30.11.05

Rédi-mêidi

Os compartimentos plásticos de carga fixados à traseira das motocicletas da PM goiana medem uns 2000 cm3 e ostentam a marca "TRAFFIC", em letras vermelhas e itálicas.

21.11.05

Fahrenheit Forever

O presidente do tribunal eleitoral entrega aos presidentes da câmara e do senado uma proposta legislativa em que se proíbem as imagens externas em programas eleitorais :

(omite-se a possibilidade de fundo-azul)

18.11.05

As palavras explicam o mundo

O identificador de chamadas do meu celular (sim, é uma longa história), na lista de opções em língua francesa, se chama petit police.

17.11.05

4.11.05

Whoopie pies

A dois reais cada, são a delícia imperdível da lanchonete amish de Rio Verde. A mocinha que as serve e cozinha é nurse formada em Kansas City. Uma camada espessíssima de glacê açucarado branco recheando duas metades reconciliadas do melhor brownie do Sudoeste Goiano.

20.10.05

Realização do desejo / Desejo de realização

"Os advogados [de Maluf] ainda afirmaram que a acusação de formação de quadrilha contra Flávio foi feita de forma incorreta, já que o Código Penal pressupõe pelo menos três pessoas, enquanto somente ele e seu pai estão presos."

18.10.05

Nelson Freire

O documentário do João Moreira Salles fez seus estragos. Teatro lotado.
(lembro-me de, em 99, assistir ao no. 3 de Beethoven com o mesmo Freire no mesmo Mvnicipav, sala semi-vazia)
Não muito a dizer sobre o segundo de Brahms. Confesso que o alemão, cujo nome, segundo McDonald, deriva de uma espécie de florica das planícies do Báltico, me deixa quase sempre careta. O segundo movimento, atrapalhado pelos aplausos extemporâneos da multidão extasiada com o final do primeiro, acorde de tônica com tímpanos e tutti, foi exemplo dessa quadradice intolerável (apud. trechos finais do Steppenwolf, do Hesse, outro quadrado). Mas o terceiro, e o quarto! A OSM correspondeu maravilhosamente a um esforçado Minczuk. As trompas, impecáveis.
Sobre o pianista, nada mais precisa ser dito. Cada nota no seu devido, inarredável lugar (coisa parecida só ouvi com Maria-João Pires e Bruno Gelber), intensidades exatas, satisfação plena. Nos extras, Brahms apaixonado por Clara, e Debussy por Chou-chou: Intermezzo Op. 117 em si bemol menor e Children's Corner, Serenata para a Boneca. Glória nacional, esse vovozinho simpático de Boa Esperança.
Depois disso, como ficar para o Prokófiev?

3.10.05

Até São Paulo

Duzentos e vinte quilômetros até Goiânia. O cerrado já está verde.
Então mais hora e meia até São Paulo.

29.9.05

Doce de manga

Minha mãe fez hoje. As mangas, verdes, pegou-as depois que a ventania sacudiu a mangueira da praça.

24.9.05

Porque me ufano de meu País (II)

Nas folhas: a Câmara de Porto Velho (RO) aprovou, em primeiro turno na quarta, um projeto de lei que declara, "profeticamente, Jesus Cristo como único Senhor e Salvador" da cidade. A idéia, que ainda precisa passar por uma segunda votação para se transformar em lei, é do vereador petista José Wildes. No segundo parágrafo de seu projeto de lei, o vereador garante que a cidade "renuncia toda obra realizada no passado de prostituição, impureza, lascívia, ruínas, homicídios, roubos, corrupção, idolatria, feitiçaria, tráfego [sic] de drogas, prostituição infantil, e toda maldição de primeira, segunda, terceira e quarta geração".

15.9.05

No NYTimes, a propósito do recrudescimento da Santa Inquisição

"Não se sabe quantos padres católicos são gays. As estimativas variam de 10% a 60%. O catecismo da Igreja Católica afirma que pessoas com tendências homossexuais 'profundas' devem viver em estado de castidade porque 'os atos homossexuais são intrinsecamente doentes'".

