"Exatamente isso, minha gente: pensamento negativo atrai pensamento negativo; pensamento positivo é o que os ingleses chamam wishful thinking. Né, pensar positivo, querer pensar positivo atrai bons fluidos. Eu sei exatamente os instrumentos de que nós precisamos dispor para atingir esse objetivo. E eu tenho sobretudo dentro de mim uma fé enorme em Deus e um ideal. Eu tenho um ideal. Eu sou uma pessoa idealista."
Fernando Affonso Collor de Mello
N. do B.: Vive mal quem não vive de amor.
26.8.09
23.8.09
Príncipe com Princesa
Ou vice-versa. Assim se chamava, até 1889, a atual esquina de Quintino Bocaiúva com Benjamin Constant (idem), no velho Centro; e se percebe como os dois ultras do jacobinismo maçom estragam tudo com seus fumos de república de funcionários. O nome antigo tem um não sei quê de modinhas e iaiás muito mais aprazível.
(Entrementes, a rua da Imperatriz rebaixou-se até a plebeia efeméride de XV de Novembro.)
Morro acima, cá na Bela Vista, a rua Saracura Pequena (corre embaixo o córrego homônimo) virou Dr. Fulano de Tal.
Tal como temia Manuel Bandeira.
(Entrementes, a rua da Imperatriz rebaixou-se até a plebeia efeméride de XV de Novembro.)
Morro acima, cá na Bela Vista, a rua Saracura Pequena (corre embaixo o córrego homônimo) virou Dr. Fulano de Tal.
Tal como temia Manuel Bandeira.
15.7.09
Debulhões
Recente e estrepitosa (conquanto, hélas, sem algemas) operação federal varejou mais um manjado esquema de arrivistas emergentes, a velha dobradinha contrabando-lavagem.
Assíduo usuário das linhas de ônibus que atravessam as várzeas copiosíssimas do Pinheiros, sempre fico de cara com o neonormandismo das mansardas e cascalhos que acastelam um dos negócios da máfia da vez, na rua graciosamente chamada Colômbia.
Lá dentro, vejo através da vitrine decorada com péssimo gosto e perverso, se agita uma farândola de moçoilas (louras) em flor, as saias vaporosas e os rostinhos louçãos zanzando a agenciar em dólares as tais caras fragrâncias (certamente flagrantes).
Cá fora, negões de terno preto espreitam o movimento da força black com rádios e óculos escuros.
Nada muito diverso, enfim, de qualquer promocenter, como agora novamente se demonstra.
Assíduo usuário das linhas de ônibus que atravessam as várzeas copiosíssimas do Pinheiros, sempre fico de cara com o neonormandismo das mansardas e cascalhos que acastelam um dos negócios da máfia da vez, na rua graciosamente chamada Colômbia.
Lá dentro, vejo através da vitrine decorada com péssimo gosto e perverso, se agita uma farândola de moçoilas (louras) em flor, as saias vaporosas e os rostinhos louçãos zanzando a agenciar em dólares as tais caras fragrâncias (certamente flagrantes).
Cá fora, negões de terno preto espreitam o movimento da força black com rádios e óculos escuros.
Nada muito diverso, enfim, de qualquer promocenter, como agora novamente se demonstra.
12.7.09
Geognose no Goiás
1.7.09
Não há jornalista brasileiro, com ou sem deproma, capaz de escrever assim
"Minuto a minuto, pasito a pasito, Honduras se va alejando de las libertades. Al secuestro por parte de un comando del Ejército del presidente Manuel Zelaya le siguió la implantación del toque de queda y, ayer, en una vuelta de tuerca más para sujetar el país, el nuevo Gobierno presidido por Roberto Micheletti propuso al Congreso la supresión de cinco libertades individuales. Y los diputados, con la misma unanimidad con que el domingo quitaron a un presidente y eligieron a otro como quien cambia una rueda, obedecieron. Aunque Micheletti descartó que se tratase de un estado de sitio, lo cierto es que, durante la noche, las Fuerzas Armadas y la Policía tienen la potestad de restringir las libertades 'individuales, de asociación, de domicilio, de circulación y de derecho a la información'. La etiqueta no pone 'estado de sitio', pero lo que viene dentro sabe igual."
Pablo Ordaz, d'El P.
Pablo Ordaz, d'El P.
29.6.09
Tudo dentro da lei
Assumiu, em Tegucigalpa, o Michel Temer deles.
Tomaram, entretanto, a precaução de colocar uma Nicarágua inteira entre o atroz ex-presidente comunista e as indefesas pessoas de bem daquelas funduras.
Desovaram-no na Costa Rica, a ponta de fuzil.
Chávez neles!
