6.7.07

No país da piada pronta

O provável primeiro dono da minha segunda edição (sórry, periferia!) de Corpo de Baile foi o quase certamente já ido mesmo Dr. Washington Belleza (a caneta tinteiro, 1962).
Comprei-o - o livro - no sebo Nova Floresta, a oeste da Sé, em 2005, por algumas (saudosas) centenas de reais.
E ainda resiste no frontispício um selo mal-colado da Livraria Triângulo.

5.7.07

Google Awards

Foi-nos dada a inexcedível honra de figurar em primeiro lugar na lista de sítios exibida contra as palavras-chave "ensinamentos imbecis".

4.7.07

Die Nationale Presse

A empresa sul-africana que comprou o máximo que podia da April, Inc. utilizou para tanto laranjas e paraísos fiscais. Em 1915 ajudou a fundar o apartheid. O afável Piet Botha pertenceu ao Conselho de Administração, dele se demitindo para mais altas glórias de ministro e presidente. No verbete Naspers da wikipedia, evidentemente semi-oficial, há na cronologia do conglomerado um perturbador hiato entre os anos de 1918 e 1985 (!)
O que mais me divertiu, contudo, foi saber que o nome da cuja sul-africana empresa abrevia a cândida denominação africâner De Nasionale Pers. Ou ainda, em alto-alemão, por que não?, Die Nationale Presse.
A Naspers era, por assim dizer, o braço impresso e irradiado do Nasionale Party. Aquele...
Tem galardão...

El Oro de Caracas

Antecipando-se às patrulhas regulamentares, este blog faz questão de colocar a descoberto sua absoluta e bem remunerada parcialidade:

1.7.07

Escroques, trapaças e jornalistas meliantes (final)

"Plec! Plec! Bum!"

A fotografia acima, que o livro do Elio Gaspari credita à Agência JB, retrata o capitão Lamarca em fins de 1968, dando posadas aulas de tiro às funcionárias do bradesco no estande do 4o. Regimento de Infantaria, em Quitaúna (SP). Antes, portanto, da "deserção", em janeiro de 1969 - sempre segundo o autorizado Gaspari.

(Como sempre) por acaso, ocorreu-me notar que a VEDE, numa edição recente de cujo número no quiero acordarme, ilustra com foto muito similar um textículo não assinado que, na cara dura, intitula-se "Bolsa-Terrorismo" para começar a meter o pau na promoção da viúva do ex-capitão Lamarca até a patente (leia-se pensão) de viúva de ex-coronel (não entremos, por ora, no mérito dessa candente questão previdenciária).

Falta-me a reprodução da fotografia da revista (sic) por não ter conseguido crackear uma senha de acesso ao sítio da April, Inc., mas garanto-vos (os são-tomés podem correr à ante-sala do consultório do dentista para comprovar) que, naquele número nada exemplar, VEDE elege a seguinte moçoila para aparecer fazendo mira com uma ameaçadora arma longa, sempre sob as atentas vistas do espigo Lamarca:

Em VEDE, esta simpática educanda, durante sua inesquecível primeira instrução de tiro, aparece vestindo a mesma saia listradinha nova! (trabalhará também no bradesco? Sou um romântico incurável)

O raro leitor concordará, confiante, de que se está falando de fotos produzidas nos mesmos press sessions days, no mesmo aloucado 1968, num mesmo quartel do Exército no interior (ou quase) de São Paulo?

Pues. Sucede que a legenda da ilustração da VEDE, posso fiar a barba, refere-se a algo como "Lamarca depois do Exército" ou "Lamarca depois de se tornar um terrorista frio e sanguinário" - depois, concluo, de janeiro de 1969.

Blind chance? Cochilo da revisão? Ou estamos apenas patinando no campo barthesiano da significância? Pouco provável: no mesmo exemplar da revista (sic!), apenas algumas páginas depois da anônima matéria, o proverbial Reynald Hollywood (© M. de Verdepascoli), assustadiço com a maré vermelha que vingativamente lhe entupira os bofes da caixa-postal, perpetra um artigo (sic!!!) em que se igualam os (então) ocupantes da reitoria - convenhamos, no máximo larápios ou toxicômanos - ora aos traficantes do Complexo do Alemão, ora à Al-Qaida.

Batata: após a recepção escalonada dessas palavras de ordem, se tiver prestado mínima atenção à semiologia exotérica da trapaça (operada até mesmo em nível subliminar, não duvidemos de nada), o leitor médio da VEDE - que, como se sabe, só lê VEDE e era (é, e sempre será) favorável à incursão do Batalhão de Choque - estará preparado para navegar no brilhante insight: "Estudantes de saias listradinhas têm sido instruídas por subversivos covardes e impiedosos a fazer fogo contra a sociedade judaico-cristã-ocidental desde a longínqua época da Revolução (sic!!!!!!!!!!) - e agora com o dinheiro dos meus impostos, meu Deus!"
Esforçando-se durante o breve intervalo entre a Novela e o Jornal Nacional, o mesmo leitor médio concluirá que os burgueses revoltados e mimados da USP não passam todos, como sempre, de testas-de-ferro de terroristas/ bolsistas provenientes de Potências Estrangeiras (Moscou, Havana, Caracas, Pyongyang, Pindamonhangaba etc.) interessadas em instalar no torrão inzoneiro uma ditadura comunista.

*
Segundo esse bricolage ideológico chulé (mais uma), a mefítica subversão da Universidade é obra de mafaldinhas e barbudinhos vagabundos que, armados até os dentes com laptops roubados e gasolina e fuzis contrabandeados da Chavezuela, merecem sofrer uma (re)ação "fulminante" por parte do meu, do seu, do nosso Estado; não como irrisória instrução militar para funcionárias da reitoria ou do bradesco - aliás e de quebra convenientemente poupado na estória toda -, mas, talvez, why not?, à moda da Operação Pajussara, naquela saudosa primavera de 1971...

*
Diz Ernesto Sabato, pela boca do sempre lúcido Fernando Vidal Olmos, que quando se combate um inimigo por longo tempo acaba-se ficando parecido com ele. Assim, e só por via das dúvidas, cessam doravante as referências malsãs ao horrível hebdomadário.

Mas, como na ópera, ainda dá tempo de cantar a conclusão moral da farsa toda: num mundo em que o mesmo bradesco patrocina a Dança dos Famosos (ora reciclada, literalmente, como Circo), as laboriosas fotomontagens stalinistas - precursoras do photoshop e, portanto, do pioneiro ensaio da Hortência na Playboy - há muito já não são mais necessárias;
basta a mais fácil e descarada mentira inepta.