Até aí tudo bem, do peixe se espera que nade e dos deputados que roubem. Mas terá sido proposital o trocadilho sugerido com "profundas"? Hope so.

14.9.05

A mão libertária que lancetou...

Ao ouvir essa expressão sendo dita por alguém na tribuna do parlamento nacional, desliguei tudo e fui terminar de ler um livro sobre a Revolução Francesa.

9.9.05

Sete de Setembro (II)

Certa vez eu desfilei. Tinha 8 anos. Alguém me lambuzou com borra de café diluída em óleo de soja. Mandaram-me então, enquanto caminhava Avenida Presidente Vargas abaixo, sofrer açoites de mentira de um coleguinha não-pintado e melhor vestido. Representávamos, penso, a mistura de raças no Brasil.

8.9.05

Independence Day

A crônica dos desalmados e antipatrióticos comunistas dá conta de que o príncipe D. Pedro estava a defecar nas plácidas moitas do Ipiranga quando, ato contínuo, deu seguimento ao alívio geral gritando "As cortes portuguesas que se lasquem, ó pá!".
Já os livros de Educação Moral e Cívica, bastante insuspeitos, subscreviam tudo que Pedro Américo teve a cara de pau de, muitos anos depois, patrioticamente encenar: dragões, espadas desembainhadas (êpa!) e um sentimento geral de primeira missa.
Pessoalmente acho que tudo não passou de ceninha. As margens do Ipiranga parecem ok, mas como acreditar no Tarcísio Meira?

5.9.05

Mais de 300 mil pessoas vão a show de Elton John no Coliseu

Na próxima semana, aparecerá nos céus da Europa o cometa que anunciará o início da segunda etapa do Grande Plano: transformar, via bombardeio de cola seca-rápido e vidrilhos espelhados, a lua num imenso globo de boate.
Então todos os habitantes da Terra, dançando alucinadamente, serão presa fácil.

1.9.05

Definição negativa da alma

"É aquilo que se retrai quando ouve falar de séries algébricas"

Robert Musil, Der Mann ohne Eigenschaften

30.8.05

Ulrich militar

"Naquele tempo, não dava o mínimo valor a expressões pacifistas como 'educação armada do povo', mas recordava com paixão os tempos heróicos de feudalismo, violência e orgulho. Participava de corridas de cavalo, duelava, e distinguia apenas três espécies de pessoas: oficiais, mulheres e civis; os últimos eram uma classe fisicamente não desenvolvida e espiritualmente desprezível, cujas mulheres e filhas eram arrebatadas pelos oficiais. Entregou-se a um pessimismo sublime: parecia-lhe que se a profissão de soldado é um instrumento aguçado e ardente, era preciso queimar e cortar o mundo com esse instrumento, para seu próprio bem".

Porque me ufano de meu país

Em Rio Verde, praticamente todos os habitantes usam telefones celulares clonados em São Paulo. Os locais os chamam de "bodinhos", não sei se por anglicismo ou caprinidade. Os aparelhos são facilmente alugados de fornecedores devidamente habilitados - geralmente jovens delinqüentes de 15 ou 16 anos - e, após o uso, que pode durar dias de ligações internacionais ou para o Tocantins mesmo (nova Meca do deslumbramento migrante), são devolvidos para nova clonagem.
Quanto a vocês eu não sei, mas vejo nisso hábitos revolucionários muito salutares:

- práticas lesivas às empresas telefônicas multinacionais, de grão em grão, causarão sua ruína e a conseqüente libertação final dos povos oprimidos.
- são auto-sustentáveis.
- contam com o apoio tácito ou quase explícito das autoridades civis do lugar que, pouco a pouco convertidas à funcionalidade dessas práticas extra-legais, em breve farão vista grossa aos molotov.
- aumentam o PIB informal do município ao expropiarem os capitais de São Paulo, diminuindo assim as disparidades regionais e popularizando a comunicação digital.
- Confirmada a origem caprina do termo, muito de demoníaco e, conseqüentemente, subversivo, cristalizar-se-á pouco a pouco na fala cotidiana da população, conquistando corações, mentes e dedos (sic).

17.8.05

Guimarães Rosa é o maior

"Falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituânio, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do tcheco, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração".