14.1.13


É preciso ter muito sangue reaça nos olhinhos direitosos para ter a coragem de pagar este mico público. Provavelmente são todos leitores do R. Azemêdo. E, a propósito, não se vê nenhum negro ou pardo.

  • Fernando Augustus curtiu isto.
  • Fernando Augustus Hahahaha

  • Fernando Augustus Cantaram Geraldo Vandré?

  • José Américo de Melo Acho que foram hinos separatistas.

  • Breno Beneducci Vocês são muito insensíveis com esses coitadinhos. Eles só querem as faxineiras de volta.

  • Fernando Augustus É muito sofrimento ...

  • José Américo de Melo Verdade. Porque com o bolsa família os pobres viraram todos vagabundos, não trabalham mais pela justa remuneração oferecida pela casa-grande e preferem beber cachaça o dia todo, aliás como seu mentor eneadáctilo.

  • Fernando Augustus E os hinos? Algo como "Moema Livre", "Pela liberdade dos ricos", "Por melhores petshops "?

  • José Américo de Melo "Pagar mais pela luz é iluminar o Brasil", "Pátria, trabalho e religião" e "Volta, Lacerda" foram os hits mais cantados.

  • Fernando Augustus Hahahaha

  • Breno Beneducci Com as faxineiras freqüentando faculdade, quem vai limpar o terraço gourmet?

  • Breno Beneducci Mas peraí, esse número, 20 pessoas, qual é a fonte? Os organizadores do evento, ou a prefeitura? Porque sempre tem uma diferença grande.

  • José Américo de Melo Acho que é a Bôlha mesmo, isto é, na verdade deviam ser 13 ou 15 manés.

  • Breno Beneducci Deve ter sido difícil contar: são todos brancos e com a mesma camiseta.

  • José Américo de Melo E a mesma cara de gente insuportável.
  • Breno Beneducci Hahaha! Sebosos entojados.

  • Fernando Augustus Zelite branca ...

  • Breno Beneducci Acho que eles têm essa cara porque os aeroportos agora parecem rodoviárias. Os caras sofrem muito.

  • Fernando Augustus Todos acolitos do Mainardi...


    José Américo de Melo Nem acho que todos sejam dazelite, embora brancos. Tem muito paga-pau-de-neoliberal nas classes médias e nem tanto.

  • Breno Beneducci Não são das elites, mas queriam ser. O que certas pessoas não fazem por um terraço gourmet com adega climatizada.

  • Fernando Augustus A nova direita usa calcinha branca ...

  • José Américo de Melo Êpa!

29.12.12

Pequeno glossário do século XXI

austeridade = pau no pobre
domínio do fato = apodreçam na cadeia, seus malditos petistas!
ensaio sensual = só aparecem, no máximo, os peitos
excesso de veículos = falta de metrô
família = dois ou mais votos
mma = vale-tudo, pra valer
pet = cachorro, gato, papagaio etc., pôrra!
ponto de alagamento = rua cheia de merda
praia imprópria para banho = praia cheia de merda

sustentabilidade = hahahahahaha

1.12.12

Toda vez que ouço falar em "mineiridade", "baianidade" ou "brasilidade", sinto vontade de sacar minha goianidão.

9.11.12

Isso posto, só tenho uma cousa a acrescentar: entra Umbabaraúma, sale Ouktomanauebah.


"Continuei a folhear a parte escrita do livro e logo a coluna Origem fascinou-me e nela comecei a viajar prodigiosamente na toponímia das gerais. Havia cidades de nomes escuros como tocas, noturnos antros, poço – Aiuruoca, Itaúna, Mutum; outras, tinham-nos de desolação partida adeus e descampado – Abre Campo, Além Paraíba, Bonfim, os dois Carmos (de Parnaíba e do Rio Claro), as duas Dores (do Indaiá e da Boa Esperança); de degredo, perigo e desterro – Extrema, Serro, Monte Carmelo, Tremedal, Passa Tempo; de preciosidades secas, estreladas de pedrarias – diamante do Abaeté, Grão Mogol, Estrela do Sul, Lavras, Diamantina, Minas Novas; das riquezas do metal diabólico – Vila Rica, Ouro Preto, Ouro Fino, Cocais; das espirais de conchas cheias de eco no bojo recurvo – Caracol, outra vez Aiuruoca, Guaranésia, Jequitinhonha, Manhuaçu, Paraopeba, Pirapora, Cataguases, Guanhães; das alegrias sonorosas, promissoras de noites mineiras de lua, violões, cachaça e canções – Campista, Frutal, Palma, Prados, Oliveira, Minas Novas, Sete Lagoas; de dura agressividade – de novo Pirapora, Rio Casca, Itapecerica, Carangola, Três Pontas. Lindas de nome, de nomes peito aberto, sugestivos de figuras maternais ou dos vultos das amadas – Palmira, Leopoldina, Mariana, Januária, Patrocínio, Bárbara, Luzia, Quitéria, Rita e Conceição. Os achados que eu ia fazendo me encantavam e vi que meu trabalho marcharia inseparável da poesia geográfica da minha Minas." (Pedro Nava)

7.11.12

Sempre que leio velhos intelectuais relembrando os velhos tempos de universidade, quando conheceram colegas célebres e/ou se deram conta pela primeira vez da injusta distribuição e/ou de sua missão intelectual neste mundo, ouço nas entrelinhas os silêncios estridentes das farras, bebedeiras e putarias omitidas. Menos nos casos do R. Schwarz e do A. Candido: esses parece que só estudaram mesmo (Oswald e Luís Martins zoavam os chatoboys da usp por só frequentarem leiterias).

5.11.12

O que acho mais genial na política de cotas para alunos de escolas públicas é que muito mauricinho patricinha vai começar a pensar em se transferir para uma escola estadual de olho na vaga universitária. Assim, aos poucos deixando de funcionar como uma espécie de presídio semiaberto (os prédios das escolas públicas reproduzem até as grades) exclusivo dos jovens pobres (e são quase todos pretos ou quase pretos etc.), pode ser que um dia melhoremos.

15.10.12

"Todavía estudiantes en Cambridge, Robert Southey y Samuel Taylor Coleridge conciben la idea de la Pantisocracia: una sociedad comunista, libre e igualitaria, que combinaría la «inocencia de la edad patriarcal» con los «refinamientos de la Europa moderna». El tema revolucionario del comunismo libertario se enlaza así al tema religioso del restablecimiento de la inocencia original. Los dos jóvenes poetas deciden embarcarse hacia América para fundar en el nuevo continente la sociedad pantisocrática, pero Coleridge cambia de opinión cuando se entera de que Southey pretendía llevar con ellos a un criado. Años más tarde el joven Shelley, acompañado de su primera mujer, Harriette, ambos casi adolescentes, visita a Southey en su retiro del Lake District. El viejo poeta ex republicano encuentra que su joven admirador era «exactamente como yo había sido en 1794». En cambio, al contar en una carta a su amigo Thomas Hogg las impresiones de su visita, Shelley escribe: «Southey es un hombre corrompido por el mundo y contaminado por los honores y las tradiciones» (7 enero 1812)." (O. P.)

28.9.12

Warum?

"1. Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: "Estou relendo ... " e nunca "Estou lendo ... ".
[...]
2. Dizem-se clássicos aqueles livros que constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado; mas constituem uma riqueza não menor para quem se reserva a sorte de lê-los pela primeira vez nas melhores condições para apreciá-las.
[...]
3. Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.
[...]
4. Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira.
[...]
5. Toda primeira leitura de um clássico é na realidade uma releitura.
[...]
A definição 4 pode ser considerada corolário desta:
6. Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo
que tinha para dizer.
Ao passo que a definição 5 remete para uma formulação mais explicativa, como:
7. Os clássicos são aqueles livros que chegam até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram (ou mais simplesmente na linguagem ou nos costumes).
[...]
8. Um clássico é uma obra que provoca incessantemente uma nuvem de discursos críticos sobre si, mas continuamente as repele para longe.
[...]
9. Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos.
[...]
10. Chama-se de clássico um livro que se configura como equivalente do universo, à semelhança dos antigos talismãs.
[...]
11. O "seu" clássico é aquele que não pode ser-lhe indiferente e que serve para definir a você próprio em relação e talvez em contraste com ele.
[...]
12. Um clássico é um livro que vem antes de outros clássicos; mas quem leu antes os outros e depois lê aquele, reconhece logo o seu lugar na genealogia.
13. É clássico aquilo que tende a relegar as atualidades à posição de barulho de fundo, mas ao mesmo tempo não pode prescindir desse barulho de fundo.
[...]
14. É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível."

(Italo Calvino)

7.8.12

Os íntimos de Machado de Assis dizem "Machado". Os de Guimarães Rosa, "Rosa". Machado x Rosa fisicamente é até covardia, mas lembro sempre do adágio de um quadrinho artesanal que mamã já teve na parede do quarto: "Sê como o sândalo, que perfuma o machado que o fere".

26.7.12

Flexuoso e vinífero

Até hoje, em todas as vezes que venho ao cerrado, o reencontro com o buriti é sempre uma pequena comoção.

21.7.12

Afinal, o ensinamento mais útil que restou de meus anos (êpa!) como engenheiro químico foi o de saber que o processamento de álcool no figueirêdo é uma reação de ordem zero. Isto é - ao contrário da maioria de todas as outras reações do universo, não está nem aí para a concentração de reagente. Etanol -> em algum momento glicose, mas a taxa não depende da quantidade bebida, é invariável, é figadal. Daí o acúmulo, o excesso, a enxúndia.

3.7.12

Nunca fui à Flip. Não pretendo ir à Flip.

23.5.12

Quando dei à minha tese o subtítulo "atlas fotográfico", somando um aspecto conspícuo do trabalho a outro, ainda não sabia que os temas dos atlas fotográficos mais frequentes nas livrarias, bibliotecas e internetes correspondem exatamente às terceiras metades da Ideia toda: anatomia humana (ou histologia, fisiologia, zoologia, botânica etc.) e astronomia (os planetas e a Via Láctea).

20.5.12

Personal Xiros

Neste maio tive uma experiência aero-marítimo-terrestre equivalente à do comissário de bordo protagonista de "A ilha do meio-dia", conto do bom e velho Julio (Todos os fogos o fogo):

"[...] quando no oval azul da janela entrou o litoral da ilha, a franja dourada da praia, as colinas que subiam em direção ao planalto desolado. Marini sorriu para a passageira, corrigindo a posição defeituosa do copo de cerveja. 'As ilhas gregas', disse. 'Oh, yes, Greece', respondeu a americana com um falso interesse. Um som breve de campainha e o comissário de bordo se ergueu, sem que o sorriso profissional se apagasse de sua boca de lábios finos. [...] A ilha era pequena e solitária, e o Egeu a cercava com um azul intenso que ressaltava a orla de um branco deslumbrante e como que petrificado, que lá embaixo seria espuma rompendo nos recifes e nas enseadas. Marini percebeu que as praias desertas corriam em direção ao norte e ao oeste, o resto eram montanhas que entravam abruptamente no mar. Uma ilha rochosa e deserta, se bem que a mancha cor de chumbo perto da praia do norte pudesse ser uma casa, talvez um grupo de casas primitivas. Começou a abrir a lata de suco e ao erguer-se a ilha desapareceu da janela: sobrou apenas o mar, um verde horizonte interminável."

Minha última viagem ao Tocantins. Já bem perto do aeroporto da chegada, aí pelas 17h, vi pela janela estas duas pequenas enseadas, banhadas de sol na margem esquerda do lago. Há tempos as cobiçava como troféus faltantes em minha carreira de ciclista-fotógrafo contemplativo - talvez sejam as únicas reentrâncias não fluviais daquele litoral interior tão fluvialmente regular. Sabia pelo mapa gúglico que lá haveria boas photo-ops.


Pouco antes das 17h daquele mesmo dia da semana na semana seguinte, e após diversas peripécias no trajeto, logrei alcançar minha personal ilha de Xiros. Surpreso - pois ainda não havia me lembrado de Cortázar -, quando tirava a fotografia abaixo ouvi, e vi,  logo acima de mim, um avião da mesma linha aérea baixando pelo rumo do pouso. Até distingui as janelinhas, bem nítidas.


E me vi me vendo. Disso, felizmente, não restou registro.