Tomaram, entretanto, a precaução de colocar uma Nicarágua inteira entre o atroz ex-presidente comunista e as indefesas pessoas de bem daquelas funduras.
Desovaram-no na Costa Rica, a ponta de fuzil.
Chávez neles!
28.6.09
Meus quinze minutos

Durante dois dias inteiros, o post revelador dos cinco pilares da elite monocromática paulista foi graciosamente lincado por Paulo Henrique Amorim na primeira página de seu (dele) afiado blog. Eis, acima, o transitório sucesso de público ocasionado pela coisa toda.
22.6.09
Encuesta Sabato
1. Dios no existe.
2. Dios existe y es un canalla.
3. Dios existe, pero a veces duerme: sus pesadillas son nuestra existencia.
4. Dios existe, pero tiene accesos de locura, esos accesos son nuestra existencia.
5. Dios no es omnipresente, no puede estar en todas partes. A veces está ausente ¿en otros mundos? ¿En otras cosas?
6. Dios es un pobre diablo, con un problema demasiado complicado para sus fuerzas. Lucha con la materia como un artista con su obra. Algunas veces, en algún momento logra ser Goya, pero generalmente es un desastre.
7. Dios fue derrotado antes de la Historia por el Príncipe de las Tinieblas. Y derrotado, convertido en presunto diablo, es doblemente desprestigiado, puesto que se le atribuye este universo calamitoso.
(do "Informe sobre ciegos")
Que alternativa escolherá o raro leitor?
2. Dios existe y es un canalla.
3. Dios existe, pero a veces duerme: sus pesadillas son nuestra existencia.
4. Dios existe, pero tiene accesos de locura, esos accesos son nuestra existencia.
5. Dios no es omnipresente, no puede estar en todas partes. A veces está ausente ¿en otros mundos? ¿En otras cosas?
6. Dios es un pobre diablo, con un problema demasiado complicado para sus fuerzas. Lucha con la materia como un artista con su obra. Algunas veces, en algún momento logra ser Goya, pero generalmente es un desastre.
7. Dios fue derrotado antes de la Historia por el Príncipe de las Tinieblas. Y derrotado, convertido en presunto diablo, es doblemente desprestigiado, puesto que se le atribuye este universo calamitoso.
(do "Informe sobre ciegos")
Que alternativa escolherá o raro leitor?
12.6.09
11.6.09
Chopper art
Meu atual e plástico ganha-pão me obriga a conviver com tipos fonsequianos como certo fotógrafo paulistano-tudesco dedicado a sobrevoar, de helicóptero, as favelas invasoras da Mata Atlântica. Seu "trabalho", claro, "denuncia" em "grandes formatos" os "crescentes muros" da "contemporaneidade".
Incluir-se-á na inexorável exposição uma enorme fotomontagem colorida dos lixões de São Paulo - mais precisamente, à saída do restaurante com cara vista envidraçada.
Incluir-se-á na inexorável exposição uma enorme fotomontagem colorida dos lixões de São Paulo - mais precisamente, à saída do restaurante com cara vista envidraçada.
9.6.09
A Bolívia é o nosso Piauí
O rastreamento do espigão divisor das bacias hidrográficas dos rios São Francisco, Tocantins (Amazonas) e Parnaíba demonstra que o Piauí, como o polvoroso rincão de Evo Morales, foi descaradamente garfado por seus vizinhos.
Enormes nacos da bacia do espumoso "grande rio" que define o país do Piauí pertencem, de facto, aos invejosos Ceará e Maranhão - ou, digamos, Peru e Paraguai.
Sir Ney e seu Brejal dos Guajas [sic], naturalmente, na esfera alegórica do infestado chaco.
Para não falar do Acre...

(Lembrando Nelson Rodrigues, de quem leio, com estranho deleite reacionário, A cabra vadia)
(Entrementes, chovem bombas na USP)
Enormes nacos da bacia do espumoso "grande rio" que define o país do Piauí pertencem, de facto, aos invejosos Ceará e Maranhão - ou, digamos, Peru e Paraguai.
Sir Ney e seu Brejal dos Guajas [sic], naturalmente, na esfera alegórica do infestado chaco.
Para não falar do Acre...