30.6.07

Caraio

ELLOS são muito eficientes mesmo, admitamos. A postagem abaixo, cujo título foi copiado de um dos informativos onláine que por aí trescalam essas novas terríveis, mereceu, dois minutos após sua publicação, duas visitas provenientes de IP's norte-americanos (yankees), segundo o BlogPatrol. O rastreamento dos ocultos caminhos (referrers) percorridos pelos, hum, estadunidenses - sempre informa o patrulheiro azul - leva à própria barra administrativa do Blogger, id est, google.com ("Esse site também é ótimo para fazer pesquisas", informa a equipa). Noutro bom sítio de rastreamento, divertidamente paranóico, garantem-me com 90% de acurácia que as tais folheadas foram obra de olhos hindus - de Bangalore.
Por precaução, no caso de estar mesmo sendo tomado pelo terrorista que acionará a célula paulistana do Plano, esperarei a visita dos humvees & blackhawks com uma bandeira da Rioverdense me recobrindo o peco peito.

Reino Unido busca terroristas após achar carros-bomba em Londres

Ficai em casa no fim-de-semana, ó brazucas ora em Albion!

27.6.07

Glória daqui corre longe

O vitupério primal de 23/5, enviado igualmente ao Diretor de Redação da VEDE, assinado e com números de RG e telefone - verdadeiros -, foi publicado quase na íntegra pelo Observatório da Imprensa:

Lê!

Gostosíssimo estrear fora do próprio umbigo gratuito num sítio "apoiado" pela Fundação Fodd e pela Van der Brecht.
Irónicos astros móbiles, estos!

(compreendo e até aprovo quase toda a prudente copidescagem - aliás suave; sendo processado pelo cujus - hipótese jurídica que meu experiente advogado tratou logo de afastar com evidente comprazimento cúmplice -, teria que retirar-me para o Chapadão do Urucúia, pobre e "arredado do arrocho de autoridade"; não que não mereça; talvez o Estado de São Paulo - a UF, não o aumentativo - via Secretaria de Desenvolvimento, até me subsidie os repelentes de insetos)

18.6.07

Lendo e vendo a VEDE: nunca resisto, mas tampouco a compro

A April, Inc., sempre ali ao lado da USP, sempre altanado bastião (ou benedito, no me acuerdo bien) da fundamental e extenuante defesa da DEMOcracia (certo, cansou), ora em infatigável curso pelas boquitas pintadas de seus proverbiais sicofantas, bem que poderia lançar uma campanha cívica (alô, corporate marketing!) em que oferecer-se-iam em holocausto patriótico os seus (dela) formidáveis recursos logísticos e inegável know-how-sweet, franqueando baias & salas ociosas de seu (dela) quartel-general Marginal ao usufurto (sic) dos fflchianos & demais flagelados ainda interessados em democraticamente dar & receber aulas (cujo herói é desde sempre o autoproclamado cadeirático Abdalla).

Como a fibra da esmagadora maioria dos professores & alunos fflchianos foi sabidamente rompida pela incipiente ação subversiva e/ou pelo inverninho temporão, seriam poucos os felizardos que, pontas-de-lança desta nascente sinergia uni-emp, ver-se-iam - depois dos indefectíveis elevadores panorâmicos e dos necessários chazinhos & biscoitinhos de boas-vindas - equipados com os mais modernos recursos audiovisuais and wireless applications: very thin lcd screens, máquinas de café (25 cents o cinnamom capuccino) e eficiente sistema central de condicionamento de aire (o Sistema, como o dos os trens que ora deslizam ali embaixo, é estranhamente espanhol). Pequenos seriam, destarte, os custos operacionais da coisa toda em relação à sua (dela) eficácia propagandística, sem falar na inegável mas ligeiramente mais intangível e aleatória defesa dos constitucionais direitos de ir & vir.

Ao fim do já finado semestre, escrever-se-iam cadernos de trainees universitários das mais distintas áreas do conhecimento intercalados com anúncios multipágina (comovidas narrativas) da unilever na VEDE. Editoriais comemorativos seriam votados em reuniões de pauta com o Capiroto in poison e finalmente Relex Forman, nosso eterno e avantajado herói, encarregar-se-ia de demonstrar seu (dele, enorme) poder punitivo rechaçando as hostes de piqueteiros para o lado de lá da raia olímpica, onde as baladas e depredações prosseguem animadas.

25.5.07

Mercancia

Já faz alguns anos que a USP abriu um campus na Zona Leste. A USP Leste é a mesma EACH que aparece à frente do nome de alguns docentes nos famosos abaixo-assinados grevísticos.
E não é que o único curso da EACH que não paralisou suas atividades foi o de Marketing?
No microcosmo da ZL cabe o mundo...

24.5.07

Dá uma dor de cabeça...

FOLHA - Como o senhor vê o decreto que coloca a cerveja na mesma categoria de uísque e cachaça?
JUSTUS -
Sou contra. Essa idéia é errada. Os teores alcoólicos são completamente diferentes, não dá para você misturar uma coisa com outra.

Hum...

23.5.07

Escroques, trapaças e jornalistas meliantes

Abrigado da chuva invernã num conforto quase sibarítico, posso com velocidade e donaire netear entre diferentes sítios, opiniões e propósitos acerca da Gloriosa Ocupação da Reitoria. Tenho chá, nutella e biscoitos de queijo caipira. Clic-clic:

Leio na imprensa e na blogosfera, nos últimos e agitados dias, entre 15 e 20 artigos que tratam da situação na USP. Constato que a maioria deles conclama à desocupação pacífica, à humana convivência institucional e a diversos outros e veneráveis princípios democráticos. A sinceridade e a pertinência desses textos, é claro, variam muito, e são muita vez questionáveis suas premissas, mas aos signatários geralmente não ocorre requisitar ao bispo, com babas e esgares maus, um bom quinhão de borrachadas militarizadas sobre o lombo do corpo discente que ora ocupa o centro do poder universitário.

Eis, contudo, que se chega ao sítio da April, Inc.. Dele provém a mais constrangedora exceção às predominantes posturas de cabeça-no-lugar e/ou de defesa-da-universidade-pública-e-gratuita, especificamente do blog de um dos sicofantas mais notórios da supradita empresa de papel impresso (ora, aliás, alimentada por mui oportunos capitais afrikaaners): Reinaldo Azevedo.

Nenhuma surpresa. Este compadre espiritual do Diogo Mainardi (perdoado previamente de tudo desde que li sua linda tradução de As Cidades Invisíveis), este paladino da vociferância tucano-lacerdista é figurinha velha, desde a Bravo! (revista bourgeoise que em seus primórdios não empregava o folclórico Olavo de Carvalho como destacava na agenda cultural do mês diversos concertos e exposições em Paris, Nova Iorque e Berlim sem, estranhamente, franquear a seus leitores qualquer cupom de desconto para as necessárias passagens aéreas) um autoproclamado e sempiterno e invencível defensor da Suprema Verdade Fukuyâmica. Reivindicando a posse e a defesa da mesma, nosso herói vem usando em seu blog, à guisa de epígrafe, um trecho de Musil em tradução inepta, e como se não bastasse deu também para vestir um chapéu panamá que lhe empresta fumos de coronelzinho DEMocrata.

