30.10.07
28.10.07
Rome, Berlusconia
O prêmio do Festival de Cinema de Roma, ora finito, se chama... Marco Aurelio...
O troféu retrata o sobredito soberano, eqüestre (entra na Reforma?), no que parece ser vidro (acrílico?) pintado, e ainda, por cima, jateado.
O troféu retrata o sobredito soberano, eqüestre (entra na Reforma?), no que parece ser vidro (acrílico?) pintado, e ainda, por cima, jateado.
23.10.07
Burn, chica!
Desvendei a sacanagem toda.
Os incêndios na Califórnia são, em verdade vos digo, uma grande montagem cenográfica (operacionalizada pelos Estúdios e por algumas security forces) destinada a engambelar as multidões de famélicos dos países colonizados via o vilanismo bushista que campeia em todos os media.
"Os ricos também se fodem um dia", informa o otimista tagline do script.
Neste, um famoso e canastrão ator convertido ao budismo recebe bem a notícia da completa transubstanciação de sua frugal maloca em Malibu. E, sorrindo para a falsa equipe de reportagem, ainda se surpreende ('so few casualities!') com a eficiência gerencial do Governator e director Schwarzie, esse grande estadista.
Puro cinema.
Os incêndios na Califórnia são, em verdade vos digo, uma grande montagem cenográfica (operacionalizada pelos Estúdios e por algumas security forces) destinada a engambelar as multidões de famélicos dos países colonizados via o vilanismo bushista que campeia em todos os media.
"Os ricos também se fodem um dia", informa o otimista tagline do script.
Neste, um famoso e canastrão ator convertido ao budismo recebe bem a notícia da completa transubstanciação de sua frugal maloca em Malibu. E, sorrindo para a falsa equipe de reportagem, ainda se surpreende ('so few casualities!') com a eficiência gerencial do Governator e director Schwarzie, esse grande estadista.
Puro cinema.
Foice e martelo neles
A multinacional Nogenta lamentou que "seres humanos tenham sido feridos ou mortos" no conflito e diz que está colaborando com as autoridades que investigam o caso. A empresa disse que o incidente foi um fato isolado e que a ação de sem-terra não fará com que ela estude mudar suas atividades no país.
(Fôia)
(Fôia)
21.10.07
Capitão Nascimento neles
Escusai, peço, o emprego de referência subcultural tão brega - o recente folheteen de Gilberte Praga.
Em seguida, sacai só como a legenda da fotografia infra (que retrata, esclareço, o sr. Peter Raver, jovem presidente - ora reconduzido - da recém-pilhada multinacional ciscadora) é verossímil piada-pronta neste nosso paraíso onzeneiro:
Em seguida, sacai só como a legenda da fotografia infra (que retrata, esclareço, o sr. Peter Raver, jovem presidente - ora reconduzido - da recém-pilhada multinacional ciscadora) é verossímil piada-pronta neste nosso paraíso onzeneiro:
20.10.07
Elementar, meu caro Watson
Não sei não, mas se fosse brasileiro (quimeras deveras), J. Watson - o descobridor, em raios-X, da estrutura da dupla hélice - já teria escrito um artigo contra as cotas para negros e outros quase-brancos-tratados-como-pretos.
Vendo, por puro fastio, as fotos da peruada dos futuros bacharéis e bacharelas das Arcadas, não deparei com um único preto, pobre ou mulato (há uma menina, sim, que poderia ser considerada pouco inteligente por Watson, mas de cabelos alisados).
Quase entendi: os anticotas não querem semelhantes companhias emporcalhando o ambiente quase dinamarquês.
Vendo, por puro fastio, as fotos da peruada dos futuros bacharéis e bacharelas das Arcadas, não deparei com um único preto, pobre ou mulato (há uma menina, sim, que poderia ser considerada pouco inteligente por Watson, mas de cabelos alisados).
Quase entendi: os anticotas não querem semelhantes companhias emporcalhando o ambiente quase dinamarquês.
19.10.07
Bluteau, 1720
VESPA, ou Bespa. Especie de mosca. He comprida, amarela, manchada de preto, composta de muitos aneis, & muy parecida com Abelha. Tem quatro azas, & seis pés, & he armada de um ferrão muito agudo, & penetrãte. Ha de muitas especies. Polvorizada, & aplicada aos cabellos, os faz crescer.
17.10.07
Cisco no dos outros
Segundo a Fôia (citando uma daquelas consultorias norte-americanas bem confiáveis), 46% das empresas "no" país já "sofreram" algum tipo de fraude.