14.4.12

Glossary of Brazilian Terms

aguardente [ah.gwar.dehn'tih], literally "fire water"- same as cachaça
(q.v.)
buriti [boo.ree.tee], a mauritia or burity palm (Mauritia spp.).
caatinga [kah.teen'gah], any region of stunted vegetation, especially that found in the drought areas of northeastern Brazil.
cabra [kah'brah], bandit, ruffian; backwoods assassin; half-breed Negro.
cachaça [kah.sha'ssah], raw, white cane alcohol; called also pinga and aguardente.
capanga [kah.pahn'gah], thug, ruffian; hoodlum; hired assassin; henchman; bodyguard.
caruru [kah.roo.roo'], gumbo.
chapadão [shah.pah.dahoong], tableland, extensive plateau.
comblém [koom.blem], a type of gun of foreign make.
compadre [koom.pah'dreh], bosom friend, crony.
conto [kohn'too], one thousand milreis-about $250.00 at that time.
delegado [deh.leh.gah'doo], chief of police.
dona [doh'nah], lady, madam; also, a title equivalent to Miss or Mrs. prefixed to the Christian name: as, Dona Maria.
fazenda [fah.zehn'dah], large plantation or cattle ranch; a landed estate. (The Portuguese equivalent of Spanish hacienda.)
fazendeiro [fah.zehn.day'roo], owner of a fazenda; cattle rancher; planter.
farofa [fah.raw'fah], a dish made of manioc meal browned in grease or butter; sometimes mixed with bits of meat, crisp fat, chopped eggs, etc.
faveira [fah.vay'rah], a large leguminous tree.
gerais [zheh.rise'], high open country, vast upland plains in the backlands.
gravatá [grah.vah.tah'], any of numerous plants of the pineapple family.
jacuba [zhah.koo'bah], a drink composed of manioc meal, water, sugar or honey, and cachaça.
jagunço [zhah.goon'soo], in this book, a member of a lawless band of armed ruffians in the hire of rival politicos, who warred against each other and against the military, at the turn of the century, in northeastern Brazil. Cf. cabra and capanga.
januária [zhah.noo.ah'reeyah], a brand of cachaça (q.v.).
joão-conqo [zhoo.ah'oong kohn'goo], a large bird of the oriole family.
liso [lee'zoo], large, flat desert. Cf. raso.
milreis [meel.rays'], an old Brazilian monetary unit, equal at that time to about 25 cents.
mutuca [moo.too'kah], a kind of horse fly.
noruega [noh.roo.eh'gah], a cold, sharp wind; also, cool, damp ground sloping away from the sun.
pinga [peeng'ah], same as cachaça (q.v.).
piranha [pee.rahn'yuh], a voracious fresh-water fish: the caribe.
rapadura [rah.pah.doo'rah], raw brown sugar in hard squares, eaten as food or candy.
raso [rah'zoo], extensive tract of flat, desert land. Cf. liso.
saci [sah.see'], in Brazilian folklore, a small, one-legged, mischievous Negro, who pesters wayfarers at night or sets traps for them.
Seo, Seo, Seu, Sio = abbreviations of senhor (q.v.).
senhor [seh.nhor'], mister, sir; any gentleman. [Used in formal conversation as the equivalent of "you."]
serra [seh'rrah], sierra, mountain range.
sertão [sehr.tahoong'], hinterland, sparsely settled interior of the country; in particular, the backlands of the Brazilian Northeast. In this book, the term refers mainly to the northen half of the State of Minas Gerais.
sertanejo [sehr.tahn.ay.zhoo'], backlander; an inhabitant of the sertão.
traíra [trah.ee'rah], a voracious, fresh-water tropical fish.
vereda [veh.reh'dah], in this story, any headwaters stream smaller than a river.
zebu [zeh.boo'], humped cattle.

(Da edição gringo-ianque de GS:V, 1963, como oferenda ao sétimo ano de B.-do-U.; hurrah!)

20.3.12

Continua mui proveitosa a leitura do tratado de história literária da Picchio. Estou naquela parte em que todo mundo puxa o saco do imperador, morre de tuberculose, vira poeta escolar e enredo de escola de samba.

14.2.12

Consta que certo periódico semanal corrente entre a massa de burguesotes semiletrados baniu o emprego de caixa alta para referir-se a Estado, o conceito opressor consagrado pela ciência política comunista, deixando tudo igual a estado, mesma forma para os atuais entes da federação, o estado gasoso da matéria etc. Como é patético o fervor mercadista desses foliculários, que preferem incitar a confusão conceitual a abdicar de sua ridícula e repetitiva apologia ao liberalismo de free shop!

10.2.12

Duas providências urgentes e já tomadas sobre o restabelecimento de meu conforto "matérico-espiritual" (como já vi escrito a sério numa crítica de arte contiporânea) imediato: nova cadeira de rodinhas ("diretor") e nova afinação para o piano. O dó central, tão nosso amigo, estava de doer; assim como minhas costas na antiga cadeira dura, que agora serve para esticar as pernas. Eu envelheço, eu envelheço.

8.2.12

Como estou à espera de um concurso qualquer na área, para minimamente me preparar comecei a ler a história da literatura brasileira da Luciana Stegagno Picchio. É sem dúvida o melhor e mais informado manual da praça, além de vir numa ótima encadernação vermelha.

7.2.12

Dois sinais inequívocos de que estou mesmo restabelecido em São Paulo: mudei a cidade-padrão da consulta do Climatempo para esta capital sudestina; e trouxe comigo meu travesseiro insubstituível.
Os 24 bilhões por três aeroportos mequetrefes - um deles, o de Campinas, parece a antiga e execrável rodoviária daquela alegre cidade.
Outrora, os 4 bilhões - se tantos - pela Vale do Rio Doce inteira, jazidas eternas, milhares de quilômetros de ferrovias, portos, usinas siderúrgicas e tudo o mais, e cada vez menos, que há de metálico e não metálico por debaixo do chão. Quando morava em Minas havia até mesmo, e acho que ainda há, um glorioso time da terceira divisão que, fundado em 1942 num clube de funcionários - itabirano! -, costumava ser pronunciado "Valériodoce" pelos fans e locutores, ou, segundo os mais íntimos, "Valério"; deve ter entrado no pacote também.

3.2.12


Adopt a tree and kill a child, o my brothers.

1.2.12

Deprimido com o triunfo da extrema-direta em todos os media. O fantasma do bolchevismo internacional, a despeito do financismo triunfante, logrou funcionar como espantalho permanente para o consumo de burguesotes semiletrados. Tudo que tem face de certo modo humana e social passou a ser automaticamente considerado suspeito de crimes capitais. No entanto, campeiam os fascistas de sempre, travestidos de honestos representantes do juste-milieu. A realidade deixou de ter qualquer mínima importância, tendo sido substituída pelas seduções escandalosas da reality controlada. Quem dera ser um peixe.

