústria Cultural (dotado de clichês, e público bem detectado).

Partindo de uma percepção equivocada da natureza humana, como encarnação simplória da oposição entre o bem e o mal (desde que o mal esteja do outro lado), este tipo de literatura dramatiza a reflexão e, principalmente, ajuda a disseminar ou consolidar a cultura da intolerância.

Ser paciente e civilizado, ser tolerante à opinião com a qual não se concorda, ser educado, mesmo que o outro não o seja, faz-nos desprender um esforço muitas vezes incomum, sacrifício esse próprio de superação do que um certo político de alcova em recente história brasileira chamou de “institutos mais primitivos”.

A possibilidade do diálogo público é o melhor lado da modernidade, que tantas coisas ruins também nos trouxe. Esse sonho civilizacional definitivamente não faz parte da literatura neocon.

6.7.07

No país da piada pronta (II)

Carapicuíba

Do tupi:
*akarapu'ku = coró
iwa = fruta
(Houaiss)

No país da piada pronta

O provável primeiro dono da minha segunda edição (sórry, periferia!) de Corpo de Baile foi o quase certamente já ido mesmo Dr. Washington Belleza (a caneta tinteiro, 1962).
Comprei-o - o livro - no sebo Nova Floresta, a oeste da Sé, em 2005, por algumas (saudosas) centenas de reais.
E ainda resiste no frontispício um selo mal-colado da Livraria Triângulo.

5.7.07

Google Awards

Foi-nos dada a inexcedível honra de figurar em primeiro lugar na lista de sítios exibida contra as palavras-chave "ensinamentos imbecis".

4.7.07

Die Nationale Presse

A empresa sul-africana que comprou o máximo que podia da April, Inc. utilizou para tanto laranjas e paraísos fiscais. Em 1915 ajudou a fundar o apartheid. O afável Piet Botha pertenceu ao Conselho de Administração, dele se demitindo para mais altas glórias de ministro e presidente. No verbete Naspers da wikipedia, evidentemente semi-oficial, há na cronologia do conglomerado um perturbador hiato entre os anos de 1918 e 1985 (!)
O que mais me divertiu, contudo, foi saber que o nome da cuja sul-africana empresa abrevia a cândida denominação africâner De Nasionale Pers. Ou ainda, em alto-alemão, por que não?, Die Nationale Presse.
A Naspers era, por assim dizer, o braço impresso e irradiado do Nasionale Party. Aquele...
Tem galardão...

El Oro de Caracas

Antecipando-se às patrulhas regulamentares, este blog faz questão de colocar a descoberto sua absoluta e bem remunerada parcialidade:

1.7.07

Escroques, trapaças e jornalistas meliantes (final)

"Plec! Plec! Bum!"

A fotografia acima, que o livro do Elio Gaspari credita à Agência JB, retrata o capitão Lamarca em fins de 1968, dando posadas aulas de tiro às funcionárias do bradesco no estande do 4o. Regimento de Infantaria, em Quitaúna (SP). Antes, portanto, da "deserção", em janeiro de 1969 - sempre segundo o autorizado Gaspari.

(Como sempre) por acaso, ocorreu-me notar que a VEDE, numa edição recente de cujo número no quiero acordarme, ilustra com foto muito similar um textículo não assinado que, na cara dura, intitula-se "Bolsa-Terrorismo" para começar a meter o pau na promoção da viúva do ex-capitão Lamarca até a patente (leia-se pensão) de viúva de ex-coronel (não entremos, por ora, no mérito dessa candente questão previdenciária).

Falta-me a reprodução da fotografia da revista (sic) por não ter conseguido crackear uma senha de acesso ao sítio da April, Inc., mas garanto-vos (os são-tomés podem correr à ante-sala do consultório do dentista para comprovar) que, naquele número nada exemplar, VEDE elege a seguinte moçoila para aparecer fazendo mira com uma ameaçadora arma longa, sempre sob as atentas vistas do espigo Lamarca:

Em VEDE, esta simpática educanda, durante sua inesquecível primeira instrução de tiro, aparece vestindo a mesma saia listradinha nova! (trabalhará também no bradesco? Sou um romântico incurável)

O raro leitor concordará, confiante, de que se está falando de fotos produzidas nos mesmos press sessions days, no mesmo aloucado 1968, num mesmo quartel do Exército no interior (ou quase) de São Paulo?