Nesse discurso totalitário, mais uma vez batendo continência verbal ao dindinheiro, não se prevê a hipótese de que o empreendedorismo (sic) inzoneiro - apodo cujo étimo se liga a onzena, juro de 11% - seja bandido de per si.
Bandidos, como é notório, são vocês, os maconheiros comunistas.
Nesse discurso totalitário, mais uma vez batendo continência verbal ao dindinheiro, não se prevê a hipótese de que o empreendedorismo (sic) inzoneiro - apodo cujo étimo se liga a onzena, juro de 11% - seja bandido de per si.
Bandidos, como é notório, são vocês, os maconheiros comunistas.
15.10.07
12.10.07
Bush neles
Cuba é o país mais próximo de atingir as metas do milênio, e lidera a lista dos países que mais fizeram progresso.
Se atingir uma mortalidade infantil de quatro crianças com menos de cinco anos para cada mil nascidas vivas (atualmente esse número é de sete, contra 13 em 1990), o país terá alcançado os objetivos da ONU em todos os quesitos, antes do prazo estipulado.
(BBC Brasil - e óia que o ranking foi elaborado por uma entidade baseada em Washington)
Se atingir uma mortalidade infantil de quatro crianças com menos de cinco anos para cada mil nascidas vivas (atualmente esse número é de sete, contra 13 em 1990), o país terá alcançado os objetivos da ONU em todos os quesitos, antes do prazo estipulado.
(BBC Brasil - e óia que o ranking foi elaborado por uma entidade baseada em Washington)
10.10.07
Chávez neles (II)
Enquanto o New York Times libera tudo e geral pra todo mundo, o Globo (sic) começou a cobrar R$ 35ncão de quem quiser ler o Verissimo ou, vá lá, o Jabor (deve haver quem queira).
Se insisto, até então habitué gratuito mas joão-sem-braço-já-descrente, sou desacatado pelo seguinte cacho de perífrases, que, tontas, giram em torno do tolo e branco-elitista pay or go:
Sua assinatura ainda não está vinculada ao seu cadastro. ("Não adianta insistir.") Clique acolá, vincule sua assinatura, ("Ou passa o número do cartão,") usufrua dos benefícios da Central do Assinante ("ou não entra nunca mais.") e tenha acesso gratuito ao Globo Digital. ("Seu bobo.")
Se insisto, até então habitué gratuito mas joão-sem-braço-já-descrente, sou desacatado pelo seguinte cacho de perífrases, que, tontas, giram em torno do tolo e branco-elitista pay or go:
Sua assinatura ainda não está vinculada ao seu cadastro. ("Não adianta insistir.") Clique acolá, vincule sua assinatura, ("Ou passa o número do cartão,") usufrua dos benefícios da Central do Assinante ("ou não entra nunca mais.") e tenha acesso gratuito ao Globo Digital. ("Seu bobo.")
31.8.07
Carta ao Prof. Kretzschmar
Caro Professor,
Penso que em Corpo de Baile a moderna indeterminação (ou embrejamento, para horror de Gulaberto Gaspar) da linguagem ficcional é efetuada pelo (talvez) mais formidável sistema de referências funcionais já mobilizado na literatura brasileira.
O espaço interno do livro é delimitado pelo aproveitamento (re-arranjo) de tantas e tão minuciosas referências geográfico-empíricas que sua arquitetura não pode, realmente, prestar-se a recobrir a banalidade de um previsível hieróglifo do Caduceu ou, ainda, o Mistério da Pirâmide de Memphis (com o Elvis dentro).
O alegórico, em Corpo de Baile, é tão pouco "interpretável" quanto, digamos, o Parnaso de Andrea Mantegna.
Nesse sentido, não se pode esquecer que as estrelas do Pinhém não são deuses. Elas apenas formam constelações visíveis que Rosa conhecia (pois lia livros de astronomia) e que por ele foram aproveitadas de modo acutíssimo, como também os nomes de fazendeiros constantes nos mapas de Minas da década de 50. Lélio e Lina, ao fugir para o Peixe-Manso, estão também tomando o rumo da constelação de Peixes, mas esse fato não diz nada sobre o "significado profundo" do terceiro poema do livro; antes, indica que Rosa gostava de utilizar todas as referências empírico-funcionais que pudesse (e podia muito), de modo a exercer o mais estrito controle sobre a cenografia das situações narrativas (e essa vontade de tudo querer abarcar parece estar figurada no Côco de Chico Barbós).