26.1.12

O que houve em Rondônia?

 
E a Kátia "Pega no Meu" Abreu quer mais, muito mais.

O que houve em Pinheirinho?

Ficam ali caracterizadas as responsabilidades de quem faltou com seus deveres e recorreu à arbitrariedade
 

A ação realizada pelo governo paulista por intermédio de sua Polícia Militar em Pinheirinho, São José dos Campos, usou o nome técnico de "reintegração de posse". Algum juiz chamaria, com base no direito que aprendeu, de reintegração de posse o que houve em Pinheirinho? Ou haveria como fazê-lo com base nos artigos e princípios reunidos pela Constituição?
Se o nome técnico de reintegração de posse é insuficiente para designar a ação realizada em Pinheirinho, o que houve lá, com a utilização abusiva de um mandado judicial, ato tecnicamente legítimo de um magistrado?
O ataque foi às seis da manhã. Para surpreender, como se deu, os ocupantes da ex-propriedade de Naji Nahas ainda dormindo ou nos seus primeiros afazeres pessoais.
O governo Alckmin e o prefeito de São José dos Campos, ainda que há muito sabedores de que a reclamada reintegração exigiria a instalação das 2.000 famílias desalojadas, não incomodaram nesse sentido o seu humanitarismo de peessedebistas.
Sair para onde? -Eis o impulso da resistência dos mais inconformados ou menos subjugados pelos séculos de história social que lhes cabe representar.
Não posso dizer o que acho que devessem fazer já à primeira brutalidade covarde da polícia. Seja, porém, o que for que tenham feito, o direito de defesa está na Constituição como integrante legítimo da cidadania. E se foi utilizado, duas razões o explicam.
Uma, a ação policial de maneiras e formas não autorizadas pelo mandado de reintegração de posse, por inconciliáveis com os limites legais da ação policial.
Segunda razão, a absoluta inexistência das alternativas de moradia que o governo Alckmin e o prefeito Eduardo Cury tinham a obrigação funcional e legal de entregar aos removidos, para não expulsar, dos seus forjados tetos para o danem-se, crianças, idosos, doentes, as famílias inteiras que viviam em Pinheirinho há oito anos.
Atendidas essas duas condições, só os que perdessem o juízo prefeririam ficar na área ocupada, e alguns até resistirem à saída. Logo, ficam ali caracterizadas as responsabilidades de quem faltou com seus deveres e, por ter faltado, recorreu à arbitrariedade plena: tiros e vítimas de ferimentos, surras com cassetetes e partes de armamentos (mesmo em pessoas de mãos elevadas, indefesas e passivas, como documentado); destruição não só das moradas, mas dos bens -perdão, bem nenhum- das posses mínimas que podem ter as pessoas ainda carentes de invasões para pensar que moram em algum lugar.
O que houve em Pinheirinho, São José dos Campos, SP, não foi reintegração de posse.
Essa expressão do direito não se destina a acobertar nem disfarçar crimes. Entre eles, o de abuso de poder contra governados.
(Janio de Freitas)

22.1.12



De um excelente sítio evangélico.
Outro dia baixei um filme "pornô feminista" de uma famosa e premiada diretora sueca. Na essência, é igualzinho ao tradicional "pornô machista", mas há muito mais blablablá entre uma cena de sexo e outra - e, durante a coisa, se não é entre duas amigas, as mulheres quase sempre ficam por cima. Ademais, no final há uma cena de qualiragem entre baitolas depilados e de brinco - acho que para ressaltar o efeito de desvirilização planejado. Em suma, não vale nem meia bronha.

21.1.12

Lendo em série vários textos do Roberto Schwarz sobre Machado de Assis, entendi porque ele quase não fala de Guimarães Rosa: o materialismo dialético que serve tão bem à "viravolta" de Brás Cubas fica literalmente sem chão ao pé de um buriti fluente em Plotino.

19.1.12

Eu, hein

Esta besta página de bobices corre sério perigo. O google agora pede no login que se forneça um número de telefone celular "por razões de segurança" - de quem, não fica bem claro. Deve ser para rastrear a localização de blogueiros que dão receitas de bombas caseiras e soltar um personal missile na cabeça deles. Dei um número inventado, mas não sei por quanto tempo vão acreditar (e espero que minha vítima aleatória entenda a situação). Assim, se eu subitamente desaparecer é porque fui sequestrado por um comando SEAL e levado para alguma escola de reeducação moral e cívica no Bible Belt.

15.1.12

Eu já sabia

"Li muitos livros de cavalaria quando era menino, e, por volta dos 14 anos, entusiasmei-me com Ber­nardim (Bernardim Ri­beiro), e depois até com Camilo. Ainda continuo a gostar de Ca­milo, mas quem releio permanentemente é Eça de Queiroz (quando tenho uma gripe, faz mesmo parte da convalescença ler Os Maias); este ano já reli quase todo O crime do padre Amaro e parte da Ilustre casa de Ramires. Camilo, leio-o como quem vai visitar o avô; Eça, leio-o como quem vai visitar a amante."

JGR em entrevista a Arnaldo Saraiva, 1966

13.1.12

True grit (perdão, mas Bravura indômita soa tolo, conquanto não seja muito distante do sentido original) é o melhor faroeste a que já assisti. É verdade que não sou propriamente um veterano no gênero, mas os irmãos Coen conseguiram fazer um filme ao mesmo tempo sujo, violento, macho, sensível, comovente e sublime: grande.

11.1.12

Comecei a ler O amante de Lady Chatterley e não consegui passar da quinquagésima página: a prosa, o enredo e os personagens me pareceram tão bestas e tão perfeitamente adequados a uma paródia em filme pornô que achei melhor reler Esaú e Jacó. Certos livros só entram para o cânone porque são escritos em inglês.
Enquanto seo Melancolia não vem, descubro que a gravação de Le nozze di Figaro realizada em 1968 por Karl Böhm (com Hermann Prey, Edith Mathis, Gundula Janowitz e grande elenco) é ainda melhor que a de Carlo Maria Giulini (1961), que até agora ocupava meu topo das tops. O time feminino é fenomenal, a orquestra canta junto, transfigurada em instrumento único, e o Figaro de Prey é o mais bem-humorado que já ouvi.

