13.5.06
Do Little Boy dos Goitacazes
O ilustre primeiro-marido do Rio de Janeiro, infelizmente, não fornece nenhum indício do que deverá ser feito, estando a brava gente assim deitada e oferecida, com os pavilhões retofuriculares dos nossos auriverdes corpinhos.
Acho que já cansamos de saber. Com a graça de deus.
7.5.06
Hélène Grimaud

Alguns dentre meus dezessete e selecionados leitores já tiveram oportunidade de barbar-lhe em cima das louras e agilíssimas mãos, hélas, vendo-a no vídeo arrebatador da Ciaccona de Bach-Busoni.
Agora, em verdade, é necessário que vos diga.
Sua (dela) gravação da Kreisleriana, completada aos 17 encantadores aninhos (é o que mostra a capa do CD), é séria postulante ao mais alto posto no altar schumanniano - cujos santos maiores são, incontestes, Argerich, Horowitz e, vá lá, Richter.
A prise de son é tão boa que o ruído da haste do pedal direito chega a incomodar.
Hoje famosa, tendo aparecido até em programas do tipo Faustão-chic de canais franceses, nossa querida Hélèninha mora em Nova York e cria lobos, filantropicamente (ou será filupicamente?) em sua propriedade no Maine.
2.5.06
Há dez mil anos, numa galáxia muito distante...
Moral: nunca confie em professores de literatura brasileira com língua presa.
1.5.06
V, E, R, D, I.
(Sérgio, que tal a Violetta?)
30.4.06
Efêmera efeméride
29.4.06
Pronunciamiento
Penso que sacaram o ato hiper-falho de apontar "competência", "comprometimento" (sic) e "visão" como atributos de um cargo apenas intermediário na Corporação, e que pode supor, na proporção metonímica da distância até o verdadeiro CEO dos Superiores Desconhecidos, que os planos estão guardados em cofres ainda mais sinistros.
25.4.06
Hino de Cordisburgo (MG)
MÚSICA – Gilson G. Costa Mattos
LETRA - Francisco Timóteo Pereira
Cordisburgo, teu cenário
É o mais belo relicário
Em que a esperança fulgura...
Filhos pujantes, com graça simbolizam
Uma raça em trabalho, arte e cultura.
Berço de heróis e de gênios,
A Europa e seus milênios
Ante aos mesmos se curvou.
No ar, no mar ou na pena do
Grande Rosa nasce nas obras que a
História consagrou.
Por entre vales, colinas, no meio
Dessas Minas, tu tens a Mina maior.
Teu nome nela se funde, e com
Peter Lund o mundo tem-nos de cor.
Com vera grandiosidade
Deus faz a humanidade
Conhecê-lo e Ter fé:
Postou-se em feitos grandes
Como o Himalaia, os Andes
E a Gruta do Maquiné...
Essa escultura divina,
Que a milhões fascina,
Deus criou com inspiração.
Tu, Cordisburgo, és a tela
Tão rara, tão bela.
Que exalta a nação.
Cordisburgo, teu cenário...
Nos campos tangem boiadas,
E as roças bem tufadas
Frutificam teu labor.
Assim, gentis e garbosos,
Teus jovens operosos
Ostentam teu valor.
Salve sempre o Taumaturgo
Que te fez, Cordisburgo,
Para um fado tão grande.
CORAÇÃO – paz e alegria.
URBE da harmonia.
Com que o amor se expande.
Cordisburgo, teu cenário...
4.4.06
Traducción
(ao Orlando)
Capítulo lxviii. Como nossa mente pode transformar-se, e ligar coisas inferiores àquilo que deseja.Existem, semelhantemente, certas virtudes nas mentes dos Homens, as de transformação, atração, oposição, e ligação àquilo que Eles desejam; e todas as coisas lhes obedecem, quando são compelidos a um grande excesso de qualquer Paixão ou virtude [vertu], como se para exceder aquelas mesmas coisas a que se ligam. Porque o superior se liga àquilo que é inferior, e o converte a si mesmo, e o inferior é pela mesma razão convertido no superior, ou de outro modo afetado, e por ele influenciado. Por esta razão, coisas que recebem um grau superior de qualquer Estrela ligam-se, ou atraem, ou se opõe a coisas que têm um inferior, concordando ou discordando entre si. Portanto um Leão teme um Galo, porque a presença da virtude Solar é mais adequada a um Galo que a um Leão: do mesmo modo a Magnetita atrai o Ferro, porque se lhe torna superior em ordem ao possuir o grau superior da Ursa Maior.
Assim o Diamante repele a Magnetita, porque na ordem de Marte lhe é superior. De modo parecido, qualquer homem, quando oportunamente exposto às influências Celestais, seja pelas afecções da sua mente, seja pela as devidas aplicações das coisas naturais; se ele se torna mais forte numa virtude Solar, se liga às coisas inferiores e as atrai para a admiração, e a obediência; na ordem da Lua à servidão ou às enfermidades; numa ordem Saturnal à quietude ou à tristeza; na ordem de Jupiter ao culto; na ordem de Marte ao medo, e à discórdia; na ordem de Vênus ao amor, e à alegria; numa ordem Mercurial à persuasão, e obsequiosidade, e assim por diante. Agora, o solo de um tal tipo de ligação é a mui veemente e irrestrita afecção das almas, com o concurso da ordem Celestial. Mas as dissoluções ou impedimentos de uma tal ligação são constituídos por um efeito contrário, que mais excelente e forte será, respeitando ao grande excesso de ligações mentais, quanto mais o afrouxar, e impedir. E finalmente, quando temerdes Vênus, oponde-lhe Saturno. Quando Saturno ou Marte, oponde-lhes Vênus ou Júpiter: porque os Astrólogos dizem que estes estão em grande oposição, e contrários uns aos outros, isto é, causando efeitos contrários naqueles corpos inferiores; Porque no céu, onde não existe desejo, e onde todas as coisas são governadas pelo Amor, não pode haver repulsão, ou hostilidade.