(Lembrando Nelson Rodrigues, de quem leio, com estranho deleite reacionário, A cabra vadia)
(Entrementes, chovem bombas na USP)
3.6.09
Cascateando
1937
Fechado o Congresso Nacional – Espera-se uma nova Constituição
Ontem, às 20 horas, em transmissão de rádio extraordinária, o sr. presidente da República Getúlio Vargas dirigiu-se gravemente à nação. Apelando à tranquilidade, o presidente explicou as medidas recentemente tomadas em nome da segurança nacional, assegurando ao povo brasileiro que as instituições democráticas e a autonomia dos estados serão preservadas em sua integralidade. Segundo o presidente, a infiltração comunista nas Forças Armadas, aparentemente debelada com o colapso da “intentona” de 1935, atingiu níveis tais que as presentes ações do Estado se fizeram imperiosas. A decretação do “estado de guerra”, segundo o presidente, pretende nada mais que acelerar a implementação das ações preventivas que se julgarem necessárias. Fontes ligadas ao Palácio do Catete asseguram que a investigação do plano de golpe militar comunista descoberto em setembro último – o assim chamado “plano Cohen” – precipitou as drásticas medidas ontem comunicadas à nação. O fechamento do Congresso Nacional por tempo indeterminado constitui, certamente, a culminância dos atos políticos em curso. Espera-se para a manhã de hoje a anunciada promulgação da nova Constituição.
1940
Nomeado o novo prefeito de Belo Horizonte
Ex-deputado federal pelo PP de Minas Gerais, o dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira será, como antecipou este jornal, o novo prefeito da capital de Minas Gerais. Ontem, em Belo Horizonte, o interventor federal no estado, sr. Benedito Valadares, nomeou oficialmente o médico e tenente-coronel da Força Pública para o cargo de chefe da principal municipalidade mineira. Um decreto a ser publicado no Minas Gerais, órgão oficial do governo do estado, consumará a aguardada nomeação. Sabe-se que o convite ao dr. Kubitschek havia sido feito dois meses atrás, ocasião em que o incansável chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital Militar expressara seu desagrado em abandonar o exercício da medicina. A resistência inicial do dr. Kubitschek parece, entretanto, ter sido contornada sem maiores problemas, uma vez que ele assegura que vai continuar à frente de suas funções nos corpos médicos do estado. Em entrevista a este jornal, o novo prefeito afirmou que seu principal objetivo à frente da capital será a melhoria da estrutura urbana, em especial o calçamento e a coleta e distribuição de águas e esgotos. O novo prefeito também manifestou a intenção de construir um complexo cultural e de diversões no bairro da Pampulha, ao norte da cidade.
1954
São Paulo comemora 400 anos
As festividades do IV Centenário da capital paulista atingiram ontem seu ponto alto com a inauguração do parque do Ibirapuera. O mais novo parque público da cidade de São Paulo avança sobre os antigos baixios dos córregos Caguaçu e Sapateiro, que abastecem o bonito lago que agora se espalha pelo espaço ajardinado. Planejada pela equipe de arquitetos integrada pelos srs. Oscar Niemeyer e Eduardo Kneese de Mello, a impressionante arquitetura do conjunto de edificações do parque divide espaço com numerosos pavilhões provisórios, ocupados pelas delegações nacionais e estaduais participantes das comemorações. O Pavilhão de Exposições, por exemplo, em formato de calota esférica, foi inspirado nas habitações coletivas dos indígenas brasileiros, sendo já popularmente conhecido como “Oca”. A comissão do IV Centenário, presidida pelo sr. Francisco Matarazzo Sobrinho, assegura que o Pavilhão das Indústrias, enorme edifício que domina o conjunto, terá plenas condições de abrigar a Bienal do Museu de Arte Moderna, no próximo ano. Pode-se, sem dúvida, afirmar que o maior evento artístico da América Latina, como o qualifica o ilustre presidente daquela instituição, finalmente encontrou um edifício-sede à altura de sua relevância internacional.
1956
Diplomata J. Guimarães Rosa recebe prêmio Carmen Dolores Barbosa
O estilista de Grande sertão: veredas recebeu ontem o importante galardão literário atribuído pelo Salão de Letras e Artes Carmen Dolores Barbosa, que leva o nome de sua idealizadora e provedora. A quantia de 100 mil cruzeiros foi entregue ao escritor e diplomata mineiro durante solenidade realizada na acolhedora residência de d. Carmen, à rua General Jardim, 51. Participaram do júri do concurso os srs. Edoardo Bizzarri (adido cultural do Consulado da Itália) e Fernando Góes (jornalista dos Diários Associados), entre outros representantes destacados da cultura e intelectualidade paulistanas. O dr. Guimarães Rosa, já laureado pelo mesmo volume no prêmio do Instituto Nacional do Livro, fez jus à fama de tímido inveterado, proferindo escassas palavras em agradecimento ao vultoso prêmio. Seu monumental romance, que narra as lutas de jagunços no sertão de Minas Gerais, é certamente merecedor dos mais elevados louvores, caracterizando-se pela extrema riqueza das descrições da natureza do interior do Brasil. O regionalismo sugerido pelas paisagens, entretanto, é sobrepujado pela poesia universal dos temas tratados.