Planeta Melancolia, por que tanto tardas?

"Enquanto o atendimento de saúde do complexo não fica pronto, a prefeitura vai oferecer no local a possibilidade de os dependentes químicos tomarem banho, dirigirem-se ao albergue para alimentação e descanso e, nas palavras da vice-prefeita, 'se distraírem'. 'São várias armas [para tirar os viciados das ruas]. A bola [de futebol] é uma mágica. A bola funciona com quase todos. Temos todos os joguinhos que têm nos bares de São Paulo. Pebolim é muito querido. Tênis de mesa, menos, mas também [é querido]. E temos jogos de tabuleiro', descreve a vice-prefeita."

9.1.12

O que mais me envergonha, revolta, consterna e enoja nem é tanto a truculência racista do pm que agrediu o coitado do menino no dce da usp - algo previsível quando a opus dei está no poder -, mas o uol dar a notícia com um "suposto" na frente de "estudante da usp" quando se vê no vídeo o próprio aluno se identificando, e que no texto está escrito que foram apresentadas duas carteirinhas como prova - como se fosse necessário ser estudante para estar naquele local público, como se fosse necessário ser considerado branco para não ser suspeito de qualquer coisa, para não apanhar e ser xingado. Que país de merda este nosso, que polícia de merda, que imprensa de merda. Planeta Melancolia, venha logo.

8.1.12

Em algumas semanas vão reeditar um capítulo do Verdade tropical numa espécie de livrinho semididático. Porque vou escrever a quarta capa, estou sendo obrigado a ler o caetânico bagulho. Que digo? "Bagulho" é bondade excessiva. É um troço escabrosamente narcisístico, pedante, balofo, pretensioso, abominável, mal escrito - ruim de doer. Não é à toa que o cara está ficando a cara do fhc enquanto envelhece. Para me desintoxicar, ouço "Nega" com Gil e Ben. Na raiz, limpa o corpo humano.

5.1.12

Os preclaros governos paulista e paulistano ora apostam em "dor e sofrimento" para expulsar os craqueiros de seu histórico habitat nos Campos Elíseos. Que vontade de me juntar aos separatistas bandeirantes.

4.1.12


Talvez não seja a melhor versão da Flauta, mas foi a primeira a que assisti em vídeo, gravado em vhs a partir de uma precária transmissão da TVE do Rio em 91 (caramba, há mais de 20 anos?), e que me fez gostar de ópera (de Mozart e Monteverdi, todas as outras são chatas). O certo é que esta Pamina (Edith Mathis) é perfeita, insuperável - e uma das minhas primeiras namoradas.

3.1.12

Hora de voltar

Noite passada sonhei que chegava a São Paulo, pegava um táxi em Congonhas e... não sabia mais meu próprio endereço.

2.1.12

Acabei de ler Deus, um delírio, do Richard Dawkins - que ganhei, vede só, de presente de natal.
Pareceu-me que o livro, conquanto divertido aqui e ali, não passa de uma catilinária meio delirante contra o sobrenatural e a religião. Não que essas cousas sejam respeitáveis - odeio e quase sempre escarneço tudo que se aproxime de padres, templos, êxtases, dogmas e dízimos (embora leia horóscopos para me precaver de las brujas) -, mas o cara claramente despiroca. Afinal, escrever 500 páginas para tentar provar que os deuses não existem não seria respeitá-los em excesso? Tudo bem, é certo que as cousas andam mal no mundo anglo-saxônico - embora britânico, o autor prega mesmo para o público ianque, que nas próximas eleições votará en masse nos crentes entusiastas do extermínio de gays, ateus, bolivarianos e demais endemoniados -, e um pouco de descrença e laicidade seria muito bem-vindo por lá. Mas, a despeito de não manjar nada de biologia evolucionista, achei que os argumentos fornecidos com base em Darwin carecem de fundamentação científica, são simples suposições meio common sense, meio wishful thinking: afirmações sem provas - tal como os dogmas combatidos, e com retórica menos atraente.
Talvez bastasse sair pichando "Cachorros foderam o Papa" por aí.

31.12.11

Cousas loicas

No mesmo dia em que li um horóscopo gringo dizendo que os meses à minha frente podem ser descritos como "between a rock and a hard place", passei para uma fase do Battlefield 3 precisamente intitulada "rock and hard place", uma luta insana contra uma divisão paraquedista russa. E trasanteontem assisti pela primeira vez ao Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, ótimo filme inglês de 1998 em que um dos personagens - judeu - diz durante o grande assalto que é Hanukkah. Ora, o dia 28 passado foi mesmo Hanukkah, conforme informa a wikipedia.
Moral da história: será que devo, afinal, converter-me à Cabala - como consta que fez o Guy Ritchie, diretor do filme, durante o casamento com a Madonna? Cartas para esta embrejada redação.

27.12.11


Ontem, de bicicleta, tive um alumbramento musical involuntário - ocasionado, como sempre, pelo shuffle. O piano começou a tocar uma bonita e aparentemente desconhecida melodia brasileira, e logo me pus a pensar se seria Camargo Guarnieri ou Francisco Mignone ou, quizás, Alberto Nepomuceno. Meus amigos, meus inimigos, não se tratava de nenhum compositor pátrio: puxei a maquineta do bolso e descobri que era puro Chopin tocado por Nelson Freire, our eternal hero. Num segundo, desse modo, saquei pelo avesso de onde vêm os nossos suspiros poéticos e saudades musicais da Polônia, França e Bahia via Ernesto Nazareth e outras polcas.
A tarde foi mesmo produtiva. Alguns quilômetros depois cheguei a uma conclusão definitiva sobre o ciclo de vida das nuvens.

26.12.11

Brasil, sexta economia do mundo. E daí? Como aconteceu durante o governo da rafameia petralha, a notícia "tem de ser recebida com cautela". Fosse este um governo de homens bons, o mais cético dos "analistas" da "imprensa independente" diria que é "uma conquista relevante no cenário internacional, fruto da seriedade, compromisso ético e trabalho do governo - e também, por que não?, do povo brasileiro".

22.12.11


Nos Estados Unidos é sempre Natal.

21.12.11

Visão - ou melhor, audição - do inferno: acabo (7h30) de passar a pé em frente a uma clínica de recuperação de drogados. Durante o que parecia um café-da-manhã ao ar livre típico do lugar (sobrado murado de poucas janelas), a música sertaneja castigava feio.