Agrippa von Nettesheim: De occulta philosophia, Book I
Chapter lxviii. How our mind can change, and bind inferiour things to that which it desires.
There is also a certain vertue in the minds of men, of changing, attracting, hindring, and binding to that which they desire, and all things obey them, when they are carried into a great excess of any Passion or vertu [vertue], so as to exceed those things which they bind. For the superior binds that which is inferior, and converts it to it self, and the inferior is by the same reason converted to the superior, or is otherwise affected, and wrought upon. By this reason things that receive a superior degree of any Star, bind, or attract, or hinder things which have an inferior, according as they agree, or disagree amongst themselves. Whence a Lion is afraid of a Cock, because the presence of the Solary vertue is more agreeable to a Cock then to a Lion: So a Loadstone draws Iron, because in order it hath a superior degree of the Celestiall Bear.
So the Diamond hinders the Loadstone, because in the order of Mars it is superior to it. In like manner any man when he is opportunely exposed to the Celestiall influencies, as by the affections of his mind, so by the due applications of naturall things, if he become stronger in a Solary vertue, binds and draws the inferior into admiration, and obedience, in order of the Moon to servitude or infirmities, in a Saturnall order to quietness or sadness; in order of Jupiter to worship, in order of Mars to fear, and discord, in order of Venus to love, and joy, in a Mercuriall order to perswasion [persuasion], and obsequiousness, and the like. Now the ground of such a kind of binding is the very vehement, and boundless affection of the souls, with the concourse of the Celestiall order. But the dissolutions, or hinderances of such a like binding, are made by a contrary effect, and that more excellent or strong, for as the greater excess of the mind binds, so also it looseth, and hindreth. And lastly, when the [thou] fearest Venus, oppose Saturn. When Saturn or Mars, oppose Venus or Jupiter: for Astrologers say, that these are most at enmity, and contrary the one to the other (i.e.) causing contrary effects in these inferior bodies; For in the heaven, where there is nothing wanting, and where all things are governed with love, there can in no wise be hatred, or enmity.(translated by John Freake (sic), London, 1651)
26.3.06
Alejandra Pizarnik
a León Ostrov
Señor
La jaula se ha vuelto pájaro
y se ha volado
y mi corazón está loco
porque aúlla a la muerte
y sonríe detrás del viento
a mis delirios
Qué haré con el miedo
Qué haré con el miedo
Ya no baila la luz en mi sonrisa
ni las estaciones queman palomas en mis ideas
Mis manos se han desnudado
y se han ido donde la muerte
enseña a vivir a los muertos
Señor
El aire me castiga el ser
Detrás del aire hay mounstros
que beben de mi sangre
Es el desastre
Es la hora del vacío no vacío
Es el instante de poner cerrojo a los labios
oír a los condenados gritar
contemplar a cada uno de mis nombres
ahorcados en la nada.
Señor
Tengo veinte años
También mis ojos tienen veinte años
y sin embargo no dicen nada
Señor
He consumado mi vida en un instante
La última inocencia estalló
Ahora es nunca o jamás
o simplemente fue
¿Còmo no me suicido frente a un espejo
y desaparezco para reaparecer en el mar
donde un gran barco me esperaría
con las luces encendidas?
¿Cómo no me extraigo las venas
y hago con ellas una escala
para huir al otro lado de la noche?
El principio ha dado a luz el final
Todo continuará igual
Las sonrisas gastadas
El interés interesado
Las preguntas de piedra en piedra
Las gesticulaciones que remedan amor
Todo continuará igual
Pero mis brazos insisten en abrazar al mundo
porque aún no les enseñaron
que ya es demasiado tarde
Señor
Arroja los féretros de mi sangre
Recuerdo mi niñez
cuando yo era una anciana
Las flores morían en mis manos
porque la danza salvaje de la alegría
les destruía el corazón
Recuerdo las negras mañanas de sol
cuando era niña
es decir ayer
es decir hace siglos
Señor
La jaula se ha vuelto pájaro
y ha devorado mis esperanzas
Señor
La jaula se ha vuelto pájaro
Qué haré con el miedo
(N.W.th.: A Alejandra de Sábato teria escrito assim, heteronìmicamente poética fosse)
Englishmen's burden
Não é por outra razão que as Armas da Nossa República ostentam, estreladas, ramas de café e de tabaco.
22.3.06
João Carlos Martins

É verdade, no filme nem se menciona o lance com o Maluf e tal. Vi-o. E fui atrás dos discos (força de expressão, nestes tempos de pirataria louca).
Ouçam-no, é o que diria aos comparsas interessados. Em tempo, ele (irmão doutro eminente pianista, José Eduardo Martins, em cujo estudo sobre Debussy a gente aprende a pasmar diante de filles aux cheveux de lin) e Glenn Gould são os únicos primatas, até o presente da redação desta humílima homenagem, que completaram a gravação das obras para teclado de Bach. Em cravo e clavicórdio há outras versões. Não é de estufar o peito e tremular bandeirinhas, num comício?