1960
Inaugura-se a nova capital federal
Neste feriado de Tiradentes, durante grandiosa cerimônia cívica, a que acorreram chefes de Estado e de governo de todo o planeta, o presidente da República, dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira, inaugurou oficialmente a nova capital do país. Cenário majestoso das festividades, a arrojada arquitetura de Oscar Niemeyer e o urbanismo inovador de Lúcio Costa causaram visível impressão sobre os dignitários estrangeiros que prestigiam as festividades. Depois de meros três anos de construção, a moderníssima cidade erguida no coração do Brasil já abriga boa parte das repartições públicas, ministérios e autarquias anteriormente sediadas no Rio de Janeiro. A construção do edifício da nova catedral metropolitana, entretanto, permanece bastante atrasada, sendo sua inauguração prometida para fins do próximo ano. Percorrendo de automóvel as longas vias desertas do plano piloto, constata-se que o mato cerrado ainda ocupa a maior parte dos canteiros e quadras residenciais projetadas, contrastando com a brancura imaculada das edificações de concreto. De qualquer modo, já se pode afirmar que Brasília é a mais relevante realização da presidência do dr. Kubitschek, incansável defensor da transferência do centro do poder nacional para o interior do país.
1962
Bossa nova é aclamada nos Estados Unidos
O concerto de bossa nova realizado na noite de anteontem no célebre palco do Carnegie Hall, em Nova York, terminou com a aclamação do “jazz brasileiro” pelo exigente público norte-americano. Com João Gilberto à frente, os músicos exibiram seu talento em músicas de Tom Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Oscar Castro Neves. Entre as canções apresentadas, estiveram as famosas “Samba de uma nota só”, “Manhã de carnaval” e “Barquinho”, sucessos nas rádios nacionais desde seu lançamento. A platéia novaiorquina, aliás reforçada por numerosos brasileiros, aplaudiu generosamente todos os artistas, mas dedicou especial simpatia ao conjunto jazzístico do carioca Castro Neves. Ovação semelhante mereceu João Gilberto, o franzino criador do ritmo sincopado que está conquistando o planeta. Acompanhado apenas do baterista Milton Banana, o brilhante artista de Juazeiro (BA) mostrou aos norte-americanos toda a “bossa” da moderna música brasileira.
1970
Brasil tricampeão
Brasil 4 x 1 Itália. A despeito do placar elástico, a partida final da Copa do México teve todos os elementos de uma emocionante epopéia. Os mais de 100 mil espectadores presentes no estádio Azteca acompanharam um enredo repleto de reviravoltas, angústias e glórias. O primeiro gol, anotado por Pelé aos 19 minutos, trouxe à garganta dos 90 milhões de brasileiros o ansiado grito de “campeão”. A euforia, entretanto, logo deu lugar ao desespero, quando, dois minutos depois, o inusitado gol de Bonisegna despertou a memória atroz da tragédia de 1950. Mas ainda era demasiado cedo: a verdadeira alegria estava apenas por começar. Os gols redentores de Gérson e Jairzinho, aos 20 e aos 26 minutos da segunda etapa, finalmente deram aos brasileiros a certeza da salvação da “pátria de chuteiras”, segundo a expressão de Nelson Rodrigues. Aos 43 minutos, o gol do capitão Carlos Alberto, depois de um passe do genial Pelé, coroou a atuação histórica do selecionado canarinho. Dali em diante, tudo foi uma monumental apoteose, com a emocionada torcida mexicana mal aguardando o final da partida para invadir o gramado e aclamar seus novos ídolos. Associando-se ao sentimento do povo, o presidente Garrastazu Médici, um apaixonado por futebol, divulgou uma mensagem de felicitações e agradecimentos à delegação brasileira. Na próxima semana, a taça Jules Rimet será recebida no Palácio do Planalto, numa festa que se anuncia como a mais espetacular jamais promovida na capital federal.
1979
Anistia ampla, geral e irrestrita
Continua nos aeroportos do país o ritual diário da chegada dos exilados. A promulgação da Lei no. 6683, em 28 de agosto, possibilitou o retorno em massa dos banidos e cassados pela Revolução. Os recém-chegados são invariavelmente recepcionados por uma multidão de familiares, amigos e simpatizantes. Um dos primeiros a pisar o solo pátrio, depois de quase dez anos no exílio, foi o jornalista Fernando Gabeira – um dos mentores do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969. Seguiu-se, na significativa data de 7 de setembro, a chegada do ex-governador Leonel Brizola. Depois de visitar os túmulos de Getúlio Vargas e João Goulart, em São Borja (RS), Brizola declarou que seu coração está “cheio de saudades, mas limpo de ódios”. Uma semana depois, foi a vez do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, proveniente da Argélia. Esperam-se para as próximas semanas os retornos do sociólogo Herbert de Souza, ex-militante da Ação Popular, e do veterano líder comunista Luís Carlos Prestes, dirigente do PCB. Esta reportagem apurou que alguns dos principais políticos anistiados, sem aguardar a regulamentação da legislação eleitoral, já começaram as discussões sobre as novas legendas e coligações que disputarão as eleições de 1982.
Textículos que sairão num tablóide estilo "arteducação", destinado a "contextualizar" e "explicar" ao povão a (longa) vida de certo modernista cá do Bananão. Aqui, em primeira mão: pura esculhambação.
Fechado o Congresso Nacional – Espera-se uma nova Constituição
Ontem, às 20 horas, em transmissão de rádio extraordinária, o sr. presidente da República Getúlio Vargas dirigiu-se gravemente à nação. Apelando à tranquilidade, o presidente explicou as medidas recentemente tomadas em nome da segurança nacional, assegurando ao povo brasileiro que as instituições democráticas e a autonomia dos estados serão preservadas em sua integralidade. Segundo o presidente, a infiltração comunista nas Forças Armadas, aparentemente debelada com o colapso da “intentona” de 1935, atingiu níveis tais que as presentes ações do Estado se fizeram imperiosas. A decretação do “estado de guerra”, segundo o presidente, pretende nada mais que acelerar a implementação das ações preventivas que se julgarem necessárias. Fontes ligadas ao Palácio do Catete asseguram que a investigação do plano de golpe militar comunista descoberto em setembro último – o assim chamado “plano Cohen” – precipitou as drásticas medidas ontem comunicadas à nação. O fechamento do Congresso Nacional por tempo indeterminado constitui, certamente, a culminância dos atos políticos em curso. Espera-se para a manhã de hoje a anunciada promulgação da nova Constituição.
1940
Nomeado o novo prefeito de Belo Horizonte
Ex-deputado federal pelo PP de Minas Gerais, o dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira será, como antecipou este jornal, o novo prefeito da capital de Minas Gerais. Ontem, em Belo Horizonte, o interventor federal no estado, sr. Benedito Valadares, nomeou oficialmente o médico e tenente-coronel da Força Pública para o cargo de chefe da principal municipalidade mineira. Um decreto a ser publicado no Minas Gerais, órgão oficial do governo do estado, consumará a aguardada nomeação. Sabe-se que o convite ao dr. Kubitschek havia sido feito dois meses atrás, ocasião em que o incansável chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital Militar expressara seu desagrado em abandonar o exercício da medicina. A resistência inicial do dr. Kubitschek parece, entretanto, ter sido contornada sem maiores problemas, uma vez que ele assegura que vai continuar à frente de suas funções nos corpos médicos do estado. Em entrevista a este jornal, o novo prefeito afirmou que seu principal objetivo à frente da capital será a melhoria da estrutura urbana, em especial o calçamento e a coleta e distribuição de águas e esgotos. O novo prefeito também manifestou a intenção de construir um complexo cultural e de diversões no bairro da Pampulha, ao norte da cidade.
1954
São Paulo comemora 400 anos
As festividades do IV Centenário da capital paulista atingiram ontem seu ponto alto com a inauguração do parque do Ibirapuera. O mais novo parque público da cidade de São Paulo avança sobre os antigos baixios dos córregos Caguaçu e Sapateiro, que abastecem o bonito lago que agora se espalha pelo espaço ajardinado. Planejada pela equipe de arquitetos integrada pelos srs. Oscar Niemeyer e Eduardo Kneese de Mello, a impressionante arquitetura do conjunto de edificações do parque divide espaço com numerosos pavilhões provisórios, ocupados pelas delegações nacionais e estaduais participantes das comemorações. O Pavilhão de Exposições, por exemplo, em formato de calota esférica, foi inspirado nas habitações coletivas dos indígenas brasileiros, sendo já popularmente conhecido como “Oca”. A comissão do IV Centenário, presidida pelo sr. Francisco Matarazzo Sobrinho, assegura que o Pavilhão das Indústrias, enorme edifício que domina o conjunto, terá plenas condições de abrigar a Bienal do Museu de Arte Moderna, no próximo ano. Pode-se, sem dúvida, afirmar que o maior evento artístico da América Latina, como o qualifica o ilustre presidente daquela instituição, finalmente encontrou um edifício-sede à altura de sua relevância internacional.