Em quase todas as ocasiões em que pontifica sobre o imbroglio em questão, Azevedo assume com garbo a triste função de vivandeiro da invasão policial do campus, invocando a preservação "democrática" do patrimônio público, supostamente depredado e ameaçado pela malta grevista. Conquanto falsa, como alguns observadores independentes já constataram e está documentado, esta é a principal razão objetiva das sempre necessárias borrachadas. No plano dos conteúdos, portanto, nada de muito inédito: "O patrimônio! A propriedade (cada vez menos) do Estado está ameaçada! Sangue! Gás de pimenta! Bombas! etc." (aqui, gargalhadas: como se defender a propriedade do Estado fosse papel cumprível com alguma verossimilhança pelo douto DEMotucano a soldo da April, Inc.; mas adiante.)

Esforçado, Azevedo ainda descobre, certamente lendo Aristóteles e mobilizando suprema agudeza, que o movimento estudantil é político. Pilhados fazendo política, os estudantes merecem porrada justamente por assumirem posição contrária àquela do ora Governador. Assim, além de detonarem esbodegarem aniquilarem o patrimônio da universidade, os estudantes viram também - sempre segundo o cujus - pérfidos meliantes políticos, massa de manobra tosca e remelenta de barbudinhos ultrapassados e vagabundos.

Essa catilinária toda seria bastante cômica se não fosse enfadonha. Pois não é preciso ser poliglota para entender que o discurso de Azevedo, traduzido em calão, matraqueia monotonicamente mais ou menos o seguinte: "A Universidade e seu Patrimônio podem e devem servir à Formação de Quadros técnicos para as bondosas Organizações Filantrópicas - Multinacionais, Bancos, Corretoras - que promovem o Progresso do nosso País, assim como aos Princípios democráticos defendidos com Ardor pelo Governador (via Secretário e Reitora) e às elogiáveis Iniciativas das pequenas Fundações que tão desinteressadamente promovem o Diálogo com a Sociedade; quando paira no Ar, entretanto, a terrível Ameaça de um Punhado grande de Alunos simpáticos às Mentiras do PT, do PSTU, do PC do B, do PCO, da AJR, do MR-8, da AP, da Colina, do Polop e da ALN (horror! horror! horror!), a Polícia deve ser sempre chamada".

Haveria, ainda bem!, segundo o nosso herói, tempo de evitar a violência policial - da qual se infere, a certa altura, que os mais de 300 professores que já nos apóiam publicamente serão cúmplices - isto é, optar pela solução pacífica e ordeira, que consiste em obedecer ao chamado: "Vamos, estudantes, abracem enfim esta Verdade, parem de pensar, parem de se manifestar, estudem, não acreditem nesses barbudinhos, formem-se e venham trabalhar para nós, nunca esquecendo, é claro, de continuar comprando a Veja".

Detesto perder tanto tempo com esse tipo de reacionarismo escroto, ainda mais com um de seus epígonos mais fanfarrões, mas é meu dever moral como uspiano e cidadão dar ao boi o nome que lhe é de direito. Convoco, então, o corinho cívico:

Fascista! Fascista! Fascista!

Quanto à April, Inc., é mesmo lamentável a falta de pontaria dos engenheiros da Linha 4...

22.5.07

O famigerado decreto (Exórdio)

SEÇÃO I
Das Alterações de Denominação de Secretarias de Estado
Artigo 1º - A denominação das Secretarias de Estado a seguir relacionadas fica alterada na seguinte conformidade:
I - de Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico para Secretaria de Desenvolvimento;
II - de Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer para Secretaria de Esporte e Lazer;
III - de Secretaria de Turismo para Secretaria de Ensino Superior;
IV - de Secretaria de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento para Secretaria de Saneamento e Energia.

Uma análise ligeira bastará, se o raro leitor concorda, para que uns pares de divertidas ilações possam ser tecidos, como se dizia antigamente, sobre as pretensões do ora Governador acerca de certos assuntos de Estado.
O item mais enigmático será sem dúvida o III, que não obstante é mui esclarecedor e honesto (alô, Marta!). Também salta aos globos que a Juventude e os Recursos Hídricos foram escamoteados sem mais. O órgão do Desenvolvimento agora inclui, informei-me, as Fatecs e a Fapesp (?). Cosa más louca, como diria o Analista.

Moral: Algo me diz que o ora Governador vai se sair mal deste imbroglio reitoria. Depois da foto com o rifle belga então...

21.5.07

Lombroso (always) reloaded


Coronel Lima, em uniforme de campanha, desempenhando o "atencioso negociador" da PM paulista no "caso" reitoria da Usp

31.3.07

Aer

Escapei de viajar ontem a São Paulo, por diversas e muito milagrosas razões.
Entrementes, leio que o Ministro da Defesa não foi autorizado pelo controle militar de vôo a deslocar-se para Brasília.
Parece Kafka, meu!

Dois embrejados anos

Comemoro a data, mas será ocioso explicar que tão longa (sic) existência anética, raro leitor, se deve muito mais à Preguiça e ao Tédio do que à Persistência e à Virtude.
Concordemos que mesmo para um tal e tolo blogue é muito melhor existir do que não existir.
No entanto, não tive nenhuma piedade do meu alias no orkut.

29.3.07

Villa-Lobos

- O que é isso que está tocando?
- Deve ser Villa-Lobos, disse Stravinsky.
- Por quê?
- Porque não gosto.

"Rabino Sobel é preso na Florida acusado de roubar Armani, Vuitton e Gucci"

As próximas manchetes:

"Ronaldo Esper é eleito vereador em São Paulo"
"Aparecida: Bento XVI é flagrado em gesto obsceno"
"Winona Ryder publica sua 'autobiografia precoce'"
"Lagos - Para Bush, prisão de Bin Laden foi 'ato de fé'"

11.3.07

Emanuel Vão Gôgo

No dia em que houver cinema nacional com cheiro vamos deixar o olfato em casa.

(O Cruzeiro, 3 de outubro de 1959)

Ignore this terrible drug

10.3.07

Despacho

Apesar dos inúmeros solecismos e cacófatos cometidos pelo Autor, agora contamos com patrocínio oficial (estadual, total) para nossas intermináveis e sérias horas de ócio contemplativo.

15.2.07

Lugares em que fui infeliz (IV)


Cruzeiro e adjacências, Brasília. Carregando certa vez 16 quilos de bagagem, tive que correr quase todo o lado esquerdo do retângulo da foto - isto é, quase 2 quilômetros - em 15 minutos, para não perder um importante busão. Chuviscava.

Lugares em que fui infeliz (III)


Barra Shopping, Rio de Janeiro. Os corredores mais infindáveis da minha vida.
(intrigaram-me agora as curiosas estrelas hexagonais, em branco e azul, no teto; seriam elas os grandes olhos deste terrível monstro-caverna?)