Pues. Sucede que a legenda da ilustração da VEDE, posso fiar a barba, refere-se a algo como "Lamarca depois do Exército" ou "Lamarca depois de se tornar um terrorista frio e sanguinário" - depois, concluo, de janeiro de 1969.

Blind chance? Cochilo da revisão? Ou estamos apenas patinando no campo barthesiano da significância? Pouco provável: no mesmo exemplar da revista (sic!), apenas algumas páginas depois da anônima matéria, o proverbial Reynald Hollywood (© M. de Verdepascoli), assustadiço com a maré vermelha que vingativamente lhe entupira os bofes da caixa-postal, perpetra um artigo (sic!!!) em que se igualam os (então) ocupantes da reitoria - convenhamos, no máximo larápios ou toxicômanos - ora aos traficantes do Complexo do Alemão, ora à Al-Qaida.

Batata: após a recepção escalonada dessas palavras de ordem, se tiver prestado mínima atenção à semiologia exotérica da trapaça (operada até mesmo em nível subliminar, não duvidemos de nada), o leitor médio da VEDE - que, como se sabe, só lê VEDE e era (é, e sempre será) favorável à incursão do Batalhão de Choque - estará preparado para navegar no brilhante insight: "Estudantes de saias listradinhas têm sido instruídas por subversivos covardes e impiedosos a fazer fogo contra a sociedade judaico-cristã-ocidental desde a longínqua época da Revolução (sic!!!!!!!!!!) - e agora com o dinheiro dos meus impostos, meu Deus!"
Esforçando-se durante o breve intervalo entre a Novela e o Jornal Nacional, o mesmo leitor médio concluirá que os burgueses revoltados e mimados da USP não passam todos, como sempre, de testas-de-ferro de terroristas/ bolsistas provenientes de Potências Estrangeiras (Moscou, Havana, Caracas, Pyongyang, Pindamonhangaba etc.) interessadas em instalar no torrão inzoneiro uma ditadura comunista.

*
Segundo esse bricolage ideológico chulé (mais uma), a mefítica subversão da Universidade é obra de mafaldinhas e barbudinhos vagabundos que, armados até os dentes com laptops roubados e gasolina e fuzis contrabandeados da Chavezuela, merecem sofrer uma (re)ação "fulminante" por parte do meu, do seu, do nosso Estado; não como irrisória instrução militar para funcionárias da reitoria ou do bradesco - aliás e de quebra convenientemente poupado na estória toda -, mas, talvez, why not?, à moda da Operação Pajussara, naquela saudosa primavera de 1971...

*
Diz Ernesto Sabato, pela boca do sempre lúcido Fernando Vidal Olmos, que quando se combate um inimigo por longo tempo acaba-se ficando parecido com ele. Assim, e só por via das dúvidas, cessam doravante as referências malsãs ao horrível hebdomadário.

Mas, como na ópera, ainda dá tempo de cantar a conclusão moral da farsa toda: num mundo em que o mesmo bradesco patrocina a Dança dos Famosos (ora reciclada, literalmente, como Circo), as laboriosas fotomontagens stalinistas - precursoras do photoshop e, portanto, do pioneiro ensaio da Hortência na Playboy - há muito já não são mais necessárias;
basta a mais fácil e descarada mentira inepta.

30.6.07

Caraio

ELLOS são muito eficientes mesmo, admitamos. A postagem abaixo, cujo título foi copiado de um dos informativos onláine que por aí trescalam essas novas terríveis, mereceu, dois minutos após sua publicação, duas visitas provenientes de IP's norte-americanos (yankees), segundo o BlogPatrol. O rastreamento dos ocultos caminhos (referrers) percorridos pelos, hum, estadunidenses - sempre informa o patrulheiro azul - leva à própria barra administrativa do Blogger, id est, google.com ("Esse site também é ótimo para fazer pesquisas", informa a equipa). Noutro bom sítio de rastreamento, divertidamente paranóico, garantem-me com 90% de acurácia que as tais folheadas foram obra de olhos hindus - de Bangalore.
Por precaução, no caso de estar mesmo sendo tomado pelo terrorista que acionará a célula paulistana do Plano, esperarei a visita dos humvees & blackhawks com uma bandeira da Rioverdense me recobrindo o peco peito.