Em Corpo de Baile, os deuses e heróis continuam precisando cavalgar diversas léguas, passar os rios pelos vaus e orientar-se pelas estrelas, se viajando de noite; nas estórias de amor, o arruado do Ão (Doralda), a fazenda de dona Vininha (Vênus) e a Samarra (Leonísia) estão localizados ao pé de vertentes de serras que, sempre recobertas por verdes matagais, desenham em seus contrafortes grafismos em "V" semelhantes ao sexo feminino (apud Rosa, num dos Cadernos); o verde das águas do rio Abaeté (Mãe, Glorinha) é também o verde-escuro do vestido de Lina, na fuga do Pinhém. "Nesse mundo, tudo é visível, tudo é concreto, tudo é corpóreo, tudo é material e, concomitantemente, tudo é intensivo, inteligível e artisticamente necessário." (Bakhtin).
A estudada cenografia ficcional de Corpo de Baile, planejada em níveis inéditos de detalhamento, leva, por sua evidente extração científico-naturalista, a Goethe - a quem também muito interessava, de acordo com Bakhtin, a descrição acurada das bacias hidrográficas e das cadeias de montanhas. No começo de Afinidades Eletivas, com efeito, o Capitão visita os domínios do amigo Eduard a fim de logo agrimensá-los, mensurá-los, descrever e apresentar sua superfície aparente: para Bakhtin, o espaço goethiano é regido por uma "necessidade" tão concreta e visível como os afloramentos geológicos.
Essa necessidade histórico-geológica, em Rosa, manifesta-se sobre o tempo t da estória de modo a amorosamente amalgamar descrição e diegese num terceiro composto, tanto mais consistente quanto pleno, comme il faut, de ressonâncias cósmicas: terrae uis. O estudo dos mecanismos desse alegorismo total, Gesamtkunstwerk, precisa fundamentar-se na intrincada intratextualidade dos poemas, e talvez por isso até hoje continue negligenciado pela crítica. (...) Isso ajuda a visualizar, como num mapa, os contornos da rede de relações (simpatias, repulsões) que governa os itinerários no interior do sertão roseano, sem que, para tanto, seja necessário propor uma pouco honrosa ingerência da hermenêutica intertextual (ocultismo, o Brasil, mitologia grega etc.) sobre suas muitas significações possíveis.
Trata-se, claro está, de acionar a máquina do ciclo romanesco e de assisti-la funcionando, apenas reproduzindo seus processos internos. Estes se tornam visíveis na physis do livro através das assinalações dos acidentes e fatos geográficos (o Morro, o rio Urucuia, a constelação do Boieiro etc.), pois estes (pre)figuram, alegoricamente, os caracteres das personagens e seu destino no futuro da leitura. A proposta é determinar a maneira com que a disposição geográfica dos cenários das fazendas, condicionada pelos caprichos da Natur roseana, opera a idéia de uma "orografia cenográfica" (expressão registrada nos Cadernos) que mobiliza todos os poderes do Rosa naturalista e o engenho perverso do Rosa logogrífico.
Essa cenografia das fazendas seria, em alguma medida, homóloga da organização dos membros do corpo alegórico do livro? Isto é, poder-se-ia pensar no espaço cartográfico delimitado pelas principais fazendas de Corpo de Baile como metáfora animada de uma idéia de Totalidade, alegoria cartográfica do Sertão, no-nada?
Estas são as hipóteses, e a desmesura dos cartógrafos do Império, em Borges, é a perfeita imagem da encrenca em que me meti, não acha?
Um abraço,
José Américo.
Penso que em Corpo de Baile a moderna indeterminação (ou embrejamento, para horror de Gulaberto Gaspar) da linguagem ficcional é efetuada pelo (talvez) mais formidável sistema de referências funcionais já mobilizado na literatura brasileira.
O espaço interno do livro é delimitado pelo aproveitamento (re-arranjo) de tantas e tão minuciosas referências geográfico-empíricas que sua arquitetura não pode, realmente, prestar-se a recobrir a banalidade de um previsível hieróglifo do Caduceu ou, ainda, o Mistério da Pirâmide de Memphis (com o Elvis dentro).
O alegórico, em Corpo de Baile, é tão pouco "interpretável" quanto, digamos, o Parnaso de Andrea Mantegna.