8.3.06
Periquitos
Coadjuvam-se numa tal caracterização o estrito cumprimento de uma tarefa imbecil e o panorama vastíssimo dos morros sem reboco.
5.3.06
Ela vem da Ásia

Finalmente uma paranóia realmente real: Ela vai chegar, e arrebentando.
(confirmam-no os sempre decantados "especialistas").
Na última (1968), 1,5 milhão esquinizaram-se para o outro mundo.
Impossível negar: será uma limpa das boas.
4.3.06
Alumbramento inzoneiro
Pobre gosta de luxo, Trinta dixit.
22.2.06
A voz do Shuffle
18.2.06
Do regulamento de tráfego aéreo na área do aeroporto de Hayward, Canadá.
17.2.06
11111: no estrito cumprimento do dever
26.1.06
Eu sou duzentos, sou duzentos e cincoenta
Admito que derramei duas ou três lágrimas em sua homenagem, agorita mesmo, enquanto ouvia o movimento lento do Quinteto KV. 516. Mas meu preferido é o Concerto para Piano KV. 467, a primeira gravação que comprei na vida - ainda em fita, e na época do bicentenário de seu passamento. Oh tempora.
17.1.06
Credibilidade da imprensa aumenta no Brasil
11.1.06
Lapidações
Algum peregrino muçulmano terá tido a saudável idéia de atirar ao capeta um pedaço do Muro de Berlim?
9.1.06
7.1.06
Porque me ufano de meu país (III)
Paranaíba Pirapitinga Santana.
5.1.06
A Voz do Demônio, traduzida
1. Que o Homem possui dois princípios reais de existência: um Corpo e uma Alma.
2. Que a Energia, chamada Mal, vem unicamente do Corpo, e que a Razão, chamada Bem, vem unicamente da Alma.
3. Que Deus atormentará o Homem pela Eternidade por este seguir suas Energias.
Contudo, as seguintes Objeções são verdadeiras.
1. O Homem não tem Corpo distinto de sua Alma, pois o que se chama Corpo é uma porção da Alma percebida pelos cinco Sentidos, as principais portas de entrada da Alma nesta era.
2. Energia é a única vida e vem do Corpo, e Razão é o limite ou circunferência exterior da Energia.
3. Energia é Eterno Deleite.
Aqueles que reprimem seu desejo o fazem porque este é débil o bastante para que possa ser reprimido; e o repressor ou razão usurpa o lugar do desejo e governa os abúlicos.
Uma vez reprimido, o desejo aos poucos se vai tornando passivo até que seja apenas sombra do desejo.
Esta história está escrita n'O Paraíso Perdido, onde o Governador ou Razão é chamado Messias.
E o Arcanjo primordial ou comandante da hoste celestial é chamado o Demônio ou Satã e seus filhos são o Pecado e a Morte.
Contudo, no Livro de Job o Messias de Milton é chamado Satã.
Pois esta história foi adotada por ambos os partidos.
De fato, pareceu à Razão que o Desejo tinha sido expulso, mas o Demônio dá conta de que o Messias caído construiu um céu a partir do que havia roubado do Abismo.
Isto é mencionado no Evangelho, onde ele suplica ao Pai que lhe envie o consolador ou Desejo a fim de que a Razão possa ter Idéias com que construir. O Jeová da Bíblia não é senão aquele que vive entre as chamas.
Sabe que depois da morte de Cristo, ele se tornou Jeová.
Mas em Milton, o Pai é Destino, o Filho é a Razão dos cinco sentidos, e o Espírito Santo, Nada!
Nota: Milton escreveu sobre Anjos e Deus na prisão e em liberdade sobre Demônios e Inferno porque foi um verdadeiro Poeta e, sem o saber, do partido dos Demônios.
The voice of the Devil
1. That Man has two real existing principles Viz: a Body & a Soul.
2. That Energy, call'd Evil, is alone from the Body, & that Reason, call'd Good, is alone from the Soul.
3. That God will torment Man in Eternity for following his Energies.
But the following Contraries to these are True.
1. Man has no Body distinct from his Soul for that call'd Body is a portion of Soul discern'd by the five Senses, the chief inlets of Soul in this age.
2. Energy is the only life and is from the Body and Reason is the bound or outward circumference of Energy.
3 Energy is Eternal Delight.

Those who restrain desire, do so because theirs is weak enough to be restrained; and the restrainer or reason usurps its place & governs the unwilling.
And being restrain'd it by degrees becomes passive till it is only the shadow of desire.
The history of this is written in Paradise Lost, & the Governor or Reason is call'd Messiah.
And the original Archangel or possessor of the command of the heavenly host, is call'd the Devil or Satan and his children are call'd Sin & Death.
But in the Book of Job Miltons Messiah is call'd Satan.
For this history has been adopted by both parties.
It indeed appear'd to Reason as if Desire was cast out, but the Devil's account is, that the Messiah fell, & formed a heaven of what he stole from the Abyss.

This is shewn in the Gospel, where he prays to the Father to send the comforter or Desire that Reason may have Ideas to build on, the Jehovah of the Bible being no other than he who dwells in flaming fire.
Know that after Christs death, he became Jehovah.
But in Milton; the Father is Destiny, the Son, a Ratio of the five senses, & the Holy-ghost, Vacuum!
Note: The reason Milton wrote in fetters when he wrote of Angels & God, and at liberty when of Devils & Hell, is because he was a true Poet and of the Devils party without knowing it.