1956
Diplomata J. Guimarães Rosa recebe prêmio Carmen Dolores Barbosa
O estilista de Grande sertão: veredas recebeu ontem o importante galardão literário atribuído pelo Salão de Letras e Artes Carmen Dolores Barbosa, que leva o nome de sua idealizadora e provedora. A quantia de 100 mil cruzeiros foi entregue ao escritor e diplomata mineiro durante solenidade realizada na acolhedora residência de d. Carmen, à rua General Jardim, 51. Participaram do júri do concurso os srs. Edoardo Bizzarri (adido cultural do Consulado da Itália) e Fernando Góes (jornalista dos Diários Associados), entre outros representantes destacados da cultura e intelectualidade paulistanas. O dr. Guimarães Rosa, já laureado pelo mesmo volume no prêmio do Instituto Nacional do Livro, fez jus à fama de tímido inveterado, proferindo escassas palavras em agradecimento ao vultoso prêmio. Seu monumental romance, que narra as lutas de jagunços no sertão de Minas Gerais, é certamente merecedor dos mais elevados louvores, caracterizando-se pela extrema riqueza das descrições da natureza do interior do Brasil. O regionalismo sugerido pelas paisagens, entretanto, é sobrepujado pela poesia universal dos temas tratados.
1960
Inaugura-se a nova capital federal
Neste feriado de Tiradentes, durante grandiosa cerimônia cívica, a que acorreram chefes de Estado e de governo de todo o planeta, o presidente da República, dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira, inaugurou oficialmente a nova capital do país. Cenário majestoso das festividades, a arrojada arquitetura de Oscar Niemeyer e o urbanismo inovador de Lúcio Costa causaram visível impressão sobre os dignitários estrangeiros que prestigiam as festividades. Depois de meros três anos de construção, a moderníssima cidade erguida no coração do Brasil já abriga boa parte das repartições públicas, ministérios e autarquias anteriormente sediadas no Rio de Janeiro. A construção do edifício da nova catedral metropolitana, entretanto, permanece bastante atrasada, sendo sua inauguração prometida para fins do próximo ano. Percorrendo de automóvel as longas vias desertas do plano piloto, constata-se que o mato cerrado ainda ocupa a maior parte dos canteiros e quadras residenciais projetadas, contrastando com a brancura imaculada das edificações de concreto. De qualquer modo, já se pode afirmar que Brasília é a mais relevante realização da presidência do dr. Kubitschek, incansável defensor da transferência do centro do poder nacional para o interior do país.
1962
Bossa nova é aclamada nos Estados Unidos
O concerto de bossa nova realizado na noite de anteontem no célebre palco do Carnegie Hall, em Nova York, terminou com a aclamação do “jazz brasileiro” pelo exigente público norte-americano. Com João Gilberto à frente, os músicos exibiram seu talento em músicas de Tom Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Oscar Castro Neves. Entre as canções apresentadas, estiveram as famosas “Samba de uma nota só”, “Manhã de carnaval” e “Barquinho”, sucessos nas rádios nacionais desde seu lançamento. A platéia novaiorquina, aliás reforçada por numerosos brasileiros, aplaudiu generosamente todos os artistas, mas dedicou especial simpatia ao conjunto jazzístico do carioca Castro Neves. Ovação semelhante mereceu João Gilberto, o franzino criador do ritmo sincopado que está conquistando o planeta. Acompanhado apenas do baterista Milton Banana, o brilhante artista de Juazeiro (BA) mostrou aos norte-americanos toda a “bossa” da moderna música brasileira.
1970
Brasil tricampeão
Brasil 4 x 1 Itália. A despeito do placar elástico, a partida final da Copa do México teve todos os elementos de uma emocionante epopéia. Os mais de 100 mil espectadores presentes no estádio Azteca acompanharam um enredo repleto de reviravoltas, angústias e glórias. O primeiro gol, anotado por Pelé aos 19 minutos, trouxe à garganta dos 90 milhões de brasileiros o ansiado grito de “campeão”. A euforia, entretanto, logo deu lugar ao desespero, quando, dois minutos depois, o inusitado gol de Bonisegna despertou a memória atroz da tragédia de 1950. Mas ainda era demasiado cedo: a verdadeira alegria estava apenas por começar. Os gols redentores de Gérson e Jairzinho, aos 20 e aos 26 minutos da segunda etapa, finalmente deram aos brasileiros a certeza da salvação da “pátria de chuteiras”, segundo a expressão de Nelson Rodrigues. Aos 43 minutos, o gol do capitão Carlos Alberto, depois de um passe do genial Pelé, coroou a atuação histórica do selecionado canarinho. Dali em diante, tudo foi uma monumental apoteose, com a emocionada torcida mexicana mal aguardando o final da partida para invadir o gramado e aclamar seus novos ídolos. Associando-se ao sentimento do povo, o presidente Garrastazu Médici, um apaixonado por futebol, divulgou uma mensagem de felicitações e agradecimentos à delegação brasileira. Na próxima semana, a taça Jules Rimet será recebida no Palácio do Planalto, numa festa que se anuncia como a mais espetacular jamais promovida na capital federal.