Nesse sentido, não se pode esquecer que as estrelas do Pinhém não são deuses. Elas apenas formam constelações visíveis que Rosa conhecia (pois lia livros de astronomia) e que por ele foram aproveitadas de modo acutíssimo, como também os nomes de fazendeiros constantes nos mapas de Minas da década de 50. Lélio e Lina, ao fugir para o Peixe-Manso, estão também tomando o rumo da constelação de Peixes, mas esse fato não diz nada sobre o "significado profundo" do terceiro poema do livro; antes, indica que Rosa gostava de utilizar todas as referências empírico-funcionais que pudesse (e podia muito), de modo a exercer o mais estrito controle sobre a cenografia das situações narrativas (e essa vontade de tudo querer abarcar parece estar figurada no Côco de Chico Barbós).
Em Corpo de Baile, os deuses e heróis continuam precisando cavalgar diversas léguas, passar os rios pelos vaus e orientar-se pelas estrelas, se viajando de noite; nas estórias de amor, o arruado do Ão (Doralda), a fazenda de dona Vininha (Vênus) e a Samarra (Leonísia) estão localizados ao pé de vertentes de serras que, sempre recobertas por verdes matagais, desenham em seus contrafortes grafismos em "V" semelhantes ao sexo feminino (apud Rosa, num dos Cadernos); o verde das águas do rio Abaeté (Mãe, Glorinha) é também o verde-escuro do vestido de Lina, na fuga do Pinhém. "Nesse mundo, tudo é visível, tudo é concreto, tudo é corpóreo, tudo é material e, concomitantemente, tudo é intensivo, inteligível e artisticamente necessário." (Bakhtin).
A estudada cenografia ficcional de Corpo de Baile, planejada em níveis inéditos de detalhamento, leva, por sua evidente extração científico-naturalista, a Goethe - a quem também muito interessava, de acordo com Bakhtin, a descrição acurada das bacias hidrográficas e das cadeias de montanhas. No começo de Afinidades Eletivas, com efeito, o Capitão visita os domínios do amigo Eduard a fim de logo agrimensá-los, mensurá-los, descrever e apresentar sua superfície aparente: para Bakhtin, o espaço goethiano é regido por uma "necessidade" tão concreta e visível como os afloramentos geológicos.
Essa necessidade histórico-geológica, em Rosa, manifesta-se sobre o tempo t da estória de modo a amorosamente amalgamar descrição e diegese num terceiro composto, tanto mais consistente quanto pleno, comme il faut, de ressonâncias cósmicas: terrae uis. O estudo dos mecanismos desse alegorismo total, Gesamtkunstwerk, precisa fundamentar-se na intrincada intratextualidade dos poemas, e talvez por isso até hoje continue negligenciado pela crítica. (...) Isso ajuda a visualizar, como num mapa, os contornos da rede de relações (simpatias, repulsões) que governa os itinerários no interior do sertão roseano, sem que, para tanto, seja necessário propor uma pouco honrosa ingerência da hermenêutica intertextual (ocultismo, o Brasil, mitologia grega etc.) sobre suas muitas significações possíveis.
Trata-se, claro está, de acionar a máquina do ciclo romanesco e de assisti-la funcionando, apenas reproduzindo seus processos internos. Estes se tornam visíveis na physis do livro através das assinalações dos acidentes e fatos geográficos (o Morro, o rio Urucuia, a constelação do Boieiro etc.), pois estes (pre)figuram, alegoricamente, os caracteres das personagens e seu destino no futuro da leitura. A proposta é determinar a maneira com que a disposição geográfica dos cenários das fazendas, condicionada pelos caprichos da Natur roseana, opera a idéia de uma "orografia cenográfica" (expressão registrada nos Cadernos) que mobiliza todos os poderes do Rosa naturalista e o engenho perverso do Rosa logogrífico.
Essa cenografia das fazendas seria, em alguma medida, homóloga da organização dos membros do corpo alegórico do livro? Isto é, poder-se-ia pensar no espaço cartográfico delimitado pelas principais fazendas de Corpo de Baile como metáfora animada de uma idéia de Totalidade, alegoria cartográfica do Sertão, no-nada?
Estas são as hipóteses, e a desmesura dos cartógrafos do Império, em Borges, é a perfeita imagem da encrenca em que me meti, não acha?
Um abraço,
José Américo.
29.8.07
28.8.07
Our brand is crisis
Pode-se até - com muita razão - detestar Evo Morales e sua trupe de dublês de cocaleros e estadistas.
Assistindo ao documentário supra - cujo título foi extraído da fala de um dos marketeers de Bill Pinton -, termina-se por querer militar ao lado da violenta revolta de 2003 e da conseqüente unção eleitoral do polvoroso MAS, em 2005.
O filme é elegante, agudo. Ressalta a homologia alegórica da Bolívia com o restante do continente por sinédoque e hipérbole, o que é sempre muito tentador. A diretora, norte-americana, acompanha os entreatos da campanha presidencial de Gonzalo Sánchez de Lozada - o ex-presidente neoliberal, epígono de FHC, Salinas e Menem, hoje procurado por diversos crimes - entre os quais a centena de mortes políticas perpetrada em apenas 1 (hum) ano de mandato.
Sempre que precisa exprimir-se em castellano, Gonnie - como é chamado pelos yankees - ostenta um blatant acento Ivy League. Fumando charutos, esse wonderboy da Universidade de Chicago é acometido por um esgar de sobrancelhas e ventas muito bem sacado pelo Angeli, sempre que a injusta distribuição precisa ser resumida numa só fisionomia.
Um ato de seu governo, típico, bastará para sumariar o que interessa: quando se privatizou o serviço estatal de distribuição de água, os indígenas foram proibidos de reservar a água da chuva, pois se precisava garantir a segurança jurídica dos contratos firmados com a empresa francesa.
Acrescento, com Rubem Fonseca, que Gonnie tem aquela feição balofa e sanforizada que certa vez levou o Cobrador a querer, com uma faca bem afiada, extirpar as bochechas de um bebedor de uísque da televisão, deixando a alegre figura com sorriso de caveira. E que a mesma vontade me deu em relação a vários dos estadunidenses, todos eles gerenciadores de focus groups.
Como se sabe, o medo em 2002 venceu por menos de dois pontos percentuais, e só restou à esperança mudar-se para o Bom Retiro, onde trabalha costurando 19 horas por dia.
Assistindo ao documentário supra - cujo título foi extraído da fala de um dos marketeers de Bill Pinton -, termina-se por querer militar ao lado da violenta revolta de 2003 e da conseqüente unção eleitoral do polvoroso MAS, em 2005.
O filme é elegante, agudo. Ressalta a homologia alegórica da Bolívia com o restante do continente por sinédoque e hipérbole, o que é sempre muito tentador. A diretora, norte-americana, acompanha os entreatos da campanha presidencial de Gonzalo Sánchez de Lozada - o ex-presidente neoliberal, epígono de FHC, Salinas e Menem, hoje procurado por diversos crimes - entre os quais a centena de mortes políticas perpetrada em apenas 1 (hum) ano de mandato.
Sempre que precisa exprimir-se em castellano, Gonnie - como é chamado pelos yankees - ostenta um blatant acento Ivy League. Fumando charutos, esse wonderboy da Universidade de Chicago é acometido por um esgar de sobrancelhas e ventas muito bem sacado pelo Angeli, sempre que a injusta distribuição precisa ser resumida numa só fisionomia.
Um ato de seu governo, típico, bastará para sumariar o que interessa: quando se privatizou o serviço estatal de distribuição de água, os indígenas foram proibidos de reservar a água da chuva, pois se precisava garantir a segurança jurídica dos contratos firmados com a empresa francesa.
Acrescento, com Rubem Fonseca, que Gonnie tem aquela feição balofa e sanforizada que certa vez levou o Cobrador a querer, com uma faca bem afiada, extirpar as bochechas de um bebedor de uísque da televisão, deixando a alegre figura com sorriso de caveira. E que a mesma vontade me deu em relação a vários dos estadunidenses, todos eles gerenciadores de focus groups.
Como se sabe, o medo em 2002 venceu por menos de dois pontos percentuais, e só restou à esperança mudar-se para o Bom Retiro, onde trabalha costurando 19 horas por dia.
27.8.07
Fapesp: de volta para o Ensino Superior
Esperamos assim que a famigerada ênfase em "pesquisa operacional" passe a uma gaveta mais remota na mesa do Prof. Vogeler.
Note-se que o governador chileno-paulista está a desfazer, uma a uma, as decreções que assinara no início do ano, relativas ao ensino & pesquisa paulistas.
Note-se que o governador chileno-paulista está a desfazer, uma a uma, as decreções que assinara no início do ano, relativas ao ensino & pesquisa paulistas.
Clarín y timbal!
Por primera vez desde el retorno de la democracia, hace 25 años, el gobierno de Brasil culpó oficialmente a la dictadura que gobernó el país entre 1964 y 1985 de ser responsable por la desaparición forzada de 339 personas y el asesinato de las mismas por decapitación, descuartizamiento y mediante ejecuciones sumarias clandestinas.