(William Blake, The Marriage of Heaven and Hell)
2.1.06
Fascismo x Totalitarismo
28.12.05
30.11.05
Rédi-mêidi
21.11.05
Fahrenheit Forever
(omite-se a possibilidade de fundo-azul)
18.11.05
As palavras explicam o mundo
17.11.05
4.11.05
Whoopie pies
20.10.05
Realização do desejo / Desejo de realização
18.10.05
Nelson Freire
(lembro-me de, em 99, assistir ao no. 3 de Beethoven com o mesmo Freire no mesmo Mvnicipav, sala semi-vazia)
Não muito a dizer sobre o segundo de Brahms. Confesso que o alemão, cujo nome, segundo McDonald, deriva de uma espécie de florica das planícies do Báltico, me deixa quase sempre careta. O segundo movimento, atrapalhado pelos aplausos extemporâneos da multidão extasiada com o final do primeiro, acorde de tônica com tímpanos e tutti, foi exemplo dessa quadradice intolerável (apud. trechos finais do Steppenwolf, do Hesse, outro quadrado). Mas o terceiro, e o quarto! A OSM correspondeu maravilhosamente a um esforçado Minczuk. As trompas, impecáveis.
Sobre o pianista, nada mais precisa ser dito. Cada nota no seu devido, inarredável lugar (coisa parecida só ouvi com Maria-João Pires e Bruno Gelber), intensidades exatas, satisfação plena. Nos extras, Brahms apaixonado por Clara, e Debussy por Chou-chou: Intermezzo Op. 117 em si bemol menor e Children's Corner, Serenata para a Boneca. Glória nacional, esse vovozinho simpático de Boa Esperança.
Depois disso, como ficar para o Prokófiev?
3.10.05
Até São Paulo
Então mais hora e meia até São Paulo.
29.9.05
Doce de manga
24.9.05
Porque me ufano de meu País (II)
15.9.05
No NYTimes, a propósito do recrudescimento da Santa Inquisição
Até aí tudo bem, do peixe se espera que nade e dos deputados que roubem. Mas terá sido proposital o trocadilho sugerido com "profundas"? Hope so.
14.9.05
A mão libertária que lancetou...
9.9.05
Sete de Setembro (II)
8.9.05
Independence Day
Já os livros de Educação Moral e Cívica, bastante insuspeitos, subscreviam tudo que Pedro Américo teve a cara de pau de, muitos anos depois, patrioticamente encenar: dragões, espadas desembainhadas (êpa!) e um sentimento geral de primeira missa.
Pessoalmente acho que tudo não passou de ceninha. As margens do Ipiranga parecem ok, mas como acreditar no Tarcísio Meira?
5.9.05
Mais de 300 mil pessoas vão a show de Elton John no Coliseu
Então todos os habitantes da Terra, dançando alucinadamente, serão presa fácil.
1.9.05
Definição negativa da alma
Robert Musil, Der Mann ohne Eigenschaften
30.8.05
Ulrich militar
Porque me ufano de meu país
Quanto a vocês eu não sei, mas vejo nisso hábitos revolucionários muito salutares:
- práticas lesivas às empresas telefônicas multinacionais, de grão em grão, causarão sua ruína e a conseqüente libertação final dos povos oprimidos.
- são auto-sustentáveis.
- contam com o apoio tácito ou quase explícito das autoridades civis do lugar que, pouco a pouco convertidas à funcionalidade dessas práticas extra-legais, em breve farão vista grossa aos molotov.
- aumentam o PIB informal do município ao expropiarem os capitais de São Paulo, diminuindo assim as disparidades regionais e popularizando a comunicação digital.
- Confirmada a origem caprina do termo, muito de demoníaco e, conseqüentemente, subversivo, cristalizar-se-á pouco a pouco na fala cotidiana da população, conquistando corações, mentes e dedos (sic).
17.8.05
Guimarães Rosa é o maior
15.8.05
Diacríticos (CMLXXXVI)
Ora, dir-me-íeis, o gajo não entendeu como um "a" e um "o" são possíveis juntos assim em nome de cidade ou até mesmo de concelho. Fui descobrir (google's voice is de Deus) que é Fajão, claro, coitaditos.
Um revisor qualquer corrigirá tudo, hora mais ora menos.
Mas o lapso é, também claro, das agências de notícias, coitadas, desprovidas de teclados bem fornidos de coisinhas como um til.
O gerundismo e outras barbaridades putas são filhas da mera preguiça de ir ao Google.
Brasília e Gaza
O Distrito Federal, todos sabem, é um retângulo de terra tomado a Goiás desde há muito para que fossem abrigadas as castas de funcionários públicos que, forçadas a deixar o Rio de Janeiro pela realpolitik do Sr. Kubitschek, viram-se sem mais nem menos arrojadas ao cerradão hostil e longe de seus times do coração. Com o tempo e os superfaturamentos, construíram-se superquadras, vias expressas e o PIB per capita de Brasília tornou-se o maior do país, às expensas do resto da população, que lhe sustenta os salários e jetons. O chamado Entorno, ao contrário, é pobre de dar (muito) medo, e abriga no mais das vezes migrantes goianos, mineiros e nordestinos desesperados por um emprego qualquer de faxina, chapa ou até mesmo cafezinho no Plano Piloto. São discriminados, como no resto do Brasil bacana, pela cor da pele e pelo sotaque e, errando no tráfego, ainda sofrem os piores impropérios, atirados pela elite branca e bacana: "goiano!" daqui, "goiano!" dali.