20.12.11

A pele que habito é muito chato. A mocinha é um homem, o Banderas continua canastra como nunca e o pretenso clima noir-trágico do enredo me deu vontade de ir fazer outra coisa.

17.12.11

Não acho que o FHC tenha pessoalmente roubado durante os mandatos dele. O cara era um mero testa-de-ferro dos espertalhões flagrados no Privataria, tolo contente só com o pagamento em vaidade e honoris causos, sem precisar meter a mão no butim.

16.12.11

Li o Privataria. É, de fato, assombroso. Se metade do que nele se diz for verdade, o mensalão - ao menos em valores envolvidos - não passa mesmo de piada de salão.

14.12.11

Os eleitores do Serra não estão nem aí se ele e toda a família são corruptos e ladrões, como afirma o tal livro sobre a privataria. É necessário, afinal, votar em algum antipetista - qualquer um -, e tanto melhor se ele for paulista e morar no Alto de Pinheiros. Aécio não entra na conta porque é mineiro, sub-raça que não combina com os altos desígnios de militarização, roubalheira e separatismo dos tucanos bandeirantes.

8.12.11

Minha experiência com as "redes sociais" se resumiu a perder tempo com diversas bobagens inúteis e opiniões idem enquanto tudo era rastreado pela CIA.
De volta à boa e velha falta de "interatividade".

29.6.11

As loxodrômicas, assim como as veredas, suavizam os gradientes de saudade do caminho.

3.8.10

Érico diz:
acho o miele um grande cara

Breno diz:
aposto como ele foi um grande comedor nos tempos áureos

Érico diz:
lembra do show em que as minas mostravam os peitos?

Breno diz:
claro

Érico diz:
tutti-frutti?
hahahaha

Breno diz:
haha
não lembrava o nome
manchete?

Érico diz:
pode ser
estamos velhos

Breno diz:
meia idade, relaxa
e temos barba

23.6.10

"Não, Aécio!"
"Vai, Dilma!"

26.5.10

Um boi & os homens


Sem trema nem novas ideias, o laborioso primeiro quinquênio de B.-do-U. se comemora somente agora que voltei de Meca, Medina, Jerusalém, Fátima, Lourdes, Medjugorje, Juazeiro do Norte, Dona Vininha e Curvelo carregando olhos-de-boi.

Post-post: Olhos-de-boi e demais roseanices em Geraes

3.5.10

Em línguas

Na madrugada sonhei alto falando em francês - língua que absolutamente não domino, apesar de nela ser considerado proficiente pelo Instituto AC de Letras.
Pena é que a única testemunha do acontecido também não seja fluente no idioma de Baudelaire: jamais saberei se a voz das vidas passadas tinha acento gascão ou, quizás, suburbano-parisiense.

28.4.10

Agruras de um encanecido jovem revisor

Como grupo (que agregava outros artistas também), experimentamos algumas formas de nos agrupar, planejando eventos onde pudéssemos contrapor nossos trabalhos não só entre nós, mas também com aquilo que estava sendo produzido em outros lugares. Slide shows, simpósios, palestras, discussões, encontros, etc., aconteceram com a intenção de desencobrir e de inventar questões concernentes a nossa prática como artistas.

5.3.10

Anticota = Antichrist

Só que em um país miscigenado como é o Brasil, as fronteiras raciais não seriam tão evidentes quanto as que se verificam em países desde há muito fortemente segregados. Como definir quem teria direito a ser tratado como "negro"?

(Bôlha)

N. do B.: Basta consultar qualquer pm ou segurança de magazine.

25.2.10


"Sim, bem... depois que minha mulher morreu é que fui começar a tragar."

23.2.10

Hors d'oeuvres

A desfrutável instituição cultural que me provê o ganha-pão planeja uma série de banquetes "conceituais", precedidos, a cada e faustosa noite (pensai em Bayreuth, Dubai, Istambul!), por um "curso histórico" de "gastronomia".
Tudo consiste, claro, em mero convescote de ricos maganos (um banco suíço cúmplice terá o logotipo estampado em todos os guardanapos), mais um vez com o patrocínio arregalado das arcas públicas. O ímpeto didático é apenas a cunha marota com que se extorque do Governo o sumo aliciante da renúncia fiscal ("difusão" da "cultura" etc.).
Entrementes, orgulhosos do patrício Gini 0,58 (crede, o de Honduras não é maior!), os mesmos e locupletos maganos são honestamente capazes de afetar horror ao "radicalismo" do ora repuxado modelito petê. Convindo, raro e piedoso leitor, que - excetuadas as psolices de mostruário - os planos da patota cumpanhêra apenas esbocem um tímido (e inútil) chamamento à ordem no galinheiro, só resta ansiar pelo advento próximo de cabeças íntegras como as de Saint-Just e Robespierre.
De preferência, no recipiente dourado do ponche.

22.2.10

Umbigadas variegadas

02/22/10 10:59:00 sexso com cavalos (Google)
02/21/10 15:51:36 cantor com voz do demonio (Google)
02/21/10 09:17:03 16 de junho de 1955 (Google)
02/20/10 19:01:32 onde encontrar papel mosca (Google)
02/20/10 18:31:35 minhocário em uberlândia (Google)
02/19/10 15:37:34 whoopie pie rio verde (Google)
02/18/10 18:57:52 mandrake rubem fonseca (Google)
02/18/10 12:07:52 tanglefoot (Google)
02/16/10 11:21:10 from "the marriage of heaven and hell" the voice of devil traduzione note.the reason Milton (Google)

16.2.10

Eu dilmo, tu serras, ele marina

La pregunta: después de Lula ¿qué?, es decir, cómo será Brasil sin Lula, no es retórica. Es un interrogante que se empiezan a hacer no sólo los analistas políticos, sino el hombre de a pie. Una cosa es cierta: va a haber, históricamente, un antes y después de Lula, el ex tornero que tomó las riendas del país hace casi ocho años, y que ha conseguido colocar a Brasil entre las potencias emergentes del mundo junto con India y con China.

(El P.)

13.2.10

Tentativa de definição

Sou um goiano que odeia pequi e um brasileiro que detesta carnaval.