14.2.07

Lugares em que fui infeliz (II)

Em meio a estes galpõezinhos e predinhos e carros, numa descida de várzea, gramei por uns quantos anos até o dia em que me deram, numa tarde de verão como todas as outras, um divertido pedaço de papel pardo em que um certo senhor fulano - aparentemente bastante distinto, porque pode e dispõe de umas peremptórias "atribuições legais", mas que nunca pude conhecer - atesta e me confere solenemente (há brasões etc.) o título de Engenheiro Químico: "Cidade Universitária 'Zeferino Vaz', 29 de janeiro de 1999".

12.2.07

Lugares em que fui infeliz


Vai fazer sete anos que o comfort omnibus que me trazia ao Deep Brazil caiu deste viaduto, de sete metros de altura. No dito veículo ou fora dele - aliás pintado de verde-amarelo - sete morreram na hora.

6.2.07

Desgraçados

O que querem, afinal, esses tucanos?
Primeiro, o buracão terceirizado no metrô.
Depois, a violência contra a autonomia das universidades paulistas.
Ontem o preposto deles na municipalidade escorraçou um sujeito - supostamente cidadão - aos gritos de "Vagabundo!"
Agora, a alíquota do imposto sobre artigos da cesta básica foi quase duplicada.
São Paulo é o Estado mais reacionário da federação - alguém duvida? - e faz por merecer tais desmandos, posto que insiste em eleger e reeleger essa corja de almofadinhas de Higienópolis & adjacências excrescentes
Como já se disse, sem a privatização (que sempre, sempre favorece os muy amigos) não sobra muito no ninho desses pérfidos piciformes, aliás notórios devoradores de ovos e filhotes alheios.

2.2.07

Cerradas (VI)

rejane disse:
oi
Diego disse:
oi
rejane disse:
oi
Diego disse:
e aí?
Diego disse:
melhorou da ressaca?
rejane disse:
to mal
Diego disse:
vou cuidar de você direitinho hoje a noirte
rejane disse:
ta bom
rejane disse:
vamu no dolar in ou no topas?
Diego disse:
no topas
rejane disse:
eeeeeeeeeeeeeeeee
Diego disse:
agora tenho que ir pruma reunião tá?
rejane disse:
fofffinhuuuu

30.1.07

Bola para o mato

Uma bosta a edição comemorativa dos 50 anos de Grande Sertão: Veredas.
Obsequiado com o exemplar de número 3549, constato logo de cara que a dedicatória com foto de Rosa e Aracy foi diminuída a um mero 3x4 e deslocada para a última página; que dos importantíssimos mapas das orelhas apenas uma amostra mutilada, conquanto grandinha, aparece como vinheta de contracapa; que essas abominações foram cometidas a troco de um livro-brinde chinfrinzito contendo fotos & fatos da "instalação" de uma certa Bia Lessa acerca do romance; que a mesma Lessa néscia assina também o sangüíneo e chocho projeto gráfico.
(é verdade: no livrito, acompanhado por um dvd, há deliciosos fac-símiles dos originais datiloscritos)

6.1.07

Bête noire

"Em Roraima encontram-se também os humanos mais primitivos do planeta: o povo Yanomami.
Como roraimense e governador, não poderia deixar de divulgar Roraima com certo orgulho e paixão."

Neudo Campos
Ex-Governador

23.12.06

/diégèse/

Reparai só, ó milhões, como a forma da expressão da palavrita supra, étimo de evidente extração francesa (Souriau, 1951), constitui perfeita mímese graforréica das feições de um maldito intelectual gaulês, constipado e com sobrancelhas bout-de-souffle, pronunciando de óculos a perfeita tradução do conteúdo da forma pretendida.

14.12.06

Sionismo de massa

"Circuncidar homens africanos pode reduzir pela metade seu risco de contrair Aids, disse ontem o Instituto Nacional de Saúde dos EUA."

4.12.06

Cerradas (V)

Diego mora num comfort suites novo em folha.
Nosso herói geralmente lá chega do trabalho às 19 horas ("é um sossego, não tem trânsito nenhum etc."). Neste verão, como está chovendo pouco em Rondonópolis, Diego acostumou-se a levar seu laptop para a sacada, onde aproveita para repassar as planilhas do dia, bebe sua cervejinha e fuma o único cigarro do dia, contemplando algumas vezes, com ar sonhador, o aumento geral da noite.
Seu flat tem uma bonita vista para sudeste, rumo a rumo com a cobiçada reserva florestal dos Tadarimana.
Logo abaixo do seu campo de visão, ao pé do prédio, está a entrada do mais exclusivo condomínio fechado da cidade. A guarita de segurança está anexa a um prédio envidraçado e condicionado de dois pisos. No térreo, uma galeria de arte com pinturas de naturezas-mortas e abstracionismos vários, com etiquetas e preços. No piso superior, uma bem equipada academia de ginástica. Encimando tudo, sobre as estátuas em iluminação indireta de Hermes e Ceres, o letreiro "Village Lombardia".
Mais além, sobrados, lotes vagos, a rodovia federal, o zunzo surdo dos caminhões. A reserva, escura. O infinito da direção sudestã - até que a primeira estrela sobe.
Mas já está na hora do The OC.

10.11.06

Cerradas (IV)

A "crise no campo" - isto é, o acometimento mais ou menos sazonal de uma febril necessidade de trocar o possante Peugeault pelo charmoso Renot (Liberté é o nome da concessionária Renot em Rondonópolis) - compeliu recentemente centenas de latifundiários a um protesto anti-Governo que interrompeu com tratores e pneus em chamas o tráfego da rodovia federal - quase sob as janelas condicionadas do escritório de Diego.
Enquanto observa a fumaça negra evolar-se rapidamente das barricadas, Diego bebe um cinnamon capuccino (grátis na máquina do corredor). Tirando os sapatos (é horário de almoço, sozinho) suspira cansado.
As intempéries do mercado de alimentação de suínos, ainda bem, não parecem ter afetado a prosperidade profissional do nosso herói. Ao contrário, a gerência regional de carbon credits trade é um cargo prestigiado em tempos de incertezas.
Enquanto os agricultores (sic) protestam e depredam, hostilizando malhando massacrando um boneco fatiotado e vagamente barbudo, Diego pensa em Rejane.
Rejane é sua amante mais ou menos regular, bastante morena e ligeiramente prognata, que conheceu numa noite de bebedeira no forró. Diego só acordou algumas horas depois, no motel, e teve um sobressalto: a moça era, em verdade vos digo, bastante feia.

7.11.06

Confissão

Num filme por mim condignamente pirateado contrabandeado roubado com o auxílio de uma excelente mula (e-mule) de arquivos, aviãozinho infalível, aparece repentinamente uma legenda corporativa anti-pirataria - instantes após as personagens discutirem o sucesso de vendas do livro ("a tiny bestseller") recém-publicado por uma delas. Significância?

5.11.06

Esperança

"Lula vai à praia e estréia sunga verde."