Ora, não saltam aos olhos as similaridades com Israel? No caso desse interessante e belo país, certo dia um bando de burocratas da ONU decidiu instalar no estreito naco de terra erma entre o Mediterrâneo e o Mar Morto um novo Estado. Do dia para a noite multidões de judeus deslocados pela guerra lá se instalaram, dando início à expulsão dos nativos para as bordas e quebradas do território, de quando em quando expandidas em guerras fáceis. (Estimam-se em 4 milhões os refugiados). Hoje os mesmos palestinos são a principal força de trabalho subalterno, e com sangue e suor cuidam da manutenção das fábricas e latrinas israelenses. A leitura dos jornais dispensa-nos de aludir a seu sofrimento nas mãos dos maiorais e novos donos do pedaço, verdadeiro escândalo ainda coroado com um muro à la Berliner.
Ainda comigo? Bem, é que lendo sobre a retirada israelense de Gaza, fiquei matutando sobre a possibilidade de retirar à força e sem indenização alguns moradores legislativos do Plano Piloto. Seus apartamentos funcionais (cerca de 500, fora os dos assessores) abrigariam com folga algumas famílias de miseráveis do Entorno, que teriam ainda o direito de inverter os xingamentos recebidos no trânsito: "goiano, sim, e de Rio Verde!" e...
Mas sei lá.
12.8.05
Vixe
A quem tem antepassados europeus detectáveis recomendo o início dos trâmites para a obtenção de dupla cidadania. Passaporte na mão, o negócio será vazar rapidinho: o projeto de 20 anos dos tucanos, após breve e malfadado interregno, periga seriamente vingar.
Quanto a mim, bisneto de mineiros e baianos, começarei a confeccionar os molotov, que remédio, e também me alistarei nas forças bolivarianas da Venezuela que nos ajudarão a combater a praga imperialista tucana e sanguinária. Tudo isso apenas metaforicamente, helas.
Mas Guimarães Rosa opera milagres, Schubert e Mozart existem e é necessário não perder a esperança jamás. Hamas?
11.8.05
Infalível certeza
Não será outra a explicação para os olhos levemente puxados de John, cujo sobrenome mal consegue ocultar o temido Li No, apodo pelo qual é conhecida a famosa casta de mercenários ativos desde pelo menos a época Tang. Seu casamento com Yoko, essa notória integrante das fileiras da Rosa-Cruz japonesa, foi um movimento de alianças entre os braços maçônico e rosacruciano da conspiração. Outro dentre tantos indícios está em Imagine, toda ela um hino em louvor ao Governo Mundial que abolirá, consumado o Plano, as fronteiras e os governos.
Quanto a Paul, foi realmente assassinado pelos jesuítas irlandeses responsáveis pela manutenção do temível segredo iniciático, e embora fosse um mero e pífio regular mate de Merseyside, acidentalmente conseguiu descobrir tudo durante uma de suas bad trips com ginger beer. Foi em seguida substituído por um membro da Opus Dei treinado desde criança, na Schola Cantorum de Salamanca, a cantar sempre uma terça abaixo.
Quanto a John, morto em 1981 por um facínora a serviço dos batistas norte-americanos, pode-se especular que tenha sido eliminado numa queima de arquivo, por não ser mais útil aos desígnios do Plano - e mesmo porque, àquela altura, já estava em plena atividade o Elton John, ulteriormente condecorado por Elisabeth II (todos os Windsor descendem de israelitas húngaros enriquecidos com o comércio de betume, e financiadores do Plano).
Desde os 80s, cujo impacto sobre a saúde mental dos fãs de música pop é bem conhecido, esse Grande Plano tem funcionado sem que ninguém suspeite. Seus últimos desdobramentos - boys bands, Latino e Live 8 - mostram que a primeira etapa chega inexoravelmente a uma conclusão exitosa.
8.8.05
O Papel Mata-Moscas
Ali estão todas elas, retesadas, tal qual vítimas de dores lombares, sem intenção de deixar transparecer qualquer coisa, ou como velhos e alquebrados militares (com as pernas levemente arqueadas, como se estivessem no alto de um monte inclinado). Mantêm-se em posição de sentido, reunindo força e concentração. Depois de alguns segundos, tomam uma decisão e, zumbindo, procuram erguer-se tanto quanto possível. Executam essa ação furiosa por longo período, até que a exaustão as obrigue a parar. Seguem-se uma pausa para descanso e uma nova tentativa. Mas os intervalos vão-se tornando mais e mais espaçados. Ali estão elas, e percebo seu desnorteio. Erguem-se uns vapores túrbidos. Suas línguas, tal qual pequenos martelos, passam a tocar o exterior. Sua cabeça é marrom e peluda, lembrando um coco, como ídolos negros antropomórficos. Inclinam-se para frente e para trás sobre as pequenas patas firmemente presas; ajoelham-se e se levantam, como fazem os homens ao tentar de todas as maneiras mover uma carga pesada demais; mais trágicas que os operários, mais verdadeiras na expressão esportiva que o extremo esforço de Laocoonte. E eis que chega o momento sempre igual e estranho em que a necessidade do segundo que passa triunfa sobre todos os sentimentos poderosos e permanentes do ser. É o momento em que um alpinista, ao sentir os dedos doendo, abre voluntariamente as mãos; o momento em que alguém, perdido, deita-se na neve como uma criança; o momento em que um perseguido pára, com os flancos a lhe arder. Elas já não têm mais forças para manter-se ali em baixo, vão afundando pouco a pouco e, nesse momento, são inteiramente humanas. Vêem-se de súbito presas numa nova posição, pela parte superior de suas patas, ou pela parte de trás do tronco, ou ainda pela ponta de uma das asas.