1979
Anistia ampla, geral e irrestrita
Continua nos aeroportos do país o ritual diário da chegada dos exilados. A promulgação da Lei no. 6683, em 28 de agosto, possibilitou o retorno em massa dos banidos e cassados pela Revolução. Os recém-chegados são invariavelmente recepcionados por uma multidão de familiares, amigos e simpatizantes. Um dos primeiros a pisar o solo pátrio, depois de quase dez anos no exílio, foi o jornalista Fernando Gabeira – um dos mentores do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969. Seguiu-se, na significativa data de 7 de setembro, a chegada do ex-governador Leonel Brizola. Depois de visitar os túmulos de Getúlio Vargas e João Goulart, em São Borja (RS), Brizola declarou que seu coração está “cheio de saudades, mas limpo de ódios”. Uma semana depois, foi a vez do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, proveniente da Argélia. Esperam-se para as próximas semanas os retornos do sociólogo Herbert de Souza, ex-militante da Ação Popular, e do veterano líder comunista Luís Carlos Prestes, dirigente do PCB. Esta reportagem apurou que alguns dos principais políticos anistiados, sem aguardar a regulamentação da legislação eleitoral, já começaram as discussões sobre as novas legendas e coligações que disputarão as eleições de 1982.
Textículos que sairão num tablóide estilo "arteducação", destinado a "contextualizar" e "explicar" ao povão a (longa) vida de certo modernista cá do Bananão. Aqui, em primeira mão: pura esculhambação.
2.6.09
A vida é um filme...
...com o mais inverossímil dos roteiros.
Chamava-se Clara Mar Amado uma das comissárias recentemente desaparecidas sobre o Atlântico.
Chamava-se Clara Mar Amado uma das comissárias recentemente desaparecidas sobre o Atlântico.
12.5.09
Menores (o modo) momentos (III)
Diego e sua namorada rondonopolitana (loura, filha de paranaenses) viajarão de carro (no dele, Nissan 2005) até a Chapada dos Guimarães.
Partem no próximo natal, quando finalmente conseguirão férias, Diego depois de quase 2 anos de "trampo sem parar", ela fechando o consultório dentário.
Diego nem esperou terminar a última prova de M. Sch na Formula 1, neste domingo, para mandar por e-mail uma confirmação da reserva da pousada em que passarão, ele e Roberta, o revéillon. "Chalés confortavelmente instalados numa exclusiva área de vegetação original, decorados com o melhor do artesanato indígena do Mato Grosso". Pensão completa, ceia, hidromassagem, champagne.
Diego há tempos é amigo do dono do Emporio Santa Clara, o único estabelecimento que ainda vende bordeaux e boa mostarda de dijon , que ambos "adoram", na cidade (neste fim de ano, devido à crise geral do mercado de alimentação de suínos, negociado na Bolsa de Chicago, cerraram portas duas das três casas fornecedoras de bens de consumo não-durável e conspícuo de Rondonópolis. Chamavam-se Delikaten e Bistrô Bar & Store).
Paulo César é paulistano como Diego, palmeirense também, pai, sitiante amador e membro da diretoria do Clube de Diretores Lojistas. Ontem marcaram uma trilha de bike para o próximo domingo.
Liderança e Visão - 25 Princípios Para Promover a Motivação; e o último, que não conseguiu compreender em absoluto, A Metamorfose. "Não consigo entender por que ele vira uma barata".
Há duas livrarias em Rondonópolis.
N. do B.: Diego reencarnou em lagarta da soja, soube de fonte segura, íntima do Além.
Partem no próximo natal, quando finalmente conseguirão férias, Diego depois de quase 2 anos de "trampo sem parar", ela fechando o consultório dentário.
Diego nem esperou terminar a última prova de M. Sch na Formula 1, neste domingo, para mandar por e-mail uma confirmação da reserva da pousada em que passarão, ele e Roberta, o revéillon. "Chalés confortavelmente instalados numa exclusiva área de vegetação original, decorados com o melhor do artesanato indígena do Mato Grosso". Pensão completa, ceia, hidromassagem, champagne.