5.2.10

Dino Buzzati

"O tempo entretanto corria, sua batida silenciosa marcando cada vez mais precipitadamente a vida, não se pode parar um segundo sequer, nem mesmo para olhar para trás. 'Pare, pare!' se desejaria gritar, mas vê-se que é inútil. Tudo se esvai, os homens, as estações, as nuvens; e não adianta agarrar-se às pedras, resistir no topo de algum escolho, os dedos cansados se abrem, os braços se afrouxam inertes, acaba-se sendo arrastado pelo rio, que parece lento, mas não para nunca."

(O deserto dos tártaros, XXIV)

22.1.10

In between

Enquanto El Gran Mariscal Sucre mira a morena esquerda, por onde andará Gonnie?

8.12.09

7.12.09

Literatura de orelha

"Pela boa administração que exerce no DF, José Roberto Arruda é hoje uma das mais importantes lideranças do cenário político nacional."
Fernando Henrique Cardoso

"Arruda serve para ser candidato a presidente da República pelos Democratas."
Arthur Virgílio

"Arruda não fez barganha. Não instalou um balcão de negócios para oferecer a este ou aquele partido."
Álvaro Dias

"Parabenizo o governador José Roberto Arruda por suas ações moralizantes."
Heráclito Fortes

(do livro Brasília: Preservação e legalidade. Desafios do governo, 2008)

23.11.09

Imahdijnando

Se os israelenses têm quatrocentas ogivas nucleares amoitadas e apontadas para todo-mundo-sabe-onde, por que são os iranianos - que ainda não têm nenhuma - os acusados de promover o genocídio?
Impossível que sejam capazes de semelhante maldade as compassivas criancinhas dos filmes de Makhmalbaf e Kiarostami (nenhum cineasta israelense, aliás, lhes chega aos persas pés).

18.11.09

Como o tempo passa...

"Foi o segundo dia de trocas de tiros na região em menos de 24 horas."

(Pérola extraída de importante sítio noticioso)

17.11.09

Cerradas (reloaded)

A confraternização anual da empresa se aproxima e Diego, jovem gerente de uma multinacional do setor químico-farmacêutico, ainda não sabe o que fazer. É necessário fechar o aluguel do espaço que acolherá a festa de fim de ano dos colaboradores, mas Diego enfrenta dificuldades: não quer repetir a mesmice dos anos anteriores, quando o evento aconteceu num salão de festas da Zona Sul, nem consegue encontrar lugares alternativos que caibam no orçamento. Até que sua namorada, Roberta, sugere o restaurante do MaMA. Frequentador do parque do Ibirapuera, Diego não pestaneja: “É isso! Não há melhor lugar nesta cidade. Aquela vista para o parque, as esculturas do jardim do MaMA, a cidade ao longe... A festa da empresa será lá!”. O local surpreende os convidados. “Onde? Como?”, perguntavam para Diego. A confraternização, realizada em dezembro de 2008, foi um festão, registrado em fotos e na memória de todos os funcionários da corporação...

N. do B.: Ouverture de um pequeno reclame a sair no periódico da formidável instituição cultural que me provê o (escasso) ganha-pão; comovido memento do fiel (na verdade palmeirense) companheiro de tantas e tão cerradas jornadas.

12.11.09

Lullian phantasies

Lula is often mocked for beginning his sentences with the phrase, “never before in the history of this country”. What his political opponents find even more infuriating is that he is often right.

(The E.)

11.11.09

Menores (o modo) momentos (V)

V. Revma. Messer Tartufo de' Verdepascoli, inútil negá-lo, é há quase um lustro inteiro o mais empedernido e militante adversário da entrada (opá!) da Venezuela no Mercosul:

Para Messer Tartufo, ao norte do bairro de Santana já começam as Guianas.

5.11.09

Alexei e gozei

"O problema foi a partir das décadas de 70 e 80, nas quais aparecem duas referências: a chamada poesia marginal - que não tem nada de marginal, foi muitas vezes subvencionada publicamente - e o mais nefasto de todos os movimentos, o lobby concretista, que criou uma falsa genealogia. Pega-se o romantismo inteiro, monstros absolutos como Gonçalves Dias ou Castro Alves, e os substituem por um poetastro completamente abominável como Sousândrade, que faz aquelas misturebas lingüísticas que existem desde a Grécia, passando por Rabelais, o barroco, os bestialógicos. Só tem novidade para quem é muito ignorante. Depois, chega-se no modernismo, que é aquela coisa com uma riqueza fabulosa, e é pinçado Oswald de Andrade, um poeta menor, um agitador cultural muito superior ao escritor. Elege-se um tradutor ilegível como Odorico Mendes, que fez da Eneida de Virgílio um telégrafo de maluco, e só a fabulosa atração por tudo o que é esquisito, aberratório, teratológico, para chamar a atenção e fazer quizumba, de ''seu'' Haroldo de Campos, pode explicar uma coisa dessas. O que é extraordinário é a quantidade de estudantes universitários, sobretudo em São Paulo - é sabido que os dois únicos lugares do mundo onde se leva o concretismo a sério são São Paulo e Hamburgo, na Alemanha - que cai nessa esparrela. Formou-se uma geração de idiotas que nunca leu nem Gonçalves Dias e perde tempo com Sousândrade."

N. do B.: Ben trovato, mas em minha quase supérflua defesa devo dizer que, "estudante universitário sobretudo em São Paulo", nunca perdi tempo com Gonçalves Dias, Sousândrade e Alexei Bueno.

20.10.09

Don't take too much if you intend to be a Royal Secret Agent

RESTRICTED
Defence Manual of Security

Possible signs of drug and alcohol abuse
3. Some of the signs and symptoms listed below, when taken in isolation, may be of no significance, or may be symptomatic of illness which has no security significance. However, when several such symptoms manifest themselves together, the commander/line manager will wish to consider whether matters are sufficiently serious as to merit the attention of the Principal Security Adviser. Unless the matter is clear-cut, the commander/line manager should endeavour to have a sympathetic chat with the person concerned with the aim of discovering what lies at the root of the problem, before deciding whether to consult the relevant Principal Security Adviser. Even if the case is not so referred, it may still be appropriate to refer the individual to welfare, medical or counselling services.