Vencido o esgotamento anímico, e retomada, depois de um breve momento, a batalha pela vida, estão agora em condições desfavoráveis, e seus movimentos se tornam antinaturais. Ficam pois deitadas, com as patas traseiras apoiadas nos cotovelos, na tentativa de se levantar. Ou sentadas no chão, enroladas, com os braços estendidos, como mulheres que buscam em vão desvencilhar as mãos dos punhos de um homem. Ou deitadas de bruços, com a cabeça e os braços para frente, como se tivessem sofrido uma queda em meio a uma corrida, com a cara para o alto. Mas o inimigo continua passivo, fazendo progressos graças aos instantes desesperados e confusos delas. Um nada, um isto, as vai puxando para dentro. Tão lentamente que mal se pode acompanhar e, na maior parte das vezes, com uma rapidez brusca ao final, quando lhes sobrevém o último esmorecimento interior. Elas deixam-se cair subitamente, com a cara para a frente e as patas separadas; ou de flanco, com todas as patas esticadas; não raro também, de lado, impelido para trás as patas como remos. E assim continuam ali. Como aeroplanos derrubados, com uma das asas apontadas para o ar. Ou como cavalos arrebentados. Ou com gestos infinitos de desespero. Ou como pessoas adormecidas. No dia seguinte, uma delas ainda volta a despertar; põe-se a tatear por instantes com a pata ou a vibrar as asas. Às vezes, tal movimento se dá em todo o grupo, para só então afundarem todas um pouco mais em sua morte. E nos flancos, na região da qual lhes saem as patas, resta-lhes um órgão qualquer, vibrante e pequeno, que pulsa ainda por um certo tempo. Para cima e para baixo - impossível caracterizá-lo sem uma lente de aumento -, assemelha-se a um minúsculo olho humano que se abre e fecha sem cessar.
(Robert Musil)
3.8.05
O disfarce perfeito
1.8.05
Comunicado ao Público
31.7.05
30.7.05
No novo Rubem Fonseca, Mandrake volta sem fôlego
DA SUCURSAL DO RIO
Nas resenhas dos livros recentes de Rubem Fonseca, é comum ler que ele está se repetindo. Dizer isso é uma chatice, pois todo artista tem suas obsessões. Anões, charutos, vinhos, batráquios e mulheres são algumas das de Fonseca. Estão todas em "Mandrake: A Bíblia e a Bengala".Mas não é por isso que o livro não é um "grande Rubem Fonseca". Depois de oito anos sumido da obra do escritor, o advogado criminalista Mandrake (nascido Paulo Mendes) volta sem o mesmo vigor de outrora -o personagem também será tema neste ano de uma série da parceria Conspiração Filmes/HBO.Não há, nas duas novelas que compõem o livro, pistas de que ele esteja mais velho. Mandrake continua conquistador, volúvel (ama várias mulheres simultaneamente, talvez sem amar nenhuma), ágil fisicamente.Mas seu ritmo não é mais o sôfrego de "O Caso de F. A.", "Dia dos Namorados" e "Mandrake", contos do passado que, relidos hoje, não perderam nada da sua capacidade de deixar o leitor sem ar, acuado pela crueza de seus relatos, diálogos, imbróglios.O Mandrake do novo livro está um pouco mais calmo, disserta e contempla mais. É fiel à imagem de seu criador, que completou 80 anos em maio como um homem pleno de vigor físico e intelectual, mas um homem de 80 anos.Da mesma forma que em outras obras recentes, como "Diário de um Fescenino", Fonseca gasta várias páginas falando de seus -ou melhor, de Mandrake- prazeres (vinhos, charutos...), exibindo erudição, citando livros e curiosidades. É claro que há qualidade nas páginas, mas o ritmo das histórias sofre percalços.As tramas já são pretextos para esses passeios eruditos. "Em Mandrake e a Bíblia da Mogúncia", o advogado se envolve em um caso de furtos de livros raros, permeado por alguns assassinatos. O principal livro é a Bíblia do título, impressa por Gutenberg em 1462. Duas dessas raríssimas Bíblias ficam na Biblioteca Nacional, no Rio. Na novela, uma delas é furtada.Naturalmente, Mandrake resolve o caso, mas não sai ileso dele. Sua perna é baleada, o que o leva a ter de usar bengala, objeto-chave da segunda novela.Em "Mandrake e a Bengala Swaine", o anti-herói usa um arsenal de recursos para evitar a incriminação de uma suposta condessa e a sua própria -a bengala de que mais gosta é a arma utilizada para matar o marido de uma de suas amantes. Ele se safa, mas deixa claro, no final, que continua presa fácil de mulheres difíceis e histórias idem.Fonseca cria tramas paralelas que servem mais para aumentar o número de páginas do que para incrementar a narrativa. Na segunda novela, as peripécias da animada Jéssica ainda têm o tempero picante que não pode faltar em um livro do autor. Mas, na primeira, o caso do parvo farmacêutico Remy Gagliardi não ajuda muito. Mesmo sem o vigor do passado, é um prazer reencontrar Mandrake e outros personagens que o cercam, como o policial Raul, a enxadrista Berta e o sócio Weksler. Sobre este, uma curiosidade: nas histórias anteriores, ele se chamava Wexler; Fonseca escreve agora o nome correto de Luiz Weksler, que foi seu colega de faculdade e sócio em um escritório de advocacia que funcionou entre 1949 e 1951.E é sempre um prazer ler uma história escrita por Rubem Fonseca. Se ele se repete, está no seu direito como grande autor, ser humano e saudável octogenário.