2.11.06

Cerradas (III)

Rebento da classe média-alta paulistana (Vila Mariana), Diego é católico (crismado) e de ascendência misturadamente européia: ao longo das décadas, italianos, espanhóis e alemães acasalaram-se com crioulos, portugueses e caboclos para que o atual esplendor entre grãos de seu dileto descendente pudesse acontecer na borda oesteã do Planalto Central.
Diego tem apenas um irmão. Daniel chegou a se formar em Sociologia pela Usp e, depois de trabalhar poucos mas afluentes anos numa empresa norte-americana de pesquisa de marketing, hoje em dia milita numa organização do terceiro setor que recolhe os fundos obtidos com a reciclagem de embalagens usadas de agrotóxicos no norte do Espírito Santo para a assistência aos desvalidos índios da Ilha do Bananal. Votou, naturalmente, em Alckmin, porque a "crise no campo" reduziu em um terço a quantidade de embalagens descartadas à beira das rodovias capixabas.
Diego, como ele, odeia Lula. É mesmo possível imaginar que os sinais de plástico colante mal-apagados sobre a luzidia lataria negra da traseira de seu Nissan tenham sido produzidos por um adesivo do devoto das gravatas amarelas retirado em dias recentes, mas não há certeza: perguntado, Diego se irrita e, levemente alterado, começa a desfilar um infindável rosário de vitupérios e doestos contra o Governo.
Será melhor falarmos do Palmeiras.

28.10.06

Andrea Mantegna - Parnaso, 1497 (detalhe)

"Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando;"

22.10.06

Cerradas (II)

Diego e sua namorada rondonopolitana (loura, filha de paranaenses) viajarão de carro (no dele, Nissan 2005) até a Chapada dos Guimarães.
Partem no próximo natal, quando finalmente conseguirão férias, Diego depois de quase 2 anos de "trampo sem parar", ela fechando o consultório dentário.
Diego nem esperou terminar a última prova de M. Sch na Formula 1, neste domingo, para mandar por e-mail uma confirmação da reserva da pousada em que passarão, ele e Roberta, o revéillon. "Chalés confortavelmente instalados numa exclusiva área de vegetação original, decorados com o melhor do artesanato indígena do Mato Grosso". Pensão completa, ceia, hidromassagem, champagne.
*
Desde que comprou uma versão condensada do guia Larousse, Diego tem se dedicado ao aprendizado da misteriosa ciência dos Vinhos Importados, que lhe parece tanto mais estimulante quanto caros (até o máximo de 350 reais a garrafa, pois Diego participa da comunidade "Confraria do vinho barato" no orkut) e impronunciáveis os rótulos das garrafas.
Diego há tempos é amigo do dono do Emporio Santa Clara, o único estabelecimento que ainda vende bordeaux e boa mostarda de dijon , que ambos "adoram", na cidade (neste fim de ano, devido à crise geral do mercado de alimentação de suínos, negociado na Bolsa de Chicago, cerraram portas duas das três casas fornecedoras de bens de consumo não-durável e conspícuo de Rondonópolis. Chamavam-se Delikaten e Bistrô Bar & Store).
Paulo César é paulistano como Diego, palmeirense também, pai, sitiante amador e membro da diretoria do Clube de Diretores Lojistas. Ontem marcaram uma trilha de bike para o próximo domingo.
*
Diego tem certas veleidades intelectuais. Assina VEJA; já leu cinco livros neste ano. Debaixo de ordem: O Monge e o Executivo; Quando Nietzsche Chorou; 1001 Meditações (sic);
Liderança e Visão - 25 Princípios Para Promover a Motivação; e o último, que não conseguiu compreender em absoluto, A Metamorfose. "Não consigo entender porque ele vira uma barata".
Há duas livrarias em Rondonópolis.
Assim que conseguir as correspondentes amostras sonoras, aviso.

20.10.06

The bloodiest mary

Não assisti, mas me disseram que desta vez Lula moderou na cachaça antes do debate e até que conseguiu assinalar um ou dois touché. hic! Confere?

16.10.06

"Se o senhor souber, sabe; não sabendo, não me entenderá."

O diminuto mas entusiástico clube dos apreciadores da arte sutil de Jordi Savall, o barbado catalão da viola de gamba, há algumas semanas não consegue parar de escutar o delicioso último álbum de Arianna Savall, filha dileta do erudito maestro e de sua encantadora, invencível e divina consorte-soprano Montserrat Figueras. A jovem Arianna - é mister confessarmos - nos parece que canta e toca lira como a própria Musa. Além disso, é a cara da mãe: suspiremos, e depois escutemos.

14.10.06

Cerradas

Diego é um jovem singelo.
Enquanto escrevo estas tortas linhas, Diego mora em Rondonópolis, Mato Grosso, onde exerce devotadamente um importante cargo executivo numa das duas multinacionais norte-americanas responsáveis pela substituição da paisagem nativa dos chapadões locais por infinitas gondoleiras verdes de ração suína.
Embora more num bairro de elite, com seguranças e enormes sobrados, Diego demorou a acostumar-se à sujeira vermelha das ruas da nova cidade, às feições cafuzas de grande parte da população que, ao volante de seu jipe com ar-condicionado, precisa diariamente encarar nos trajetos de casa ao trabalho e para casa. Mesmo na fábrica, entre os subalternos ligeiramente mais instruídos, Diego sofre o incômodo sonoro da fala local, demasiado próxima do que ele considera baiano demais.
Diego quer acreditar que o presente cargo na multinacional norte-americana é um incômodo mas necessário estágio em sua ascensão profissional - que desde o MBA em agri-business vem prosperamente tomando a direção do mercado de commodities e, desde há alguns meses, de créditos de carbono -, mas a saudade da cosmopolita capital o faz suspirar na sacada de seu flat, de onde avista a rodovia federal e os silos prateados da multinacional concorrente.
A despeito do salário ainda apenas razoável, segundo seus anseios de consumo de classe média-alta, Diego é feliz. Tem, afinal, uma bicicleta de aço-carbono alemão que usa para fazer expedições atléticas e fotográficas (8 megapixels) às matas de galeria da região, únicas que, pela contigüidade contraproducente dos brejos e córregos, escaparam ao triunfo alimentar dos porcos chineses.
Um luzidio carro importado garante a Diego intensa receptividade em meio aos femininos contingentes de aborígenes que, ansiosos por genes branquinhos, abonados e, de preferência, paulistas, especializam-se com cada vez mais sucesso no nicho "jovens ricos de fora".
Diego talvez seja um rapaz de sorte.

6.10.06

Os Bens & o Sangue

We don't like happy endings.

30.9.06

Agora vai


Sempre tinha ouvido as estórias. Eis, à clara luz do dia, a confirmação. A Bomba brasileira ia (vai?) ser testada neste gracioso polígono de desmatamento, palmilhado de buracões profundíssimos, na Serra do Chachimbo.

19.9.06

Pae, foste cavalleiro.
Hoje a vigilia é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!

Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A benção como espada,
A espada como benção.

10.9.06

"A vida...
Branco ou tinto, é o mesmo: é para vomitar."

1.9.06

"A hora se fazia pelo deve & haver dos astros, não a aliás e talvez. Tanto sabe é quem manda; e fino o mandante. A gente tem de viver, e o verão é longo."

28.8.06

Justificando

Se eu não fosse justificar, votaria no Lula porque ele deu aumento às parcelas do seguro-desemprego de que pude populisticamente desfrutar.

26.8.06

"What is your quest?"

Uns com os outros se embaraçando, travados, e Pê com medonhos gritos moronava por de entre êles, beligno (...)

Fico

Os anseios populares são irreprimíveis, pois refletem a vontade do Senhor - que segundo o Angeli se chama Tenório Gomalina.
Obrigado, ó milhões! Uma vez que as coisas continuam do mesmo jeito, tudo mudará.

11.8.06

7.8.06

Uma ou duas coisas sobre Saopaolo e a costa oriental de certo mar hespérico-levantino

1. Terrorismo ainda chocho. A coisa vai começar a animar quando abotoarem algum figurão.
2. O Secretário de Sigurância é o alvo mais lombrosiano dentre os possíveis e/ ou desejáveis.
3. O Premier judaico-hebreu assegura que a grande e significativa diferença é que os israelo-semitas pedem desculpas quando matam civis turco-libaneses, ao mesmo tempo em que os árabe-xiitas continuam matando sem pedir vênia. Os assassinatos mútuos vêm se mantendo numa proporção respectiva e aparentemente constante de 10:1.

6.8.06

El Informe Sabato

Clique aqui para atrair mulheres.
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I need my attorney

O alfabeto samoano só tem 15 letras.

Línguas mortíssimas

Descobri, revolvendo brochuras dos "bons e velhos tempos" (1991) que o alfabeto que inventei para codificar anotações raivosas nas cadeiras da escola (supostamente dirigidas aos arqueólogos indoromanianos do século XXVI) se parece com o laociano, ali ali coladinho ao kambôdjeani.

27.7.06

Extremely menacing vibrations

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, você está proibido por 12 meses de doar sangue caso tenha sido detido por mais de 72 horas.

25.7.06

Enquanto isso, no minhocário...

Hoje em dia, muitas companhias nem esperam que a iniciativa parta dos profissionais. Preocupadas com a saúde de seus executivos, várias empresas têm feito mais do que simplesmente exigir um check-up anual ou colocar uma academia de ginástica à disposição dos funcionários. A Avon do Brasil é uma das que se preocupam com essa questão. Desde 2004, a companhia dispõe de um corpo de professores de educação física encarregados de promover caminhadas com os funcionários após as refeições. Sua concorrente na área de cosméticos, a Natura, montou há cinco anos em sua fábrica em São Paulo uma espécie de hospital-dia, com mais de 30 especialistas. Mais radical ainda foi a estratégia do Grupo Algar, que atua no segmento de telecomunicações, agronegócio e entretenimento. A empresa de Uberlândia, em Minas Gerais, conseguiu alterar o comportamento dos altos funcionários com um sistema de bônus. Os executivos que alcançassem metas físicas específicas ganhavam 20% mais no valor do contracheque. A política de incentivo vigorou entre 2002 e 2004. Nesse período, o programa conseguiu reduzir de 44% para 28% o número de executivos com sobrepeso. Segundo a empresa, o programa pôde ser encerrado por ter cumprido seu papel de disseminar uma cultura de cuidados com a saúde entre os funcionários. Note-se que, em todas essas empresas, ninguém deixou de trabalhar muito. O ponto é que elas conseguiram um ambiente em que essa carga de trabalho pôde ser conciliada com uma maior preocupação com a saúde. (Revista Exame)

19.7.06

17.7.06

Machado reloaded

Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
(ainda)

22.6.06

Mann und Weib, und Weib und Mann...

... Reichen an die Gottheit an.

(Mozart/ Schikaneder)

17.6.06

Litania

O teu rosto inclinado pelo vento;
a feroz brancura dos teus dentes;
as mãos, de certo modo, irresponsáveis,
e contudo sombrias, e contudo transparentes;

o triunfo cruel das tuas pernas,
colunas em repouso se anoitece;
o peito raso, claro, feito de água;
a boca sossegada onde apetece

navegar ou cantar, ou simplesmente ser
a cor de um fruto, o peso de uma flor;
as palavras mordendo a solidão,
atravessadas de alegria e de terror,

são a grande razão, a única razão.

(Eugénio de Andrade)

11.6.06

Dupla mentira

"Eu fingi que estudei engenharia"

A. de C.

1.6.06

RR rides again

A flor que és, não a que dás, eu quero.

Porque me negas o que te não peço.

Tempo há para negares

Depois de teres dado.

Flor, sê-me flor! Se te colher avaro

A mão da infausta esfinge, tu perene

Sombra errarás absurda,

Buscando o que não deste.

30.5.06

Op. 111

Estou com o Prof. Kretzschmar. A referida sonata tem de ser a última, depois da qual só me pode restar abrir os olhos e voltar ao engano cotidiano.
Foi composta e estreada em 1822. Creio que a execução não ficou a cargo de Beethoven, cuja surdez avançada já impedia que sons inteligíveis saíssem de suas outrora virtuosas mãos.
O motivo inicial, perto do fim final, converte-se concretamente no Indizível, que, segundo Mann, pode querer significar, em lenta e terna escansão, oh, doce adeus.

27.5.06

(em desopilante torneio de divas com o Orlando)

esqueceu-me lembrar ao raro leitor que a foto sussulã constitui reprodução de ditoso take do Rouge, do não menos itálico e chic-invernal polonês Kieslowski. Isto é, não se sabe ao certo, mas parece que em plagas tupinambás saiu sob o laborioso e frouxo A Fraternidade é Vermelha.
Neste exato momento há um carro buzinando, vínculo necessário com o-que-há-de-ser-após-o-naufrágio.
Mas e Ela? Irène Jacob. Hem? Pena que não se encontram em parte alguma reproduções aceitáveis. Esta comprei por acaso, escaneada de catálogo em ponta de estoque no Banco do Brasil, agência Cultura.



19.5.06

Mea culpa, mea maxima culpa

"Eu não tomo conhaque, bebo vinho"

F. H. do seu C.

13.5.06

Do Little Boy dos Goitacazes

"Querem fazer do PMDB uma prostituta. Querem que o PMDB durma com os 40 ladrões do PT. Mas o PMDB não pode virar uma prostituta. O partido tem que ir para a cama com o povo brasileiro".

O ilustre primeiro-marido do Rio de Janeiro, infelizmente, não fornece nenhum indício do que deverá ser feito, estando a brava gente assim deitada e oferecida, com os pavilhões retofuriculares dos nossos auriverdes corpinhos.
Acho que já cansamos de saber. Com a graça de deus.