Reino Unido busca terroristas após achar carros-bomba em Londres

Ficai em casa no fim-de-semana, ó brazucas ora em Albion!

27.6.07

Glória daqui corre longe

O vitupério primal de 23/5, enviado igualmente ao Diretor de Redação da VEDE, assinado e com números de RG e telefone - verdadeiros -, foi publicado quase na íntegra pelo Observatório da Imprensa:

Lê!

Gostosíssimo estrear fora do próprio umbigo gratuito num sítio "apoiado" pela Fundação Fodd e pela Van der Brecht.
Irónicos astros móbiles, estos!

(compreendo e até aprovo quase toda a prudente copidescagem - aliás suave; sendo processado pelo cujus - hipótese jurídica que meu experiente advogado tratou logo de afastar com evidente comprazimento cúmplice -, teria que retirar-me para o Chapadão do Urucúia, pobre e "arredado do arrocho de autoridade"; não que não mereça; talvez o Estado de São Paulo - a UF, não o aumentativo - via Secretaria de Desenvolvimento, até me subsidie os repelentes de insetos)

18.6.07

Lendo e vendo a VEDE: nunca resisto, mas tampouco a compro

A April, Inc., sempre ali ao lado da USP, sempre altanado bastião (ou benedito, no me acuerdo bien) da fundamental e extenuante defesa da DEMOcracia (certo, cansou), ora em infatigável curso pelas boquitas pintadas de seus proverbiais sicofantas, bem que poderia lançar uma campanha cívica (alô, corporate marketing!) em que oferecer-se-iam em holocausto patriótico os seus (dela) formidáveis recursos logísticos e inegável know-how-sweet, franqueando baias & salas ociosas de seu (dela) quartel-general Marginal ao usufurto (sic) dos fflchianos & demais flagelados ainda interessados em democraticamente dar & receber aulas (cujo herói é desde sempre o autoproclamado cadeirático Abdalla).

Como a fibra da esmagadora maioria dos professores & alunos fflchianos foi sabidamente rompida pela incipiente ação subversiva e/ou pelo inverninho temporão, seriam poucos os felizardos que, pontas-de-lança desta nascente sinergia uni-emp, ver-se-iam - depois dos indefectíveis elevadores panorâmicos e dos necessários chazinhos & biscoitinhos de boas-vindas - equipados com os mais modernos recursos audiovisuais and wireless applications: very thin lcd screens, máquinas de café (25 cents o cinnamom capuccino) e eficiente sistema central de condicionamento de aire (o Sistema, como o dos os trens que ora deslizam ali embaixo, é estranhamente espanhol). Pequenos seriam, destarte, os custos operacionais da coisa toda em relação à sua (dela) eficácia propagandística, sem falar na inegável mas ligeiramente mais intangível e aleatória defesa dos constitucionais direitos de ir & vir.

Ao fim do já finado semestre, escrever-se-iam cadernos de trainees universitários das mais distintas áreas do conhecimento intercalados com anúncios multipágina (comovidas narrativas) da unilever na VEDE. Editoriais comemorativos seriam votados em reuniões de pauta com o Capiroto in poison e finalmente Relex Forman, nosso eterno e avantajado herói, encarregar-se-ia de demonstrar seu (dele, enorme) poder punitivo rechaçando as hostes de piqueteiros para o lado de lá da raia olímpica, onde as baladas e depredações prosseguem animadas.

25.5.07

Mercancia

Já faz alguns anos que a USP abriu um campus na Zona Leste. A USP Leste é a mesma EACH que aparece à frente do nome de alguns docentes nos famosos abaixo-assinados grevísticos.
E não é que o único curso da EACH que não paralisou suas atividades foi o de Marketing?
No microcosmo da ZL cabe o mundo...

24.5.07

Dá uma dor de cabeça...

FOLHA - Como o senhor vê o decreto que coloca a cerveja na mesma categoria de uísque e cachaça?
JUSTUS -
Sou contra. Essa idéia é errada. Os teores alcoólicos são completamente diferentes, não dá para você misturar uma coisa com outra.