Será a sério? Que espécies de rojões vagabundos são esses que a editora encomenda e recomenda nos releases que solta para a imprensa? Não sei se concordam, mas o tal Vianna simplesmente NÃO LEU o livro. O texto todo é muito menos significativo que as estrelinhas no rodapé. Eu também não li o Fonseca, mas vou fazê-lo, comme d'habitude, em muito breve.
25.7.05
Soluções mágicas
Por Júpiter. Não sei quanto custou, mas se são capazes disso tudo, foi barato. E rápido. Melhor que isso, talvez apenas o Êxtase de Santa Teresa de Ávila. A redenção ao alcance de qualquer um que pague e se apegue a esquemas mentais simplórios. Várias empresas, como é natural, já utilizaram os serviços dos bravos regeneradores de almas.
Isto é, trata-se de delírio messiânico não muito diverso de outras arapucas que falam de discos voadores.
Donde concluo tristemente que estou ficando sozinho no mundo.
21.7.05
London calling
Eh realmente uma pena que eu nao seja religioso nem tenha uma Julianne Moore a minha espera em South Kensington, mas fazemos o que podemos. Espero escapar de pelo menos uns dois bons atentados.
19.7.05
Sexo com cavalo mata homem nos EUA
Um homem morreu nos Estados Unidos depois de ter relações sexuais com um cavalo em um sítio que funcionava como um "prostíbulo de animais", em Enumclaw, 60 km a sudeste de Seattle (Estado de Washington), de acordo com informações divulgadas pela polícia nesta segunda-feira.A vítima, um homem de 40 anos, sofreu graves lesões internas e seu corpo foi deixado por desconhecidos em um hospital de Seattle, no dia 2 de julho, pouco depois do ato."Do médico legista ao comissário, passando pelos investigadores, ninguém jamais viu algo remotamente parecido com isto", disse à France Presse Eric Sortland, chefe da polícia de Enumclaw. "Seu cólon rompeu, como os órgãos inferiores da mesma região, e a hemorragia o matou", completou.
Enquete: serah Brasilia, de factum, um prostibulo de animais? Se sim, quem sao os animais e quem sao os currados? Alem de nos mesmos, eh claro.
14.7.05
Verao em Devia
Donde concluo que o que confere a dignidade ocidental, ordeira e positiva a estas terras do norte - pelo menos no olhar deslumbrado de quem preza urbanidades que tais - eh o frio.
Donde concluo que o maior e talvez unico de nossos males eh o calor, nosso intermitente e dissoluto calor. O sangue engrossa em nossos vasos suarentos, os navegantes portugueses o sentiram desde logo e deu no que deu.
Como jah disse Rubem Fonseca: os mendigos de Sao Paulo vestem-se com maior dignidade e aparentam mais donaire que os do Rio justamente por causa das periodicas inclemencias do clima paulistano. Frio e civilizacao, barbarie e calor.
Agora, esses paquistaneses...
7.7.05
Liverpool
E, sim, fui ao Cavern Club e tirei fotos que venderei a 40 libras aos interessados.
6.7.05
O diabo tenta
Chester
5.7.05
Real Alfandega Venarda ou Como me Tornei Contrabandista
Conta-se, mas Bob Jeff sabe mais, que eu estava na boca do caixa do free-shop em Guarulhos, ansioso para fazer reconhecido meu direito de usufruir um super-binoculo do caralho (as libras na mao estimulavam o espirito levemente voyeur do consumismo desenfreado). E num eh que, metendo a mao no bolso, percebi que havia perdido o cartao de embarque? Incrivel. Comecaram as ilegalidades: o moco do caixa me vendeu o traste mesmo sem ele ("olha, eu vou quebrar essa pra voce, mas o certo &c."). Fui entao ate o federal do controle de passaportes e ele me disse para voltar ao balcao da companhia aerea. Como? "Ah, voce desce aquela escada ali e tal". Chegou uma especie de supervisora balofa pra fazer onda: "Eh, mas veja lah com a Receita sobre esse negocio que voce comprou, pode ser que eles encrenquem". Pois, descendo as tais escadas, descobri-me na fila do desembarque internacional! Um outro solicito federal, ao ouvir as minhas razoes: "vai lah, passa aih". Andando mais alguns passos, cheguei ao balcao da Receita, onde repeti a lenga-lenga a um sonado oficial alfandegario: "ah, nao tem problema, vai lah". Abriu-se uma portinhola eletronica e eis que estava no saguao principal do aeroporto, livre e aberto para o mundao.
Isto eh, tecnicamente tornei-me um contrabandista. Nesse caso especifico, meu cao (oxitona fechada, please) era verdadeiro, estupidamente verdadeiro, mas nao eh uma excelente burla das instituicoes mais arcanas da Republica?
4.7.05
30.6.05
Entrementes, na Lusitânia...
28.6.05
Agenciamento de palavras de ordem
- "Eu quero fazer mais e estou sofrendo mais pressão em tudo o que faço - no trabalho e em casa. Eu preciso aumentar meus níveis de energia física e mental e recarregar minhas baterias (sic)."
- "Se eu tiver uma aparência melhor, vou me sentir melhor. Estou procurando coisas que me ajudem a controlar meu peso, a me manter em forma e ativo - e se puder aparentar menos idade, melhor ainda!"