7.5.06

Hélène Grimaud


Alguns dentre meus dezessete e selecionados leitores já tiveram oportunidade de barbar-lhe em cima das louras e agilíssimas mãos, hélas, vendo-a no vídeo arrebatador da Ciaccona de Bach-Busoni.
Agora, em verdade, é necessário que vos diga.
Sua (dela) gravação da Kreisleriana, completada aos 17 encantadores aninhos (é o que mostra a capa do CD), é séria postulante ao mais alto posto no altar schumanniano - cujos santos maiores são, incontestes, Argerich, Horowitz e, vá lá, Richter.
A prise de son é tão boa que o ruído da haste do pedal direito chega a incomodar.
Hoje famosa, tendo aparecido até em programas do tipo Faustão-chic de canais franceses, nossa querida Hélèninha mora em Nova York e cria lobos, filantropicamente (ou será filupicamente?) em sua propriedade no Maine.

2.5.06

Há dez mil anos, numa galáxia muito distante...

...um professor de literatura da então maior universidade do país, durante uma aula de pós-graduação, afirmou que o maior escritor daquele século que tinha acabado de passar era "esquemático". Uma aluna, mal disfarçando seu terror, então perguntou-lhe se se referia apenas ao livro em questão ou a todos os outros do afamado poeta. A resposta, óbvia, incluiu no balaio da indigência mental do eminente propedeuta todas as milhares de páginas eternas que, por uma razão ou outra, foram com violência trancafiadas em interpretações redutoras e oportunistas, essas sim, "esquemáticas".

Moral: nunca confie em professores de literatura brasileira com língua presa.

1.5.06

V, E, R, D, I.

Admito, ele pode ser muitíssimo eficaz. Especialmente na Traviata . Desde que cantada por Angela Gheorghiu.
(Sérgio, que tal a Violetta?)

30.4.06

Efêmera efeméride

Constato que este caderno de umbigadas completa, right fucking now, sua primeira translação solar. Até que nos divertimos, não foi mesmo?

29.4.06

Pronunciamiento

Os marketeiros da Opus Dei parece que já tiraram de circulação o slogan que mencionava a necessidade de o Brasil ser governado por um gerente.
Penso que sacaram o ato hiper-falho de apontar "competência", "comprometimento" (sic) e "visão" como atributos de um cargo apenas intermediário na Corporação, e que pode supor, na proporção metonímica da distância até o verdadeiro CEO dos Superiores Desconhecidos, que os planos estão guardados em cofres ainda mais sinistros.

25.4.06

Hino de Cordisburgo (MG)

MÚSICA – Gilson G. Costa Mattos
LETRA - Francisco Timóteo Pereira

Cordisburgo, teu cenário
É o mais belo relicário
Em que a esperança fulgura...
Filhos pujantes, com graça simbolizam
Uma raça em trabalho, arte e cultura.
Berço de heróis e de gênios,
A Europa e seus milênios
Ante aos mesmos se curvou.

No ar, no mar ou na pena do
Grande Rosa nasce nas obras que a
História consagrou.
Por entre vales, colinas, no meio
Dessas Minas, tu tens a Mina maior.
Teu nome nela se funde, e com
Peter Lund o mundo tem-nos de cor.

Com vera grandiosidade
Deus faz a humanidade
Conhecê-lo e Ter fé:
Postou-se em feitos grandes
Como o Himalaia, os Andes
E a Gruta do Maquiné...

Essa escultura divina,
Que a milhões fascina,
Deus criou com inspiração.
Tu, Cordisburgo, és a tela
Tão rara, tão bela.
Que exalta a nação.

Cordisburgo, teu cenário...
Nos campos tangem boiadas,
E as roças bem tufadas
Frutificam teu labor.
Assim, gentis e garbosos,
Teus jovens operosos
Ostentam teu valor.

Salve sempre o Taumaturgo
Que te fez, Cordisburgo,
Para um fado tão grande.
CORAÇÃO – paz e alegria.
URBE da harmonia.
Com que o amor se expande.
Cordisburgo, teu cenário...

4.4.06

Traducción

(ao Orlando)

Capítulo lxviii. Como nossa mente pode transformar-se, e ligar coisas inferiores àquilo que deseja.

Existem, semelhantemente, certas virtudes nas mentes dos Homens, as de transformação, atração, oposição, e ligação àquilo que Eles desejam; e todas as coisas lhes obedecem, quando são compelidos a um grande excesso de qualquer Paixão ou virtude [vertu], como se para exceder aquelas mesmas coisas a que se ligam. Porque o superior se liga àquilo que é inferior, e o converte a si mesmo, e o inferior é pela mesma razão convertido no superior, ou de outro modo afetado, e por ele influenciado. Por esta razão, coisas que recebem um grau superior de qualquer Estrela ligam-se, ou atraem, ou se opõe a coisas que têm um inferior, concordando ou discordando entre si. Portanto um Leão teme um Galo, porque a presença da virtude Solar é mais adequada a um Galo que a um Leão: do mesmo modo a Magnetita atrai o Ferro, porque se lhe torna superior em ordem ao possuir o grau superior da Ursa Maior.

Assim o Diamante repele a Magnetita, porque na ordem de Marte lhe é superior. De modo parecido, qualquer homem, quando oportunamente exposto às influências Celestais, seja pelas afecções da sua mente, seja pela as devidas aplicações das coisas naturais; se ele se torna mais forte numa virtude Solar, se liga às coisas inferiores e as atrai para a admiração, e a obediência; na ordem da Lua à servidão ou às enfermidades; numa ordem Saturnal à quietude ou à tristeza; na ordem de Jupiter ao culto; na ordem de Marte ao medo, e à discórdia; na ordem de Vênus ao amor, e à alegria; numa ordem Mercurial à persuasão, e obsequiosidade, e assim por diante. Agora, o solo de um tal tipo de ligação é a mui veemente e irrestrita afecção das almas, com o concurso da ordem Celestial. Mas as dissoluções ou impedimentos de uma tal ligação são constituídos por um efeito contrário, que mais excelente e forte será, respeitando ao grande excesso de ligações mentais, quanto mais o afrouxar, e impedir. E finalmente, quando temerdes Vênus, oponde-lhe Saturno. Quando Saturno ou Marte, oponde-lhes Vênus ou Júpiter: porque os Astrólogos dizem que estes estão em grande oposição, e contrários uns aos outros, isto é, causando efeitos contrários naqueles corpos inferiores; Porque no céu, onde não existe desejo, e onde todas as coisas são governadas pelo Amor, não pode haver repulsão, ou hostilidade.

Agrippa von Nettesheim: De occulta philosophia, Book I

Chapter lxviii. How our mind can change, and bind inferiour things to that which it desires.