Drugs
4. An apparent change in personality or general attitude to, for example, family, colleagues or work.
5. Unexplained inadequate or uneven performance, particularly when indicated by:
a. erratic timekeeping;
b. disregard for discipline.
6. Personality changes such as:
a. furtive behaviour;
b. stealing;
c. frequent attempts to borrow money;
d. obvious familiarity with slang expressions for drugs and the methods of taking them;
e. wearing sunglasses in inappropriate situations (some illegal drugs contract or dilate the pupils of the eye to a marked extent);
f. attempts to keep arms covered even in hot weather (to hide needle marks);
g. frequent visits to the lavatory or some other secluded area on a longterm basis which cannot be attributed to known illness (to provide an opportunity to take drugs);

Alcohol
7. Inadequate or uneven performance at work particularly indicated by:
a. lack of concentration;
b. loss of interest;
c. afternoon lethargy;
d. unexplained absences during the working day;
e. unreliability and forgetfulness;
f. reluctance to accept responsibility;
g. oversensitivity to criticism;
h. poor timekeeping.
8. Physical deterioration such as:
a. bleary eyes;
b. slurred speech;
c. flushed face;
d. unsteadiness;
e. hand tremors;
f. smell of alcohol on the breath in the morning;
g. frequent sick leave, explained as minor illness, especially when it
occurs often on Monday mornings.
9. Personality changes such as:
a. moodiness;
b. anxiety;
c. depression.

N. do B.: Inside information dos serviços secretos de Sua Majestade, obtida neste genial sítio; gosto especialmente dos parênteses explicativos do item 6.

6.10.09

A jaula aberta

Sempre que a expressão "filhos de famílias de classe média" aparecer algures, leia-se com alívio: são totalmente branquinhos e sem qualquer laivo de latinidad étnico-monetária.
Ainda que andem por aí os tais pequerruchos a carbonizar pataxós, merecem todos (sempre) a nossa sincera consternação, ok?

14.9.09

Picaretas en todas partes

Certo curador (sic) paulistano-jardínico (i. e., habitante da rica vertente sudoeste do espigão divisor da cidade) pretende, em sua próxima e autoproclamada "polêmica exposição", que a arte produzida pelos botocudos, aimorés, craôs e guajajaras seja em tudo semelhante às decantadas manifestações estéticas dos hunos, saxões, ostrogodos e suevos (e vice-versa).
Para demonstrá-lo, a formidável instituição cultural que me provê o ganha-pão financiará expedições até as absconsas (êpa!) malocas dos nativos do Bananão, de modo que os bárbaros visitantes logo estabeleçam vivo contato com os aborígenes inzoneiros. Deseja-se, assim, propalar a indigência intelectual das tribus europeias (100 mil o grama) entre os bravos gentios, esses escravos cardíacos que somos da nacionalidade e dos pátrios adjetivos.

7.9.09

Venu, vu, vendu


Acometido pelo implacável esprit d'escalier, não resisto e ecfraseio:

Lula, o camponês rechonchudo em seu dia de momo na feira (como é grotesca nossa faixa presidencial!), enganado pelo nariganga e finório mascate da cidade, filho provável de ciganos. Ao fundo, o esquadrão aerobático gaulês indica a "nota realista" dos bilhões no entrecho, conforme cantaria o mui pranteado poeta Tomás de Alencar.

27.8.09

Menores (o modo) momentos (IV)

"Exatamente isso, minha gente: pensamento negativo atrai pensamento negativo; pensamento positivo é o que os ingleses chamam wishful thinking. Né, pensar positivo, querer pensar positivo atrai bons fluidos. Eu sei exatamente os instrumentos de que nós precisamos dispor para atingir esse objetivo. E eu tenho sobretudo dentro de mim uma fé enorme em Deus e um ideal. Eu tenho um ideal. Eu sou uma pessoa idealista."

Fernando Affonso Collor de Mello

N. do B.: Vive mal quem não vive de amor.

26.8.09

23.8.09

Príncipe com Princesa

Ou vice-versa. Assim se chamava, até 1889, a atual esquina de Quintino Bocaiúva com Benjamin Constant (idem), no velho Centro; e se percebe como os dois ultras do jacobinismo maçom estragam tudo com seus fumos de república de funcionários. O nome antigo tem um não sei quê de modinhas e iaiás muito mais aprazível.
(Entrementes, a rua da Imperatriz rebaixou-se até a plebeia efeméride de XV de Novembro.)
Morro acima, cá na Bela Vista, a rua Saracura Pequena (corre embaixo o córrego homônimo) virou Dr. Fulano de Tal.
Tal como temia Manuel Bandeira.

15.7.09

Debulhões

Recente e estrepitosa (conquanto, hélas, sem algemas) operação federal varejou mais um manjado esquema de arrivistas emergentes, a velha dobradinha contrabando-lavagem.
Assíduo usuário das linhas de ônibus que atravessam as várzeas copiosíssimas do Pinheiros, sempre fico de cara com o neonormandismo das mansardas e cascalhos que acastelam um dos negócios da máfia da vez, na rua graciosamente chamada Colômbia.
Lá dentro, vejo através da vitrine decorada com péssimo gosto e perverso, se agita uma farândola de moçoilas (louras) em flor, as saias vaporosas e os rostinhos louçãos zanzando a agenciar em dólares as tais caras fragrâncias (certamente flagrantes).
Cá fora, negões de terno preto espreitam o movimento da força black com rádios e óculos escuros.
Nada muito diverso, enfim, de qualquer promocenter, como agora novamente se demonstra.

12.7.09

Geognose no Goiás


O trajeto da flânerie ciclística de ontem é certamente significativo do ponto de vista heráldico-geognóstico. Percebei como a espécie de animal rampante desenhado entre sul e norte ameaça atacar o complexo industrial poluidor e sem coração (exportam todos), a sudoeste.

1.7.09

Não há jornalista brasileiro, com ou sem deproma, capaz de escrever assim

"Minuto a minuto, pasito a pasito, Honduras se va alejando de las libertades. Al secuestro por parte de un comando del Ejército del presidente Manuel Zelaya le siguió la implantación del toque de queda y, ayer, en una vuelta de tuerca más para sujetar el país, el nuevo Gobierno presidido por Roberto Micheletti propuso al Congreso la supresión de cinco libertades individuales. Y los diputados, con la misma unanimidad con que el domingo quitaron a un presidente y eligieron a otro como quien cambia una rueda, obedecieron. Aunque Micheletti descartó que se tratase de un estado de sitio, lo cierto es que, durante la noche, las Fuerzas Armadas y la Policía tienen la potestad de restringir las libertades 'individuales, de asociación, de domicilio, de circulación y de derecho a la información'. La etiqueta no pone 'estado de sitio', pero lo que viene dentro sabe igual."

Pablo Ordaz, d'El P.