- "Se for viver mais, quero me manter em forma. Meu coração, meu corpo e todos os meus sentidos precisam permanecer fortes. Se eu cuidar do meu corpo, a longo prazo minha saúde se cuidará sozinha (sic)."
27.6.05
Federais (II)
- a seleção brasileira e feminina de futebol;
- o maestro John Neschling;
- dois integrantes de uma seita católica cujo hábito cáqui se completa com botas SS e correntes de metal à guisa de cinta;
- um hidrocéfalo.
Follow the money
24.6.05
Back to sixties... 1460's
22.6.05
20.6.05
25 de março
Mas que concretude colorida a dos tênis falsos! Perfumes de Paris, aris, chineses, coreanos, camelôs, electrônicos, bugigangas sem finalidade determinável, pirataria, contrabando, galerias infindáveis, mais chineses.
A 25 é daqueles lugares a que só se chega mal-intencionado.
16.6.05
Buenos Aires, 16 de junho de 1955
15.6.05
Peixe na água.
14.6.05
Theodor W. Adorno e Max Horkheimer - Dialéctica do esclarecimento
Theodor W. Adorno e Max Horkheimer - Dialéctica do esclarecimento: A Indústria Cultural.
Michael Jackson
13.6.05
Exasperação
Que fazer? Esperar que os livros caiam sozinhos da estante?
O Concerto Triplo
Como já o disse algures nossa mais tosca e inimitável amiga, sentimentos são para os fracos, certo?
Francisco Mignone
10.6.05
8.6.05
Terminei Bouvard e Pécuchet
I. Agricultura
II. Ciências naturais
III. Arqueologia
IV. Literatura
V. Economia política
VI. Sentimento, Amor
VII. Misticismo, Filosofia
VIII. Religião
IX. Socialismo
A transição direta entre história e literatura, que reproduzimos algures, é hilária. No capítulo amoroso, a sífilis contraída de Mélie é simultânea aos eventos de 1848. Na "Educação", Frédéric obtém os favores da Marechala em meio às barricadas. No capítulo Religião, o vendedor de quinquilharias católicas, Gouttman, é naturalmente um usurário judeu.
Corolário Maupassant
São Tomé: Jesus morreu vítima de um coágulo, diz estudo
O médico israelense afirma que, embora tenha sofrido antes da crucificação, a perda de sangue pelas feridas que sofreu não teria sido suficiente para provocar sua morte.
7.6.05
Varsóvia, 1981
Brahms e Flaubert
Um piadista norte-americano (e também maestro) dizia que nas salas de concerto se deveriam colocar placas na direção das saídas de emergência com a inscrição "EXIT IN CASE OF BRAHMS".
No Steppenwolf Brahms é mencionado pelo MozartMarley-Virgílio que acompanha o raríssimo herói ao Alquém do Além: "Brahms. Esse (Brahms, ao longe, carrega um enorme carro cheio de pedras) jamais conseguirá" - malgrados os poucos ipsis-líteris.
Quando Brahms morreu em Viena, em 1897 (certamente de incontinência urinária), via telégrafo os navios abrigados no porto de Hamburgo tocaram sinais e badalaram buzinas, arriando bandeiras.
Flaubert, que foi condecorado (em vida) por Napoleão III, o Único, teve como Brahms sua Madame Sch-., 14 anos mais velha Clara, a Arnoux uns 10 ou 11.
Idéias feitas (II)
Alemães - Povo de sonhadores (velhos).
Ave - Desejar ser uma ave e dizer, suspirando, "Asas! Asas!" demonstra alma poética.
Apartamento de rapaz - Sempre em desordem. - Com bugigangas de mulheres espalhadas por toda parte. - Cheiro de cigarro. - Encontram-se aí coisas extraordinárias.
Clássicos - Deve-se fingir conhecê-los.
Constipação - Todos os homens de letras são constipados. - Influi sobre as convicções políticas.
Conversação - A política e a religião dever ser excluídas.
Estoicismo - É impossível.
Febre - Prova de sangue forte. - É causada pelas ameixas.
Ímpio - Combatê-lo.
Ingleses - Todos ricos.
Inglesas - Espantar-se que tenham filhos lindos.
Poeta - Sinônimo nobre de parvo (sonhador).
Sainte-Beuve - Na sexta-feira santa só jantava salsichas.
Tempo - Eterno tema de conversação. - Queixar-se sempre dele.
Wagner - Escarnecer quando se ouvir o seu nome, e pilherar sobre a música do futuro.
Idéias feitas
Época (atual) - Revoltar-se contra ela. - Deplorar que não seja poética. - Chamá-la de época de transição, de decadência.
Erudição - Desprezá-la como prova de espírito limitado.
Latim - Língua natural do homem. - Estraga a caligrafia. - Serve unicamente para ler as inscrições das fontes públicas. - Desconfiar das citações latinas, pois ocultam sempre algo de licencioso.
Ortografia - Acreditar nela como se acredita nas matemáticas (e na geometria).
Valsa - Deve-se combatê-la.
Ramires em ultra-resumo
- Nós ignoramos - disse Bouvard - o que se passa em nossa casa, mas queremos saber como eram os cabelos e os amores do Duque de Augoulême!
Pécuchet acrescentou:
- Quantas questões mais importantes e de mais difícil solução!
Daí concluíram que os fatos exteriores não são tudo; é preciso completá-los com a psicologia. Sem imaginação, a história é falha.
- Mandemos vir alguns romances históricos!