There is also a certain vertue in the minds of men, of changing, attracting, hindring, and binding to that which they desire, and all things obey them, when they are carried into a great excess of any Passion or vertu [vertue], so as to exceed those things which they bind. For the superior binds that which is inferior, and converts it to it self, and the inferior is by the same reason converted to the superior, or is otherwise affected, and wrought upon. By this reason things that receive a superior degree of any Star, bind, or attract, or hinder things which have an inferior, according as they agree, or disagree amongst themselves. Whence a Lion is afraid of a Cock, because the presence of the Solary vertue is more agreeable to a Cock then to a Lion: So a Loadstone draws Iron, because in order it hath a superior degree of the Celestiall Bear.

So the Diamond hinders the Loadstone, because in the order of Mars it is superior to it. In like manner any man when he is opportunely exposed to the Celestiall influencies, as by the affections of his mind, so by the due applications of naturall things, if he become stronger in a Solary vertue, binds and draws the inferior into admiration, and obedience, in order of the Moon to servitude or infirmities, in a Saturnall order to quietness or sadness; in order of Jupiter to worship, in order of Mars to fear, and discord, in order of Venus to love, and joy, in a Mercuriall order to perswasion [persuasion], and obsequiousness, and the like. Now the ground of such a kind of binding is the very vehement, and boundless affection of the souls, with the concourse of the Celestiall order. But the dissolutions, or hinderances of such a like binding, are made by a contrary effect, and that more excellent or strong, for as the greater excess of the mind binds, so also it looseth, and hindreth. And lastly, when the [thou] fearest Venus, oppose Saturn. When Saturn or Mars, oppose Venus or Jupiter: for Astrologers say, that these are most at enmity, and contrary the one to the other (i.e.) causing contrary effects in these inferior bodies; For in the heaven, where there is nothing wanting, and where all things are governed with love, there can in no wise be hatred, or enmity.

(translated by John Freake (sic), London, 1651)

26.3.06

Alejandra Pizarnik

EL DESPERTAR

a León Ostrov

Señor
La jaula se ha vuelto pájaro
y se ha volado
y mi corazón está loco
porque aúlla a la muerte
y sonríe detrás del viento
a mis delirios

Qué haré con el miedo
Qué haré con el miedo

Ya no baila la luz en mi sonrisa
ni las estaciones queman palomas en mis ideas
Mis manos se han desnudado
y se han ido donde la muerte
enseña a vivir a los muertos

Señor
El aire me castiga el ser
Detrás del aire hay mounstros
que beben de mi sangre

Es el desastre
Es la hora del vacío no vacío
Es el instante de poner cerrojo a los labios
oír a los condenados gritar
contemplar a cada uno de mis nombres
ahorcados en la nada.

Señor
Tengo veinte años
También mis ojos tienen veinte años
y sin embargo no dicen nada

Señor
He consumado mi vida en un instante
La última inocencia estalló
Ahora es nunca o jamás
o simplemente fue

¿Còmo no me suicido frente a un espejo
y desaparezco para reaparecer en el mar
donde un gran barco me esperaría
con las luces encendidas?

¿Cómo no me extraigo las venas
y hago con ellas una escala
para huir al otro lado de la noche?

El principio ha dado a luz el final
Todo continuará igual
Las sonrisas gastadas
El interés interesado
Las preguntas de piedra en piedra
Las gesticulaciones que remedan amor
Todo continuará igual

Pero mis brazos insisten en abrazar al mundo
porque aún no les enseñaron
que ya es demasiado tarde

Señor
Arroja los féretros de mi sangre

Recuerdo mi niñez
cuando yo era una anciana
Las flores morían en mis manos
porque la danza salvaje de la alegría
les destruía el corazón

Recuerdo las negras mañanas de sol
cuando era niña
es decir ayer
es decir hace siglos

Señor
La jaula se ha vuelto pájaro
y ha devorado mis esperanzas

Señor
La jaula se ha vuelto pájaro
Qué haré con el miedo

(N.W.th.: A Alejandra de Sábato teria escrito assim, heteronìmicamente poética fosse)

Englishmen's burden

A recente proibição do fumo em locais públicos fechados não atinge, segundo a lei aprovada pelo Parlamento britânico, "instalações de ultramar".
Não é por outra razão que as Armas da Nossa República ostentam, estreladas, ramas de café e de tabaco.

22.3.06

João Carlos Martins



É verdade, no filme nem se menciona o lance com o Maluf e tal. Vi-o. E fui atrás dos discos (força de expressão, nestes tempos de pirataria louca).
Ouçam-no, é o que diria aos comparsas interessados. Em tempo, ele (irmão doutro eminente pianista, José Eduardo Martins, em cujo estudo sobre Debussy a gente aprende a pasmar diante de filles aux cheveux de lin) e Glenn Gould são os únicos primatas, até o presente da redação desta humílima homenagem, que completaram a gravação das obras para teclado de Bach. Em cravo e clavicórdio há outras versões. Não é de estufar o peito e tremular bandeirinhas, num comício?

8.3.06

Abscena

Periquitos

Esse negócio de exército na rua - metranca aninhada em canteiros gramadinhos e tudo - nunca pode ser legal. Coreograficamente, inclusive, os matizes da camuflagem e certos modelos de blindados remetem, é forçoso admitir, à representação bananish de forças armatas idioléticas em quintos mundos de filmes roliúdi de categoria ainda ulterior - Mr. Chuck Norris atesta-o com especial e sempiterna bravura.
Coadjuvam-se numa tal caracterização o estrito cumprimento de uma tarefa imbecil e o panorama vastíssimo dos morros sem reboco.

5.3.06

Ela vem da Ásia













Finalmente uma paranóia realmente real: Ela vai chegar, e arrebentando.
(confirmam-no os sempre decantados "especialistas").
Na última (1968), 1,5 milhão esquinizaram-se para o outro mundo.
Impossível negar: será uma limpa das boas.

4.3.06

Alumbramento inzoneiro

O texto lido pela apresentadora de um telejornal de cujo nome quero esquecer-me - tratava-se de uma inserção vivinha da silva, straight from Los Angeles, sobre a dourada noite dos óscares - poderia perfeitamente, com algumas poucas adaptações nos toponímicos, onomásticos e cifras, passar pela locução de uma matéria sobre o desfile das escolas de samba do Rio, e terminava: "uma festa em que nada pode dar errado".
Pobre gosta de luxo, Trinta dixit.

22.2.06

A voz do Shuffle

Divindade poderosa. Acabara de, via curriculum, propor aluguel de força de trabalho a uma faculdade de Sorocaba quando, sub-reptício (aprendi com Clarice) e num coup de dés informático (como poderiam querer os irmãos Campos, todos eles o serão?), o programa de música houve por bem fazer-me ouvir "Sorocaba", primeira das danças da Suíte Saudades do Brasil, de Darius Milhaud. Doravante farei sempre consultas a um tão eficaz oráculo, mas quão dificultoso será interpretar Xenakis ou Hoffmeister!

17.2.06

11111: no estrito cumprimento do dever

Justiça foi feita (a palavra me lembra outras com sufixo homólogo, enfermiço, postiço).