*
Desde que comprou uma versão condensada do guia Larousse, Diego tem se dedicado ao aprendizado da misteriosa ciência dos Vinhos Importados, que lhe parece tanto mais estimulante quanto caros (até o máximo de 350 reais a garrafa, pois Diego participa da comunidade "Confraria do vinho barato" no orkut) e impronunciáveis os rótulos das garrafas.Diego há tempos é amigo do dono do Emporio Santa Clara, o único estabelecimento que ainda vende bordeaux e boa mostarda de dijon , que ambos "adoram", na cidade (neste fim de ano, devido à crise geral do mercado de alimentação de suínos, negociado na Bolsa de Chicago, cerraram portas duas das três casas fornecedoras de bens de consumo não-durável e conspícuo de Rondonópolis. Chamavam-se Delikaten e Bistrô Bar & Store).
Paulo César é paulistano como Diego, palmeirense também, pai, sitiante amador e membro da diretoria do Clube de Diretores Lojistas. Ontem marcaram uma trilha de bike para o próximo domingo.
*
Diego tem certas veleidades intelectuais. Assina VEJA; já leu cinco livros neste ano. Debaixo de ordem: O Monge e o Executivo; Quando Nietzsche Chorou; 1001 Meditações (sic);Liderança e Visão - 25 Princípios Para Promover a Motivação; e o último, que não conseguiu compreender em absoluto, A Metamorfose. "Não consigo entender por que ele vira uma barata".
Há duas livrarias em Rondonópolis.
N. do B.: Diego reencarnou em lagarta da soja, soube de fonte segura, íntima do Além.
9.5.09
3.5.09
Krishna neles
Os analistas sociológicos de Rosa linearizam (procedimento estatístico aqui tomado como bobo empobrecimento: classes oprimidas → libertação revolucionária, ou ainda mais tolamente, classes oprimidas → realismo socialista → libertação revolucionária (ou não), teleologia que apenas revela, pelo negativo, a influência das alegorias cristãs sobre as crenças dogmáticas da era moderna) as anfractuosidades estruturantes da composição, igualando-a ao pior da literatura “conformista”, ou mesmo “reacionária” (e assumindo que tais assombrações efetivamente existem).
Embora alguns desses cândidos autores até tangenciem o cerne do problema com exatidão e propriedade, são incapazes de penetrar (êpa!) a verdadeira dimensão geográfica dos livros do divino cordisburguense. Isso talvez porque se ocupem por muito tempo de leituras digressivas – e mesmo deslocadas (classe operária, Marques, Schwarctkz) do vero núcleo. Conquanto minuciosos, alguns "chatoboys" (Oswald dixit) chegam a desconhecer, atarefados com a mais-valia do comércio de gado, a orografia antiqüíssima do Sertão. Há neles pouca geologia – aspirationes terrarvm – e muito Adorno, o Caretão. Inventaram um modelito bacana para o Machado e vivem, locupletos, a machadar os demais, fustigando com rótulos pouco lisonjeiros os pobrescoitados que não se prestam à xuártica ferramenta.
Curioso constatar, de resto, como os materialistas históricos brazucas sempre exalam horror ao Signo, numa espécie de cegueira a tudo que lhes possa, ainda que tenuemente, cheirar a "formalismo", neoplatonismo, música e pintura, isto é, à visualidade da forma. Assim lhes escapa por entre os dedos o que acho que realmente importa nos poemas de Corpo de baile.
Amigo dos generais, sim, mas Goethe não participou dos exércitos da Reação ao lado de seu príncipe? Y qué?
Nunca leram, decerto, o Bhagavadgîtâ...
Embora alguns desses cândidos autores até tangenciem o cerne do problema com exatidão e propriedade, são incapazes de penetrar (êpa!) a verdadeira dimensão geográfica dos livros do divino cordisburguense. Isso talvez porque se ocupem por muito tempo de leituras digressivas – e mesmo deslocadas (classe operária, Marques, Schwarctkz) do vero núcleo. Conquanto minuciosos, alguns "chatoboys" (Oswald dixit) chegam a desconhecer, atarefados com a mais-valia do comércio de gado, a orografia antiqüíssima do Sertão. Há neles pouca geologia – aspirationes terrarvm – e muito Adorno, o Caretão. Inventaram um modelito bacana para o Machado e vivem, locupletos, a machadar os demais, fustigando com rótulos pouco lisonjeiros os pobrescoitados que não se prestam à xuártica ferramenta.
Curioso constatar, de resto, como os materialistas históricos brazucas sempre exalam horror ao Signo, numa espécie de cegueira a tudo que lhes possa, ainda que tenuemente, cheirar a "formalismo", neoplatonismo, música e pintura, isto é, à visualidade da forma. Assim lhes escapa por entre os dedos o que acho que realmente importa nos poemas de Corpo de baile.
Amigo dos generais, sim, mas Goethe não participou dos exércitos da Reação ao lado de seu príncipe? Y qué?
Nunca leram, decerto, o Bhagavadgîtâ...






